Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XI

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Empresário forja importação para revelar falha em sistema

Presidente da Vulcabrás simula importação de calçado a fim de mostrar que sistema não detecta irregularidades


Operação é flagrada e envolvia empresa fictícia do Vietnã com sobrenome do ministro Fernando Pimentel

Presidente da Vulcabrás, Milton Cardoso admitiu ontem à Folha que forjou compras externas de um calçado inexistente para tentar mostrar que o sistema de liberação de importações não era eficaz para impedir a entrada de produtos em discordância com as regras brasileiras.
Também presidente da Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados), entidade que vem denunciando práticas anticoncorrenciais na importação de calçados chineses, Cardoso fez a revelação após a Folha informá-lo de que a Polícia Federal iria investigar indício de fraude em seis licenças da Vulcabrás para a importação de 20.500 pares de sapatos de uma empresa do Vietnã.
Ocorre que autoridades do governo brasileiro flagraram a operação suspeita no Siscomex (Sistema Integrado de Comércio Exterior) e se surpreenderam com o nome da companhia vietnamita: Pim En Tel Shoes Industries.
A razão social da empresa é justamente o sobrenome do ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel. O modelo do sapato levava a mesma designação: "pimentel".
Os pedidos feitos pela Vulcabrás, uma das líderes do ramo de calçados do país, foram incluídos no sistema entre 29 de junho e 4 de julho.

CIDADE IMAGINÁRIA
"Como não havia outra forma de confrontar tal situação, se não com o oferecimento da prova, protocolei pedidos indicando fabricantes inexistentes de cidade imaginárias, constando o que denunciávamos: as licenças foram dadas sem exigir certificado de origem", disse Cardoso.
O ministério argumenta que a liberação da licença é automática para a maioria dos casos e que, em caso suspeito, cai na malha fina da pasta e da Receita, o que ocorreu com as seis licenças forjadas pela Vulcabrás.
Pelas regras, cabe à empresa interessada em adquirir produtos lá fora informar dados do fornecedor e da compra mediante senha e CNPJ.

MALHA FINA
Das 6 licenças solicitadas pela Vulcabrás, 5 foram automaticamente deferidas, entrando, depois, na malha fina. O valor da falsa compra é de US$ 113.650. Na guia sem aprovação automática, a Pim En Tel aparece como originária da China. Nas outras, exporta do Vietnã.
O Brasil impõe tarifa antidumping sobre calçados chineses, uma das razões pela qual o processo foi retido para verificação.
Além do homônimo, chamou a atenção das autoridades brasileiras o baixo valor do par de sapato no lote procedente da China: US$ 1,6.
Cardoso disse ter enviado ao ministério as licenças forjadas autorizadas.
A pasta nega ter recebido os documentos. Informa que apenas ouviu do empresário reclamações sobre triangulação nas importações de calçados chineses para burlar tarifas antidumping.

Colaborou FERNANDA ODILLA, de Brasília

Também presidente da Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados), entidade que vem denunciando práticas anticoncorrenciais na importação de calçados chineses, Cardoso fez a revelação após a Folha informá-lo de que a Polícia Federal iria investigar indício de fraude em seis licenças da Vulcabrás para a importação de 20.500 pares de sapatos de uma empresa do Vietnã.

Ministro promete mais rigor contra indústria calçadista chinesa

Ocorre que autoridades do governo brasileiro flagraram a operação suspeita no Siscomex (Sistema Integrado de Comércio Exterior) e se surpreenderam com o nome da companhia vietnamita: Pim En Tel Shoes Industries.

A razão social da empresa é justamente o sobrenome do ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel. O modelo do sapato levava a mesma designação: "pimentel".

"Como não havia outra forma de confrontar tal situação, se não com o oferecimento da prova, protocolei pedidos indicando fabricantes inexistentes de cidade imaginárias, constando o que denunciávamos: as licenças foram dadas sem exigir certificado de origem", disse Cardoso.

O ministério argumenta que a liberação da licença é automática para a maioria dos casos e que, em caso suspeito, cai na malha fina da pasta e da Receita, o que ocorreu com as seis licenças forjadas pela Vulcabrás.

Fonte: www.uol.com.br

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