Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XIII

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De Bangladesh às Lojas, Roupas Baratas que Custaram Vidas

À medida que varejistas estrangeiros abraçavam a fabricação de vestuário rápida e barata de Bangladesh, Bazlus Samad Adnan sentia que esse era um momento a ser aproveitado. "Há dinheiro no ar", dizia ele, segundo lembram seus amigos.

Adnan e um amigo montaram em 2006 uma pequena fábrica de roupas, a New Wave Style, atrás de uma favela fora da capital, Daca, justamente quando gigantes do vestuário invadiam Bangladesh, atraídos pelos baixíssimos custos da mão de obra. Em poucos anos, sua empresa estava prestando serviços para marcas internacionais de ponta, como a varejista italiana Benetton Group SpA.

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Mulher chora a morte de uma vítima do desabamento que matou funcionários de várias confecções em Bangladesh

Na época, a New Wave Style se mudou para o Rana Plaza, um complexo de manufatura de oito andares construído em 2007, entre vários que surgiram com o renascimento econômico do país. Hoje, Adnan está preso e 615 pessoas morreram soterradas no desmoronamento do Rana Plaza, em abril, um dos piores acidentes industriais que o mundo já viu.

A pressão agora recai sobre alguns dos maiores compradores da indústria têxtil de Bangladesh, como a varejista sueca Hennes & Mauritz AB, HM-B.SK +0.43% dona da rede H&M, e a americana Wal-Mart Stores Inc., WMT +1.01% para que reduzam sua exposição ao país. A Benetton era um dos mais novos clientes da New Wave Style.

No início, a Benetton negou qualquer vínculo com a fábrica. Essa confusão inicial expõe a complexidade da cadeia global de fornecedores, na qual os varejistas montam amplas redes de terceirizadores e intermediários para produzir suas roupas e tentar obter alguma vantagem sobre os concorrentes. A Benetton, por exemplo, tem 700 fornecedores, disse um executivo.

Essas vastas redes dão aos varejistas flexibilidade para fazer encomendas e mudanças de última hora, necessárias na era do chamado "fast-fashion", onde a última moda pode sair direto das passarelas para fábricas da Ásia. As amplas redes também dificultam avaliar de quem é a culpa quando algo dá errado.

O relato dos negócios da Benetton com a New Wave Style nos meses que antecederam o acidente se baseia em entrevistas realizadas em Bangladesh, na Índia e na Itália, bem como em documentos recuperados por grupos de trabalhadores no local do desabamento.

Adnan foi detido e preso por suspeita de negligência criminosa, mas não foi acusado de nenhum delito. Ele não foi localizado para comentar. Seu advogado não quis falar a respeito. Executivos da empresa que sobreviveram ao acidente também não quiseram comentar.

Em um comunicado por email, o diretor-presidente da Benetton, Biagio Chiarolanza, disse que a empresa está trabalhando com a Organização Internacional do Trabalho para melhorar as condições de trabalho. "Essa é uma tragédia tão grande que ninguém na indústria deve se sentir isento", disse ele, acrescentando que a Benetton disponibilizará recursos para ajudar as vítimas.

À parte, um alto executivo da Benetton disse que funcionários da empresa fizeram visitas sem aviso prévio à New Wave Style nos oito meses em que a confecção prestou serviços à companhia italiana e que, no início de 2013, a Benetton havia decidido não usar mais os seus serviços.

Em questão de anos, Bangladesh se tornou o terceiro maior exportador mundial de vestuário, depois da China e da Itália. As exportações de roupas chegaram a US$ 20 bilhões em 2012, 80% do total das exportações do país, bem acima dos 25% de 2010.

Representantes dos trabalhadores dizem que o crescimento ocorreu às custas da segurança. Cerca de 800 funcionários do setor de vestuário morreram em acidentes no país nos últimos dez anos, sem contar esse último desastre. Mais de 5.000 fábricas surgiram no país, muitas em edifícios com problemas de segurança. Há alguns dias, o dono do Rana Plaza, Sohel Rana, foi preso, acusado de construir o prédio sem alvarás de segurança. Os donos da New Wave Style e de outras fábricas que operavam no local foram presos sob a acusação de terem forçado empregados a voltar ao trabalho após o prédio ter sido evacuado devido ao surgimento de rachaduras nas paredes. Seus advogados não quiseram comentar.

Quando as marcas estrangeiras começaram a invadir Bangladesh, há uma década, elas optaram por fábricas modernas. Mas conforme os negócios foram crescendo, elas passaram a subcontratar confecções menores, como a New Wave Style. As redes varejistas foram atraídas para o país devido aos salários iniciais de US$ 40 por mês, um quarto do valor na China. Com o tempo, o cenário se tornou mais difícil. O setor enfrentou greves depois de um líder sindical que exigia melhores salários ter sido assassinado.

