Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XIV

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O bicudo foi o maior responsável pelo fim do algodão, mas antes dele, tivemos outro grande inimigo, que foi o poliéster, fibra sintética que feriu de morte essa matéria-prima, dado que o seu preço representava quase a metade do algodão. Esse foi o primeiro bicudo, o segundo esse o verdadeiro, foi de fato devastador. Esses fatores debilitaram por completo o sofrido setor. Porém, o fator primordial e que mais concorreu para o agravamento da crise foi a proibição de exportação do produto para o exterior. A indústria têxtil formava um lobby muito forte e altamente organizado. O que relato aqui foi objeto de um artigo num jornal do Ceará, sob o título: "O bicudo chegou tarde". Todo usineiro de algodão era exportador. Vendíamos metade de nossa produção para o exterior e praticamente à vista, pois vendíamos em dólar, até 70%, antes mesmo de embarcar o algodão.

Pois bem, no ano de 1976, praticamente todos nós havíamos vendido bastante algodão, inclusive já tinha até algodão no porto para embarcar. O ministro Delfim Neto, atendendo à indústria têxtil, proibiu a exportação de algodão, a pretexto de que iria faltar matéria-prima para a indústria nacional. Tudo balela, depois da proibição, eles se retrairam e os preços caíram mais de 30%, o que quebrou muitos de nossos companheiros. Pois bem, quando o bicudo chegou, estávamos debilitados, aí foi o fim do nosso ouro branco.

Quando sou perguntado se ainda acredito no ressurgimento do algodão, sempre digo que não, por dois motivos: faltam os verdadeiros generais, os usineiros do algodão, dos quais guardo na memória e no coração, homens de bem e valor moral que deram grande contribuição a essa riqueza. Do Cariri, cito meu sogro Antônio Alves de Morais, Luiz Montenegro, Feijó de Sá, Antenor Lins, Joaquim Alves, José Norões, Aderson Tavares, Ciro Moreira, Elizeu Batista, Antônio Jaime Benevides e tantas outros. Falta, ainda, mão de obra, pois o campo hoje é um deserto de homens, onde prevalecem aposentados e o Bolsa Família.

Daí não acreditar na volta do nosso ouro branco. O algodão foi, ao lado da cana-de-açúcar, o maior suporte econômico do Nordeste e o embrião de nossa industrialização. Hoje, praticamente varridos do mapa e da economia. E o cajueiro seguindo o mesmo caminho e os governos, no passado e no presente, vendo tudo passivamente.

Humbero Mendonça. Empresário

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Respostas a este tópico

Só estranho a palavra os GENERAIS DO ALGODÃO, que soa não sei bem se estou falando besteira, mas como os CORONEIS do NORDESTE, os homens que mandavam em tudo e em todos, em proveito próprio e devastador da sociedade. Não sei se somente muda a patente ou se nosso Humbero Mendonça esta falando de brasileiros nacionalistas, dos quais devemos nos orgulhar ou dos sombrios homens que devastavam o norte e nordeste, em proveito próprio.

Esta é uma matéria para nossa querida FRANCISCA a rainha do algodão dar seu depoimento e nos dizer o certo ou o errado, das falas.

Rssssssssssssss, valeu Alfredo.

alfredo cardoso neto disse:

Só estranho a palavra os GENERAIS DO ALGODÃO, que soa não sei bem se estou falando besteira, mas como os CORONEIS do NORDESTE, os homens que mandavam em tudo e em todos, em proveito próprio e devastador da sociedade. Não sei se somente muda a patente ou se nosso Humbero Mendonça esta falando de brasileiros nacionalistas, dos quais devemos nos orgulhar ou dos sombrios homens que devastavam o norte e nordeste, em proveito próprio.

Esta é uma matéria para nossa querida FRANCISCA a rainha do algodão dar seu depoimento e nos dizer o certo ou o errado, das falas.

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