Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XV

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Setor esportador perde preços e mercados

Setor exportador perde preços e mercados

03 de abril de 2014 | 7h 50

O Estado de S. Paulo

O déficit de quase US$ 6,1 bilhões na balança comercial - diferença entre exportações e importações - foi recorde, no primeiro trimestre, em duas décadas, explicando-se pela piora de preços de commodities exportadas pelo Brasil e pela perda de mercados e de competitividade de produtos locais em relação aos fabricados no exterior. Em contraste com as afirmações de funcionários do governo de que o comportamento da balança comercial tende a melhorar acentuadamente, as consultorias privadas evitam fazer projeções para o ano. Já a última pesquisa Focus, feita pelo Banco Central com agentes econômicos, indicou, para este ano, um modesto superávit de US$ 4,3 bilhões.

No segmento mais forte das exportações brasileiras - o de commodities - cresceram, em volume, as vendas de minério de ferro, petróleo, soja em grão, milho em grão, carne bovina in natura e carne de frango in natura, mas os preços caíram entre o mínimo de 2,9% (minério) e o máximo de 30,1% (milho). Nos produtos semimanufaturados, houve forte queda do preço do açúcar em bruto (-17,9%) e um pequeno recuo da celulose (-0,4%).

As exportações para a Argentina continuaram em queda livre(22%), da média mensal de US$ 1,7 bilhão, no primeiro trimestre de 2013, para US$ 1,3 bilhão, no mesmo período deste ano - ou seja, US$ 1,2 bilhão no período, correspondendo a cerca de 20% do déficit comercial. Também houve queda de vendas para a Europa Oriental (-16,8%), o Oriente Médio (-15,1%), a África (-13,5%) e a União Europeia (-13,3%). Ao contrário, para a China o País exportou mais 22,1% e para os EUA, mais 8,8%, pelo critério de média diária.

A desvalorização do real, de 10,4% no ano passado, não parece surtir grande efeito sobre as exportações, prejudicadas pelo custo Brasil (juros, inflação, deficiências de infraestrutura, elevação do custo do trabalho com perda de produtividade, entre outros). Prova disso é que a média diária de exportações no trimestre caiu 4%, quase o dobro da queda das importações (2,2%).

Ainda mais grave do que o déficit da balança comercial é a redução do comércio exterior, medida pela corrente de comércio (soma das exportações e das importações): no primeiro trimestre, a corrente de comércio diminuiu 1,5% em relação ao mesmo período de 2013, de US$ 106,8 bilhões para US$ 105,3 bilhões. O País, em síntese, perde espaço no comércio global.

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