A New Wave Style também passou a ter problemas. Ela não conseguiu, por exemplo, pagar o financiamento que fez para se mudar para o Rana Plaza, segundo pessoas a par do assunto. A encomenda da Benetton, feita em setembro de 2012, foi considerada uma tábua de salvação, de acordo com executivos que sobreviveram ao acidente.

Já a Benetton vem lutando contra a concorrência de marcas "fast-fashion" como a H&M e a Zara. A H&M reduziu seus custos, tornando suas roupas mais acessíveis que as da Benetton, e Bangladesh representa boa parte dessa estratégia. Hoje, a H&M é o maior comprador do país, seguida da Wal-Mart, segundo a Associação dos Fabricantes e Exportadores de Vestuário de Bangladesh.

Em 2012, após divulgar lucros decepcionantes, a Benetton anunciou que iria "agir com determinação para atingir a máxima eficiência possível nos processos de produção e de fornecimento".

Bangladesh foi um lugar onde a Benetton pôde colocar isso em prática. Além dos baixos salários, a empresa se beneficiou de um acordo pelo qual o país, por ser um dos mais pobres do mundo, pode exportar para a União Europeia sem ter de pagar impostos. Hoje, o país responde por cerca de 4% da produção de vestuário da empresa italiana, comparado com 2% cinco anos atrás.

É comum que varejistas estrangeiros façam auditorias de segurança independentes para avaliar os fabricantes contratados. O executivo da Benetton disse que a empresa não fez isso porque tinha feito apenas uma encomenda pequena à New Wave Style.

Há um banco de dados de auditorias nas fábricas usado por vários varejistas. Ele continha um relatório de uma auditoria anterior feita pela Business Social Compliance Initiative, entidade de Bruxelas, em nome de um cliente de varejo. Em março de 2012, os auditores reprovaram a New Wave Style porque faltavam itens no kit de primeiros socorros, não havia médico ou enfermeiro disponível e os trabalhadores não tinham treinamento suficiente sobre temas de segurança dos equipamentos, segundo a BSCI, que afirmou ao The Wall Street Journal que as auditorias não incluem a avaliação da estrutura de edifícios, apenas temas ligados ao chão de fábrica.

A Benetton fez seu primeiro pedido à New Wave Style em setembro, de 145.000 peças, segundo documentos analisados ​​pelo WSJ. Em janeiro, fez um novo pedido, de 40.000 peças. Ele foi entregue no fim de março, pouco antes de o Rana Plaza desabar.

Fonte:|http://online.wsj.com/article/SB10001424127887323372504578465521229...

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Respostas a este tópico

 

Aqui nos EUA, devido ao desastre de perdas humanas e trabalho semiescravo em Bangladesh, agora amplamente divulgado ao publico americano, medidas de boicote estão sendo todas restringindo a importação de produtos exportados usando-se dessas condições sub-humanas de trabalho. Não abriria isso uma janela de oportunidade a nossa indústria de vestuário, podendo o nosso produto substituir parte desse vacum que se surge?

que bom que estao começando a dar nome aos bois, porem nao sao somente os empresarios que tem culpa, os governos dos paises onde estas redes se instalam tambem tem, pois aceitam que estas cadeias de lojas se instalem naquele pais, voce entra numa H&M esta la tudo fabricado em bangladesh, as redes primark, tekmak, zara, c&a e tantas outras tambem e a mesma coisa e simples se voce ver uma peça vendida por 5 dolares, e so rastrear onde ela foi fabricada que vai chegar nestes centros clandestinos nesta mao de obra escrava porque pagar 40 dolares ao mes isto e trabalho escravo, mas os governos nao so fazem vista grossa como ainda dao incentivos fiscais a esta empresas que se instalam nos grandes centros quebrando osa pequenos locais todos, como aconteceu em joao pessoa antes da C&A, tinhamos 127 fabricantes no shopping sebrae, que geravam em tornode 1200 empregos de chao de fabrica fora vendedoras e os empregos indiretos, a C&A chegou com todos os incentivos fiscais que se podia dar quebrou todas estas fabricas ou quase todas, este shopping hoje virou um centro de comercio de roupas de santa cruz do capibaribe a china daqui do nordeste enquanto isto todas as lojas da C&A de joao pessoa nao gera 500 empregos entao nao e so a ganancia dos empresarios e a "burrice" conveniente dos governantes tambem entao cada govverno que assina um alvará para funcionamento destas empresas seja no estado, seja numa cidade, ele tem sua parcela de culpa nesta e em outras tragedias que infelizmente  ainda vao vir, pra mim eles sao tao criminosos quanto os donos das redes, pois se os governos  passassem a fiscalizar estas redes e proibir a comercialização de peças produzidas nestes paises que vivem sendo denunciados como poluidor do meio ambiente, uso de mao de obra escrava entre outros absurdos mais eu queria ver como eles iam comercializar estas porcarias, entao temos que denunciar tambem os governos que permitem este tipo de comercio, começando por londres com a primark, espanha com a zara, e pro ai vai... ate chegar aqui no brasil

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