Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XIII

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Setor têxtil está iniciando sua recuperação

A presidente do Sindicato da Indústria Têxtil do Estado do Ceará (Sinditêxtil), Kelly Whitehurst, visitou a redação do Jornal O Estado para falar sobre os desafios que o setor vem enfrentando nos últimos anos, a importância do associativismo, bem como as medidas que estão sendo adotadas para alavancar o desempenho das indústrias têxteis cearenses. Ela ressaltou que o setor já foi um dos mais importantes da economia do Ceará, mas vem enfrentando uma forte e desleal concorrência dos produtos, que acabaram invadindo todo o território nacional, apesar de, em sua grande maioria, não ter a mesma qualidade e acabamento daquilo que é produzido aqui.

O Estado – Apesar de tudo, o setor ainda é um dos grandes arrecadadores de impostos?
Kelly Whitehurst – Isso mesmo. O setor têxtil está no podium da arrecadação, da produção. Qualquer movimentação que acontece no setor, seja para mais ou para menos, a gente já percebe isso na geração de empregos, na melhoria do PIB, enfim, tem uma importância considerável para o desenvolvimento do nosso Estado. Já existe há 135 anos e, portanto, fundou a Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec). Temos uma história e uma envergadura muito forte dentro da economia cearense.

OE – E o Ceará concentra muitas empresas do setor?
KW – O Estado é um polo muito relevante de confecções, tem boas marcas que se destacam em nível nacional e internacional, exportando muito bem. E estamos passando por esse período difícil, mas até mesmo antes da crise já sentíamos isso, porque uma falta de política de desenvolvimento industrial fez com que a indústria têxtil fosse impactada, por conta dos importados teve de fechar algumas portas. Enquanto o mercado interno estava pujante, não consideramos que a indústria seria um ator importante, então foram fechadas muitas portas. Na crise a gente teve esse aspecto um pouco delicado porque o mercado interno ficou difícil, apesar do dólar ter aumentado e o volume de importados ter diminuído, tivemos essa dificuldade de escoar no mercado interno.

OE – Mas já estão sendo feitos os ajustes?
KW – Totalmente. Já começamos a produzir, o mercado já está sentindo algo positivo. Mês a mês a gente vai sentido o mercado, como todos os segmentos, sabemos que o contexto que a gente está é muito delicado para o Brasil, mas passo a passo as empresas têm se adequado, têm enxugado custos, buscado atuar com muita inovação, muita garra e temos visto algumas delas já saindo da dificuldade. Até porque, mesmo com um cenário de maior produção nos últimos meses, percebemos que ainda existem alguns passivos para serem resolvidos. Então, essas empresas ainda estão se ajustando, mas tem sido bem interessante esse positivo.

OE – Até porque o Governo Federal está tomado algumas medidas, o estadual também para apoiar a retomada do crescimento da produção, melhorando algumas situações, a fim de que o empresariado possa seguir em frente?
KW – As mudanças necessários têm que acontecer. Já se sabe há tantos anos o que é necessário ser feito para se melhorar, então está na hora de se decidir e se fazer essas alterações em nível federal, e as políticas de desenvolvimento estadual precisam existir de uma maneira muito forte. E Governo e iniciativa precisam caminhar juntos para que haja melhores resultados. Ninguém está na crise sozinho. Ninguém pode punir uma outra categoria. Temos de caminhar juntos, em busca de soluções, de diminuição de custos, porque estamos num país caríssimo, a nossa indústria lida com valores altíssimos de energia, de impostos, então precisamos trabalhar conjuntamente para encontrarmos soluções viáveis. Recentemente o Governo de São Paulo zerou o ICMS. Onde está o Ceará nisso?

OE – O setor têxtil é muito forte no Ceará e, dentro dele, um dos maiores destaques é a moda íntima, não é?
KW – É fortíssima. A gente está em primeiro lugar, é o maior polo de moda íntima do Brasil, temos grandes empresas aqui. Para se ter uma ideia, uma indústria de bojos produz bilhões deles por mês, o que é fantástico. A gente tem a maior da América Latina aqui, que é a Delfa, e isso é muito positivo. Temos procurado, sempre, buscar soluções inovadoras, enquanto sindicato. Reunimos toda a cadeia produtiva para desenvolvermos uma feira, que tem muito impacto internacional, chamada Ceará Fashion Trade, que congregará os diversos segmentos que fazem a nossa moda, desde a íntima, praia, fitness, masculina, feminina e infantil. Calçados, acessórios, biojoias, índigo, private label. Enfim, estamos congregando um grupo de qualidade, atraindo compradores, os olhares do Brasil e de outros países da América Latina também, que são nosso vizinhos, para que o Ceará esteja, realmente, na agenda nacional e internacional como uma feira pujante.

OE – E a feira será no nosso Centro de Eventos do Ceará (CEC) e quando?
KW – No Centro de Eventos, de 16 a 18 de agosto. Deveremos ter em torno de 50 expositores, de todos os segmentos têxteis do Estado. É papel do sindicato fomentar esse tipo de ação. Estamos bancando a feira, que será realizada pelos sindicatos, a Fiec e o Sebrae-CE, para que seja possível entrarmos nesse calendário nacional de uma maneira elegante e profissional.

