Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XII

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Ali estava ele. Sereno...

Vira duas guerras e revoluções na Europa. Viera ao Brasil e vivia vida simples.

Quase noventa anos, ainda trabalhava como massagista.

Mãos assustadoramente fortes para a idade.   Memória de fazer inveja.

Enquanto fazia seu trabalho, dava conselhos.

 Como não ouvi-lo?

Perdera muito, ganhara uma vida de filme e uma impressionante coragem, que era percebida em seus gestos.

Ao abrir da porta, o visitante era surpreendido por dois olhos firmes, um leve e carinhoso sorriso e mãos fortes que não só o recebiam, mas praticamente o arrastavam para dentro.

Enquanto tratou de uma lesão que tive provocada por saltos de trampolim, ficamos amigos.

Que pena, eu era muito novo para “saber aprender” com aquela amizade.

Terminado o tratamento, poucas vezes nos falamos.

 

Fui cuidar de minha vida, meus estudos, e ele também se foi.

Só descobri quando o indiquei para um amigo, e recebi a notícia, tempos depois, que já não estava mais entre nós.

 

Acredito que foi ele que, de alguma forma, me disse, que as lições mais contundentes não nos são ensinadas pelos ganhadores – ainda que belas -, mas pelos perdedores!

 

Algumas pessoas, apesar das perdas, não parecem estar recomeçando, e sim continuando do ponto onde pararam. Não se vê lágrimas, apenas determinação para realizar projetos e alcançar metas.

 

Teria aprendido lendo Cervantes? “Quem perde seus bens perde muito; quem perde um amigo perde mais; mas quem perde a coragem perde tudo.”

 

Ou quem sabe com Churchill? “O sucesso é ir de fracasso em fracasso sem perder entusiasmo.”

 

Sua marca de vencedor: a assustadora serenidade!

 

Pessoa rara, mas que tive o privilégio de conhecer.

 

Sempre me perguntava de onde vinha aquele equilíbrio. Até que tempos depois me dei conta: da coragem!

 

Coragem não significa ausência total do medo, levando o soldado a enfrentar um batalhão sozinho. Isso seria tolice.

 

Na longa ou curta vida, a maior prova de coragem é suportar as derrotas sem perder o ânimo.

 

Gosto também do ensinamento de Edmund Burke, quando nos diz: “Os que têm muito a esperar e nada a perder serão sempre perigosos.”]

 

Faz eco com a frase de Lawrence da Arábia, que afirma que os homens que sonham acordados são perigosos, pois de olhos abertos os realizam, tornando-os possíveis!

 

Malcom X faz um alerta, pois o comportamento pode ser dirigido para o bem ou para o mal: “A mais perigosa criação no mundo, em qualquer sociedade, é um homem sem nada a perder.”

Um ditado romeno reforça a tese: “O lobo pode perder os dentes, porém sua natureza jamais.”

 

Bob Dylan se junta aos sábios e pessoas experientes: “Quando não se tem nada, não há nada a perder.”

Quem, como ele, tem uma história de luta, sabe como é fazer o caminho sem esperar.

 

Ah, Vandré: quem sabe faz a hora, não espera acontecer!

 

Nesta vida, será que nada é para sempre? Sempre?

 

Estaria certa Cecília Meireles? “Em toda a vida, nunca me esforcei por ganhar nem me espantei por perder. A noção ou o sentimento da transitoriedade de tudo é o fundamento mesmo da minha personalidade.”

 

Entre os fortes Luther King, acreditando que, com perseverança, é possível: “Devemos aceitar a decepção finita, mas nunca perder a esperança infinita.”

 

E seria nato o poder de realização ou podemos aprender?

 

Tom Jobim dá sua dica: ”Assim como o brasileiro foi educado para perder, o americano foi educado para ganhar".

 

Quando, firmemente, se crê que é possível ganhar, está plantada a semente da coragem para recomeçar. Ou, para os mais fortes, continuar de onde se parou!

 

Pela lembrança, ao amigo Antonio, onde quer que esteja!

 

Ivan Postigo

Diretor de Gestão Empresarial

Articulista, Escritor, Palestrante

Postigo Consultoria Comunicação e Gestão

Fones (11) 4496 9660 / (11) 99645 4652

Twitter: @ivanpostigo

Skype: ivan.postigo

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Comentário de Antonio Silverio Paculdino Ferre em 6 janeiro 2015 às 14:54

Sou um dos Antonios que lhe lê com atenção! Feliz 2015!

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