Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XV

Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XV

O que é controle de qualidade? Como funciona na indústria têxtil?


Controle de qualidade é prevenir falhas e problemas em processos e produtos, para suprir de maneira eficiente as necessidades e desejos dos clientes da indústria têxtil.

Portanto, não é apenas conferir e contar defeitos de produtos finalizados. Pelo contrário, o propósito é antecipar-se a possíveis problemas e encontrar soluções para evitar que aconteçam.

Otimizar processos para melhorar e integrar metodologias de trabalho, reduzir custos e potencializar a produtividade são ações vitais para a indústria têxtil.

Sendo assim, em se tratando de controle de qualidade, é fundamental coletar, analisar e controlar dados do processo produtivo.

No entanto, para estes procedimentos surtirem resultados confiáveis é importante:

  • Diminuir ruídos na comunicação.
  • Fazer uso de painéis de gestão com informações transparentes.
  • Atualizar em tempo real os indicadores mais importantes.
  • Quando possível, contar com pesquisas de satisfação dos clientes.

 

Automação têxtil dá suporte ao controle de qualidade

É comum verificar desperdício de matéria-prima na indústria têxtil, devido à falta de informação e de automação de processos. Normalmente, o foco das companhias está voltado às peças finalizadas. Com isso, deixam de prestar a devida e indispensável atenção à qualidade da matéria-prima.

Monitorar dados técnicos do material base de uma confecção, por exemplo, permite programar enfesto e corte sem desperdícios.

Automação-têxtil-dá-suporte-ao-controle-de-qualidade
Programando a automação de processos.

Com a automação têxtil é possível, entre outras coisas, obter informações reais sobre cada rolo de tecido de um estoque: a metragem, área útil, gramatura, rendimento.

Neste caso, o controle de dados permite ir ao estoque e escolher o rolo de tecido que fornecerá o melhor aproveitamento (desempenho) para cada ordem de corte. A tecnologia possibilita uma visão antecipada de variáveis e um controle de qualidade preventivo, para direcionar a gestão da indústria têxtil.

 

Vantagens do controle de qualidade

Respeitar critérios de produção e fazer um rigoroso controle de qualidade exige muita dedicação de sua empresa, mas é compensador.

Além de colaborar para a competitividade dela no mercado, fomenta o seu desenvolvimento.

Outras vantagens de investir em controle de qualidade na produção da indústria têxtil são:

  • Aumento da produtividade.
  • Planejamento mais eficiente.
  • Redução de perdas de materiais (desperdícios).
  • Diminuição de custos.
  • Aperfeiçoamento da gestão de materiais e de máquinas.
  • Melhoria da qualidade final de produtos.
  • Possibilidade de oferecer preços mais competitivos.
  • Repetibilidade (confiança do cliente/credibilidade da sua empresa).

 

Como surgiu o controle de qualidade?

Os métodos de controle de qualidade, como se apresentam na atualidade, surgiram no século XX. Mas, o processo nasceu com as primeiras relações de compra e venda ao longo da História.

Com a aparição dos primeiros artesãos teve início a preocupação de criar termos descritivos sobre a fabricação de produtos. Na Idade Média, as guildas determinavam padrões de qualidade para produtos. Artesãos que os desrespeitam eram punidos.

Depois veio o interesse de reis pela especificação de critérios para os produtos que adquiriam. Havia até fiscalização ou controle de qualidade, realizado por membros da corte.

 

Qualidade melhorou com o surgimento da indústria

No período antecedente à indústria, os próprios artesãos passaram a estabelecer regras para qualificação de seus produtos. Já a partir da Revolução Industrial, a qualidade passou a ser uma característica de maiores dimensões.

Fábricas tinha supervisores para fiscalizar a produção de seus operários. Os produtos passaram a seguir normas de fabricação pré-estabelecidas. E a padronização tornou-se uma forma de evitar desperdícios.

 

Qualidade-melhorou-com-o-surgimento-da-indústria
Fábrica do período da revolução industrial.

Na época, ficou estipulado que a quantidade aceitável de produtos com defeitos fabricados por uma indústria não poderia ultrapassar o máximo de 4%.Em período mais atual, o Japão pós-guerra chegou a ser um dos “maiores exemplos” de produção sem controle de qualidade.

