Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XII

Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XII

Millennials alimentam movimento vai de bebidas, alimentos e vestuário ao setor de saúde.

DIVULGAÇÃO
Daniela Dantas, da WGSN Mindset: “O consumidor quer saber de onde veio, quem fez, qual o processo produtivo”

O mundo globalizado, formado por empresas gigantescas resultantes de fusões e aquisições em série, não foi e provavelmente não será capaz de barrar uma tendência que ganha corpo rapidamente, gera receitas bilionárias e deve, cada dia mais, influenciar indivíduos ao redor de todo o planeta. A forma como se alimentam, se vestem e cuidam de si próprios tem sido impulsionada por uma força que foi batizada de “Movimento Artesão”. Esse é o tema do estudo inédito “Anatomy of a Trend” (Anatomia de uma Tendência), da WGSN Mindset, consultoria especializada em tendências e comportamento de consumo.

Não é simplesmente tricô e crochê. É o feito à mão que avança no universo da alimentação e das bebidas, da moda, da tecnologia e, surpreendentemente, até mesmo da medicina. Das jaquetas denim bordadas às cestas tecidas à mão, do slow food aos microlotes de cafés e de gim feitos artesanalmente. “No passado, o industrializado era o aspiracional, a exemplo da lasanha congelada e do refrigerante. Hoje, o feito à mão é valorizado. A comida vive um movimento local. O consumidor quer saber de onde veio, quem foi que fez, qual o processo produtivo”, observa Daniela Dantas, diretora para a América Latina da WGSN Mindset.

No segmento de bebidas, o movimento artesanal já é realidade. Há geração forte de receita e, consequentemente, de volumes e valores avançando sobre as vendas das gigantes. Enquanto os destilados e os cafés artesanais vivem uma onda de crescimento, o movimento de produção artesanal de cerveja já se estabeleceu como um caminho sem volta e tornou-se um caso de sucesso. De acordo com a Brewers Association, o mercado americano de cervejas artesanais movimenta US$ 22 bilhões e já representa 22% de todas as cervejas comercializadas nos Estados Unidos, que chega a US$ 106 bilhões. A WGSN ressalta que, há seis anos, esse mercado vendia cerca de US$ 8,8 bilhões.

A edição de 2017 da Consumer Electronics Show (CES), maior feira de tecnologia do mundo, deixou claro que o movimento artesanal se infiltrou no espaço tecnológico. Antes lisos e minimalistas, os acessórios tecnológi- cos deram lugar a um novo estilo de inspiração artesanal, com artigos de couro de alta qualidade e uma pegada nostálgica.

Na área de beleza, Daniela diz que há um movimento de busca pelo natural. Isso explica o investimento da francesa Kérastase, marca de luxo para os cabelos do Grupo L’Oréal, que acaba de lançar mundialmente sua linha Aura Botânica, com cerca de 96% de ativos naturais.

No universo de móveis para casa, há um movimento crescente de valorização do design brasileiro, com novos profissionais surgindo e fazendo barulho. “É o que chamamos de D.I.Y.W.O. (Do It Yourself With Others ou faça você mesmo com os outros).

Nos Estados Unidos, o movimento artesanal está avançado. Em 2015, por exemplo, 26% das cidades americanas já tinham espaços que incentivam o indivíduo a produzir os próprios produtos. Essa tendência também chegou à indústria de restaurantes, dando origem a lugares que incentivam serviço amigável, dispensas e refrigeradores abastecidos com itens de produtores locais e eventos que estimulam o consumo de alimentos caseiros, integrais e naturais.

A WGSN destaca três influências-chave que começaram a ganhar forma em 2010 e resultaram nesse movimento. A primeira é a chamada ‘batalha da produção em massa’. Ou seja, o público em geral tem se conscientizado das condições de trabalho e dos impactos ao meio-ambiente causados por empresas de moda e de varejo, a exemplo de algumas fast-fashion. Por isso, há compradores buscando reduzir o impacto ecológico e social de seu consumo.

A crise financeira global de 2008, por exemplo, estimulou empresas como o site Etsy, comércio eletrônico surgido no Brooklyn (em Nova Iorque) com foco nos itens feitos à mão, a ajudar artesãos em busca de trabalho alternativo a fim de transformar seus hobbies em negócios.

A nova geração também tem participação importante no resgate do artesanal. Como uma das centenas de exemplos, até 2010, a indústria de confecção de renda de Nottingham, cidade da Inglaterra, que chegou a empregar mais de 40 mil pessoas, foi reduzida a uma única fábrica. Com o interesse dos millennials pelo artesanato, promoveu-se o resgate de sua essência.

Daqui para frente, o movimento artesão deve ganhar força em áreas pouco prováveis como a da saúde. A WGSN prevê que, até 2019, o movimento artesanal poderá ser adotado para resolver problemas críticos em escala global. Um exemplo surpreendente vem da medicina, mais especificamente do cardiologista boliviano Dr. Franz Freudenthal, que desenvolveu o Nit-Occlud — um dispositivo médico feito à mão, capaz de reparar defeitos cardíacos em crianças, sem a necessidade de uma cirurgia invasiva. O dispositivo foi elaborado em colaboração com um tecido feito por uma comunidade indígena local, a Aymara.

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Respostas a este tópico

 BEM VINDO O ARTESANAL!1980 DIVULGUEI O PARADEIRO.

    E DESDE AI ESTA O  COMPROVANTE MISSANGUEIRA E NÃO FUXIQUEIRA!?

    FUXIQUEIRA NÃO PORQUE GANHOU SUA PRAÇA.

AGORA MISSANGAS BORDADAS COM TINTA; MENOS CUSTOS COM LINHAS E QUILOS DE MISSANGAS E BORDADEIRAS!

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