Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XIII

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Vichy: A história da estampa clássica que volta mais moderna que nunca

Toalha de piquenique, Brigitte Bardot, O Mágico de Oz... São muitos os símbolos associados ao xadrez quadriculado que vai e volta na história da moda. Saiba mais sobre a sua origem, suas qualidades e entenda seu lugar entre as tendências atuais.

Quem nunca se apaixonou por um vestido ou casaco vichy que atire a primeira pedra. A estampa xadrez com duas cores e efeito quadriculado volta e meia ressurge conquistando corações – e não vai ser diferente neste verão. Depois de o tie-dye praticamente dominar o último ano, a padronagem que remete a atividades de lazer ao ar livre e à diva Brigitte Bardot começa a pipocar por todos os cantos.

O estilo já vinha chamando a atenção dos mais ligados no que está rolando lá fora. Em 2020, as buscas por "estampa vichy" aumentaram 110% no Pinterest, plataforma muito usada por quem procura inspiração de looks. Porém, ao que tudo indica, essa taxa deve crescer nos próximos meses, já que a oferta de bolsas, vestidos, biquínis, saias e afins está cada vez maior. E o melhor: o vichy agora volta de um jeito que a gente nunca viu. Muito mais moderno e ousado.

A origem da estampa vichy

No início do século passado, esse estilo de xadrez era largamente produzido na cidade francesa de Vichy, por isso o nome. Muitos até acreditam que a padronagem quadradinha foi criada lá, mas a verdade é que se trata de uma adaptação inglesa para o guingão, um tecido simples de algodão tingido que, no século XVII, era importado para a Europa com listras coloridas.

"O mais legal é que era um tecido superbarato, não era estamparia, eram fibras coloridas entrelaçadas com fibras brancas. E acaba que o avesso é igual", conta a consultora de moda Thais Farage, fundadora da Farage Inc. Pelo valor acessível e a versatilidade da dupla face, ele era muito usado em uniformes e toalhas de piquenique. "Até por isso acho que, quando pensamos em vichy, logo pensamos em alguma coisa mais cottage", analisa.

Brigitte Bardot e outras musas do vichy

 

Uma das grandes responsáveis pela virada fashionista do vichy foi a musa francesa Brigitte Bardot. "Ela usava muito aquelas saias estilo New Look, da Dior, com essa estampa", relembra Thais. Brigitte não só era uma forte adepta do estilo, como inclusive se casou usando um vestido vichy rosa com branco assinado pelo estilista Jacques Estérel.

A padronagem também estava presente no figurino de alguns filmes estrelados por ela, como Quer dançar comigo? (1959), Vida privada (1962) e Deus criou a mulher (1956), associando ainda mais a imagem da atriz ao xadrez quadradinho. Como nos anos 1950 e 1960 a francesa era uma espécie de inspiração máxima para mulheres do mundo todo, o vichy rapidamente se tornou desejo absoluto e ganhou as vitrines.

No entanto, Brigitte Bardot não foi a primeira a aparecer de guingão xadrez na tela dos cinemas. Em 1939, Judy Garland foi imortalizada no papel da pequena Dorothy, no filme O Mágico de Oz, usando um vestido de vichy azul. Em seguida, foi a vez de Katharine Hepburn surgir deslumbrante com a padronagem, primeiro em Núpcias de escândalo (1940) e depois em A mulher do Dia (1942), iniciando a incorporação do vichy a looks elegantes. Tudo isso por ação do icônico figurinista Adrian.

Já em 1944, Lauren Bacall elevou a estampa ao status de um clássico de filmes de detetive noir ao usar um terno vichy em Uma aventura na Martinica, seguida por Ingrid Bergman que, em 1946, usou uma jaqueta vichy de corte masculino em Interlúdio, um dos filmes mais famosos de Alfred Hitchcock. Com um detalhe: mesmo com todo esse glamour e se tornando uma forte inspiração para muitos estilistas, o guingão xadrez nunca abandonou seu uso doméstico.

Figurinos icônicos com Vichy

Divulgação/Warner

Judy Garland como Dorothy em O Mágico de Oz

O segredo do sucesso do vichy

Desde então, o vichy nunca saiu completamente de cena. Como toda estampa que se torna clássica, ele vive alguns momentos especiais sob os holofotes, mas segue sempre sendo uma boa aposta. "De maneira geral, quem tem muita dificuldade de usar estampa acaba achando fácil usar listra e xadrez, que se tornaram atemporais", analisa a consultora de moda.

Para ela, outro qualidade do vichy é o fato de ser muito gráfico. "Você não cansa dele. Não é como uma estampa de flor grandona. E, quando é colorido, não é mega colorido, já que costuma ter apenas duas cores. É uma estampa muito fácil de usar, mais democrática, por isso fica indo e voltando na história", avalia Thais. "Talvez a gente pegue bode de tie-dye [que veio muito forte em 2020], mas de vichy não."

Por isso tudo, um dos grandes trunfos do vichy é que ele não causa um drama na hora de compor o look. "Ele é muito bom para fazer mix de estampas, seja com floral ou com outras padronagens", indica Thais. Ela vê que muitas clientes costumam pegar um tom da estampa para replicar nas outras peças. Se a estampa tem azul, branco e vermelho, por exemplo, o caminho mais fácil é complementar com itens em azul, branco, vermelho ou preto – e é nisso que a maioria aposta. "Acho que o vichy é a chance de tentar sair do lugar e testar outras coisas", sugere.

A dica da consultora de moda é, justamente, aproveitar a versatilidade da estampa para arriscar um pouco mais. "Se o vichy é azul marinho com branco, coloque uma camiseta vermelha que vai ficar lindo. Tente com rosa, com verde. Experimente qualquer cor que não seja nem preto, nem branco, nem esteja já presente na estampa."

O momento atual do vichy

Para a especialista, o vichy chegou quente neste verão por influência do hemisfério norte que já havia usado e abusado da estampa no meio do ano passado. "Não sei se por causa da quarentena, todo mundo preso em casa, voltou muito essa estética de campo, de coisas mais bucólicas, e o vichy faz parte desse universo, talvez por isso tenha vindo tão forte no verão deles e, agora, no nosso", comenta.

No entanto, apesar dessa ligação com a estética cottage, a roupagem atual do vichy é bem mais moderna. Ele tem vindo muito associado a mangas bufantes, por exemplo. "E não é um bufantinho de princesa, é um bufante statement, é tipo 'temos uma manga'. Uma coisa que vai quase para um desenho mesmo de arquitetura", analisa Thais. As cores, que normalmente são azul, preto e vermelho com branco, também foram atualizadas. "Estou vendo muito um vestido que é metade azul com branco e outra metade laranja com branco. Assim como tem rolado muito uns tons mais flúor."

Decote reto e cortes assimétricos são outras características bem modernas que também têm sido integradas ao vichy. Para ela, isso tem a ver com um caminho que a moda em geral vem seguindo, de misturar diversas tendências em uma única peça ou look. "Eu acredito que, cada vez mais, a gente vai ficar reinventando coisas que já existem. Vai ser muito mais o como fazer do que inventar uma calca de três pernas", conclui.

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Respostas a este tópico

Como estampamos isso na Colori!
Estampa simples mas, traiçoeira para estamparia a quadro manual.
Sobretudo no Vichy pequenino. Encaixes perfeitos e uniformidade nas batidas.
Foi-se esse tempo, hoje é digital.

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