Porém, reverteu a situação depois de ser obrigado a elevar seus padrões de produção pela presença de americanos no país. Na atualidade, o Japão destaca-se pela excelência de seus processos industriais.

 

Um conceito em evolução

Assim como as formas de controle de qualidade evoluíram com o tempo, seu conceito e finalidade também sofreram variações.

Antes da internet, obviamente que essas mudanças eram mais lentas. Hoje, período em que tecnologias sobrevivem por pouco tempo até o surgimento de outras mais eficazes, a tendência é de processos cada vez mais específicos.

Acompanhe a seguir três etapas da evolução do controle de qualidade até os dias atuais:

 

1- Fase da inspeção da qualidade

O foco era o produto. Eles eram inspecionados por observação direta, e era comum o cliente participar da averiguação.

Poderiam ser avaliados aleatoriamente ou um a um. O processo era muito lento. Além disso, apenas apontava falhas.

Não resolvia os problemas para melhorar a qualidade.

 

2-Fase do controle por amostragem

Logicamente que a industrialização não permitia mais inspecionar produtos um a um.  A solução encontrada foi usar o controle estatístico ou controle por amostragem.

O período se estendeu de meados dos anos 30 até os anos 80 do século passado (XX). Foi quando surgiram também os departamentos de controle de qualidade.

Esse setor da indústria era responsável por localizar defeitos em produtos e, só então, pensar em como resolver os problemas apurados.

 

3- Fase da qualidade total

É a etapa atual. Agora, não basta mensurar a qualidade. Ela precisa ser controlada. A meta é atender ao que o cliente espera e satisfazê-lo plenamente. Não existe um departamento responsável pelo controle de qualidade, ela tornou-se uma tarefa da empresa toda e até de parceiros e fornecedores.

O trabalho principal é o de prevenção. A indústria têxtil precisa buscar novos instrumentos para garantir a qualidade dos processos de produção.Felizmente, a indústria vive uma das melhores etapas da evolução do controle de qualidade.

 

A automação de processos, a engenharia de produtos e uma série de outras tecnologias facilitam o desenvolvimento do setor têxtil. Até o acompanhamento da qualidade pode ser realizado de forma personalizada, atendendo as necessidades específicas de cada empresa.

https://www.deltaequipamentos.ind.br/industria-textil/o-que-e-contr...

Para participar de nossa Rede Têxtil e do Vestuário - CLIQUE AQUI

Exibições: 2174

Responder esta

Respostas a este tópico

Fui responsável pela qualidade, na Paraguaçu Têxtil, nos anos 1980/1990. Nosso lema era: Qualidade não se controla. Produz-se. É realmente uma área super importante, tendo em vista que uma vez produzido o tecido, no nosso caso, o Jeans, depois de pronto, se com defeito, não tem conserto. Daí a importância do acompanhamento em todo o processo produtivo para evitar falhas.

     Para adicionar um pouco de conteúdo, vou um pouco mais além. Qualidade na industria têxtil começa já na aquisição do algodão, logicamente não podemos não podemos trabalhar só com algodão de primeira linha, mas temos de ter o bom senso no ato da compra. Por exemplo cito aqui a caramelização do algodão, que prejudica em muito o rendimento na fiação, além de ter surpresas no tingimento. Também como citado, não podemos ter a melhor matéria prima no setor, caso não tenhamos uma equipe especializada no acompanhamento e regulagens das máquinas, como o escartamento no trem de estiragem. Senão tiver um"controle" ideal estou estragando minha fibra. 

     Como o colega citou acima, qualidade se produz, e para isto é necessário uma equipe à altura, e isto demanda ter um gestor especialista em cada área que saiba da "gestão" do negócio.

Continuação: Mas para que isto ocorra, a alta gerência também deve estar envolvida, não só para ver os indicadores, mas para participar das ações e na busca da melhoria contínua. Me lembro do início dos anos 90, eram tantos controles, e olhando o presente, você não consegue mais lidar com este custo, a de se manter uma equipe ideal para cada situação, por isto cito a importância, a administração tem de ter know how e feeling, as soluções precisam ser rápidas e certeiras. Caso isto não esteja acertado, certamente o discurso qualidade só vai ser um tema a ser discutido depois do processo, quando é tarde demais. 