OE – Vocês também têm o projeto Ceará Moda Contemporânea
KW – É um programa que realiza diversas ações para fortalecimento da moda no Estado. Temos um concurso de talentos em costura, modelagem e design, realizado no Dragão Fashion. Temos também a feira e um programa especial do Sebrae, com mais de 400 horas de consultorias e treinamentos, para fortalecermos as micro e pequenas empresas cearenses do setor, pois qualificação é fundamental.

OE – O sindicato leva grupos de empresários para participar de feiras e missões em outros estados e países.
KW – Existem visitas técnicas, missões internacionais, como do Circuito Moda, em Nova Iorque e Londres e, este ano, está previsto o grupo ir para Milão. Existe todo um aparato em prol de quem está próximo do sindicato. Basta querer, conhecer a nossa sede e fazer parte do nosso projeto de desenvolvimento.

OE – O associativismo é importante. Vocês têm feito compras coletivas?
KW – Nesse momento de crise, já estamos na terceira operação desse tipo para a compra de material insumo, de segurança, alimentos, coisas que são comuns às empresas, mas que se comprar uma sozinha, é diferente de comprar três ou quatro, pois daí temos um volume de cinco ou seis mil funcionários. Isso vai fazer diferença no preço final.

OE – E isso também é feito no momento de contratar prestadores de serviço?
KW – Quando vamos contratar algum serviço, seja de seguro, plano de saúde, temos procurado fazer isso conjuntamente, para diminuir taxas e enxugar os custos.

OE – O Sindicato também oferece algumas consultorias e assessorias aos seus associados. Como isso funciona?
KW – O sindicato oferece serviços sobre tributos, questões trabalhistas, previdenciária, ou seja, todos que são importantes para o administrativo da empresa, quanto da alta gestão, a gente traz sempre pessoas para conversar conosco sobre o mercado, perspectivas do setor, da economia, para que realmente possa abrir os nosso olhos, para que possamos ver os horizontes vindouros e fazer as escolhas mais adequadas para as nossas empresas.

OE – O Sinditêxtil está inserido no Sistema Fiec, que é aglutinadora, e também facilita na hora de abrir portas?
KW – A Fiec é uma instituição de grande agregação de valor, hoje. Principalmente porque o nosso presidente Beto Studart tem uma atuação muito forte, é um líder dinâmico, um líder ético, que tem uma pauta intensa em prol do desenvolvimento da indústria, do emprego, e está totalmente comprometido com a agenda dos sindicatos dos diversos segmentos, para promover ações que possa fortalecer os setores. E os próprios serviços que o Sistema Fiec oferece são fundamentais para que as empresas que são filiadas aos sindicatos possa usufruir de uma maneira mais prática, mais direta, mais acessível. E a Fiec está cada vez mais profissional, enxuta e tem desenvolvido serviços de altíssima qualidade. Tanto através do Sesi, na questão da saúde e qualidade de vida, quanto através do Senai, com seu cursos, treinamentos. Estamos muito felizes de fazer parte de corpo e, com certeza, a Fiec faz toda a diferença no resultado final.

OE – Você falou das ações do Sesi e, recentemente, teve o Dia do Cidadão Têxtil, com mais de duas mil pessoas. Como foi isso?
KW – Essa é a hora da gente agradecer, prestar nossa gratidão ao trabalhador que está com a gente no dia a dia, batalhando pelo nosso desenvolvimento. E, nesse dia proporcionamos um dia de alegria, realizamos sorteios, serviços de saúde e cidadania, para eles e suas famílias.

OE – E o que é a Comenda da Indústria da Moda?
KW – É um reconhecimento a uma liderança que colaborou fortemente para desenvolver o setor. Esse ano escolhemos o empresário Alberto Baquit (in memoriam), que fundou a Tebasa, trouxe a sociedade com a Vicunha, na época e fez parte do período desenvolvimentista dentro da história do setor, consolidou o setor têxtil e o deixou pujante. Foi tão intenso o investimento naquela época, que a parceria do Governo caminhou muito próximo à iniciativa privada e centenas de indústrias foram criadas naquele período, significando um aumento de 17% de empregos do Nordeste, só no Ceará.

OE – E como está o e-commerce dentro do setor?
KW – Nesse período de crise, o e-commerce continuou crescendo em faturamento, em construção de novos sites, o que é um ponto muito positivo e nos alerta para que as empresas comecem a caminhar para essa tendência, que não é tão nova assim. O que é novo, na verdade, é como, lidar com isso, pois não é o site, pelo site. Tem de ter uma inteligência por trás, ferramentas aplicativo, movimentando a plataforma para que esteja visível na web e nas redes sociais. Inclusive já estamos organizando um workshop, em junho, para tratar desse assunto e trazendo os melhores do Brasil.

OE – E quais as perspectivas para o futuro?
KW – Vamos falar de 2017, porque estamos vivendo um mês de cada vez. Temos algumas perspectivas de mudanças no cenários nacional, mas ao mesmo tempo a gente já percebe uma movimentação positiva e a expectativa de crescimento do nosso setor, este ano, é em torno de 2%, o que já é muito bom, comparando com os últimos dois anos, quando decrescemos 7%. Precisamos ser realistas, mas também otimistas, para que possamos ousar em termos de ideias, continuar avançando, desenvolvendo os nossos negócios de uma maneira acertiva e que possa dar resultados.

Marcelo Cabral
editor de Economia

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