Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XIII

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Por quê menino não usa saia? Porque é chato para brincar!

Essa pergunta já respondida no título minha Catarina fez num dia onde ela, lá pelos 4, 5 anos, estava sendo convencida por mim a trocar o short por um vestido para um aniversário. Normalmente ela escolhe o que quer usar, mas eu tinha comprado um vestido tão lindo, com um lação lilás e queria enfeitar a boneca. Só que era uma festa num bufê de brinquedos divertidos. E, olha, embora goste muito de saias e vestidos, ela tinha toda razão e me convenceu a botar o shortinho para se danar. No caminho fiquei pensando com peninha dos meninos que “não podem” botar um vestido lindão quando querem.

Menina também gosta dos Minions

Menina também gosta dos Minions

Liege Albuquerque

Pois é, nós, as meninas, temos mais liberdade na hora de vestir. Mas na hora de sentar, mesmo de short, tem de ser de pernas fechadas, né? E ainda temos de encarar as imposições do mundo fashion nos personagens singelos que nos destinam. Semanas atrás passei por uma loja de departamentos e vi uma camisetinha do Snoopy e logo atrás uma dos Minions. Fofuras, fui procurar o tamanho P para minha filha.

Comentei com a vendedora: “Poxa, essa P é tão grandona para ela”. “Mas a senhora está na seção dos meninos, não tem Snoopy nem Minions para meninas”. Oi? Olhei ao redor e vi que estava no setor “errado” e no feminino era só camiseta do enjoado lerigô e as indefectíveis princesas. Nada contra quem gosta (até os 3 anos, minha filha também gostava das princesas), mas quem foi que determinou que as meninas não gostam do Snoopy ou dos Minions?

No ano passado, a polêmica loja de departamentos Zara (aquela acusada de escravizar funcionários) lançou na Espanha bodies de bebês assim: no modelo para menino, a mensagem era “Cool and Clever, It's what mummy said” (legal e inteligente, é o que a mamãe disse). Já no modelo para menina, a frase escolhida foi “Pretty and Perfect, It's what daddy said” (bonita e perfeita, é o que o papai disse). Sim, é sério. Teve um bafafá básico e recolheram as roupinhas.

Tem gente que torce logo o nariz quando ouve falar em feminismo, empoderamento e tals. Mas normalmente é quem não tem a menor ideia do que é isso. É simples: nós mulheres queremos os mesmos direitos e os mesmos salários dos meninos, quando atuamos no mesmo segmento e função. Nada mais que isso. Queremos poder escolher entre sermos donas de casa e não trabalhar fora para ficar com os filhos ou trabalhar fora e não ter filhos, sem nenhuma pressão da sociedade. Queremos isso para nossas filhas e filhos, liberdade de escolher o que os faz felizes.

E na hora de escolher nossas roupas também essa discussão vele. Se eu gosto do Foo Fighters e não gosto de camiseta largona e prefiro baby look, porque não encontro nenhuma? O jeito é comprar e mandar diminuir na costureira. Foi o que fiz: minha filhota ganhou suas camisetinhas do Snoopy e dos Minions, mesmo não sendo da seção das garotas. E mais: como adoro comprar cuecas “masculinas” para mim (são de algodão com lycra, grandinhas e bem mais confortáveis do que micro-calcinhas), também fui às cuequinhas dos meninos e achei umas lindas para ela, de A Hora da Aventura e do Gumball. Calcinhas “de meninas”? Só tinha Peppa e Dora (nada contra Dora, amamos a aventureira). Ah, comprei calcinhas da Dora também.

Pois é. Acho que não devemos impor limites aos nossos gostos. Curto vestidos, assim como minha filha, mas também amamos shorts. E quero ter a liberdade de estampar na camiseta o que eu quiser, o personagem querido do momento. Isso parece fútil para você, falar em moda para falar em sexismo? Mas não é. É a cereja do bolo.

P.S. 1 Sugiro a leitura de um livro que adoro o “Criando Meninas”, do psicólogo Steve Biddulph (que também escreveu o Criando Meninos). Ele é claro sobre como somos espelhos para nossos filhos. E destaca a importância de criarmos crianças focadas no interior e não no exterior, em criar crianças como se diz “do bem” e menos interessadas na guerra de “coresecoisademeninoversuscoresecoisademenina”. Um trecho: “O principal objetivo dos meus livros é acabar com o sexismo. Isso limita as crianças. E se um menino é mais amável e gentil e quiser ter uma boneca? É algo bom, ele se tornará um pai melhor. E toda menina deveria ser estimulada a se sujar, a brincar no barro, a subir em árvores, para que seja menos medrosa e ame a natureza. Ela pode se tornar uma grande cientista, artista, atleta. Temos de libertar as crianças desses limites ultrapassados.”

http://acritica.uol.com.br/blogs/maescricri/menino-usa-saia-chato-b...

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