O gestor ideal deve promover o treinamento adequado para a equipe, mas para isto "ele" tem de estar "a altura do que lhe é designado, não basta ter apenas diploma, precisa ter "vida" na produção, ver o que acontece no Gemba . Hoje temos de ser técnicos gestores, voltados a inovação, com perfil voltado ao que o cliente deseja e ademais ter o tema "custo" na veia. Qualidade também é o que o cliente paga, de nada adianta ter um produto todo certinho, super perfeito, senão tiver preço competitivo. Para isto é preciso ter interação e saber montar uma ficha técnica, ver todos os detalhes de custo, e saber também trabalhar de forma a ter rentabilidade.

     Por isto a "qualidade" nos dias atuais, é tão difícil de ser compreendida. Qualidade é o que o cliente percebe. Espero ter ajudado um pouco. 

Gostei da tua opinião e argumentos. Me demonstra grande envolvimento com o processo. Gostaria de ter mais contacto com você. Embora eu não esteja mais trabalhando, pois já estou aposentado, sou  formado Técnico Têxtil, e atuei durante 40 anos na indústria têxtil, durante os quais, 12 em controle de produção e qualidade. Tenho experiência na área de jeans, onde atue na Paraguaçu Têxtil. Um abraço.

Olá José. Atualmente também estou aposentado, trabalhei mais de 30 anos na Karsten SA, como técnico de desenvolvimento de produtos na area de tecelagemn, tanto em tecelagem plana como em felpa. Para vc poder me contatar segue e-mail: wirmond.liesenberg@gmail.com ou whatts (47) 99231-9970. Abraço

Olá pessoal, muito bom poder discutir o TEMA qualidade e seus impactos na cadeia produtiva.

De fato o controle de qualidade nos processos de produção têxtil necessitam de inovação.

Hoje os custos das matérias primas estão sendo analisados na entrada das empresas e não no produto final, que deveria levar em consideração as interferências e complicações durante o processo produtivo.

Isso faz com que o mercado adote um padrão de raciocínio de que por exemplo R$20,00/Kg de malha é mais barato do que R$25,00/Kg sem conferir a qualidade do que está recebendo.

Lembrando que Qualidade é o que de fato o cliente recebe, não o que esta nas fichas técnicas, etiquetas, etc...

Vejo muitas empresas com diferencias de qualidade se queixando por terem de competir com outras de menor qualidade, e a pergunta que fica é: o que o comercial está fazendo para mostrar que o seu produto é melhor?

Penso que apenas falando aos clientes que o produto é melhor não esteja trazendo resultados, portanto é necessário mostrar na prática apontando o que de fato está fornecendo, levando em conta a lei da transparência.

Percebo um distanciamento entre beneficiamento e confecção, onde a confecção imagina receber um certo padrão de qualidade e o beneficiamento imagina que está entregando o tal padrão.

Quando utilizamos o termo "imagina" é porque de fato não existe controle efetivo e histórico das variáveis.

Se analisarmos o volume de desperdício de uma confecção por falhas de qualidade na matéria-prima(o ouro da confecção, mas que não é tratado desta maneira) ficamos impressionados.

Hoje praticamente não existe confecção que não tenha que devolver um lote de malha/tecido ao fornecedor por motivos de qualidade. Que não tenha que recolher um enfesto por problemas de qualidade, que não tenha que fazer um re-encaixe por motivos de qualidade, que não tenha produzido segunda qualidade por defeitos na matéria-prima.

Temas atuais como sustentabilidade e desperdício estão diretamente ligados a qualidade dos produtos e por consequência dos processos.

A indústria têxtil deve investir continuamente e entender de que sustentabilidade eventualmente não é somente criar roupas alternativas dos resíduos, mas sim inovar os processos e controles para evitar os desperdícios desproporcionais  atuais.

Abraço a todos!

Obrigado

Responder à discussão

RSS

© 2022   Criado por Textile Industry.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço