Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XIV

Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XIV

As baratas e uma fabrica morta (Repeteco)

AS BARATAS E UMA FABRICA MORTA

Ontem fui visitar outra fiação, seminova e defunta nas montanhas da Carolina do Norte. O local, salvo a vegetação lembrando-me  muito das Montanhas das Minas Gerais - e por algum motivo fiquei meio jururu... Uma mistura de destruição industrial, saudades de Diamantina, Ouro Preto, Tiradentes, e deu naquela de ponderar sobre a vida.

Confesso ando cansado da exaustão mental de meu trabalho: Basicamente avaliar massas falidas; ser “broker” de Maquinas, é um Medicina Legal mas técnica, uma autopsia de fabricas, que mais do que massas falidas já foram MEIOS de sobrevivência de famílias.

Uma fabrica nunca para e por lá fica: Ha um imenso sofrimento humano por trás disso, mortes inclusas. Por isso, meus amigos mais próximos o sabem, quando um técnico ou líder da indústria textil perde um emprego, fico desesperado ate "encaixa-lo" num local onde ele possa reflorescer ser útil e gerar prosperidade. Mas essa instancia de “colocação” esta cada vez mais dura de ser levada a cabo. No Brasil também a nossa indústria morre.

Voltemos a fábrica essa das Montanhas Azuis (Blue Mountain) na Carolina do Norte. O Jardim e grama da fabrica esta ainda relativamente em bom estado. Os corretores imobiliários aqui cuidam bem das carcaças das fabricas, sempre espera de transformar seus edifícios em Wall Marts, Sam's, Costco ou depósitos disso ou daquilo. Dai o defunto tem que estar bonito por fora.

Também a molecada daqui tem pouca vocação para jogar pedra em vidros e o americano rouba bem comedidamente, ao ponto de ver fabricas caindo pela ação das intempéries, mas com suas portas de vidro Blindex inteiras e suas vidraças, opacas pela poeira e com sujo acumulado - mais intactas.

Essa Fabrica visitada ontem era defunta nova, de seis meses. Ao abrir a porta fui recebido com o cheiro de morte de fabrica textil: Cheiro dos escritórios abertos, cheiro de manuais decaindo e se tornando obsoletos, cheiro de cheiro de banheiros limpos mais não usados. É um cheiro característico como uma Marca Registrada, uma impressao digital.

Depois invariavelmente ha um lobby e um hall de folhas e plantas mortas, salvo as de plásticos que em seus sarcasmos de imitação, parecem rir das verdadeiras plantas e flores mortas, secas e mumificadas por falta de agua.

No hall ainda ha sempre fotos, umas alegres, outras da fábrica em dias mais alegres, em dias de produção, em dias que era integrada com o humano e com a fábrica social.

Depois desses halls de tristeza, abre-se a porta e outro odor característico de Poeira, Fibra, Óleo, e Maquinas vem aos nossos narizes. Interessante, as fiações mortas têm um cheiro diferente das Tecelagens.

A tecelagem, morta tem mais odor de poeira, tecidos e óleo.

Já as fiações tem o cheiro quase idêntico, mas menos oleoso e com mais pó.

Mas não dissecarei mais a fundo esse tema de morte de fabricas.

Em realidade, quero fazer uma analogia delas com os crápulas, os venais, os malandros que manipulam a indústria e o povo que ela alimenta. Esses que alimentam o Caixa Dois, que usam da Indústria como mera alavancagem de seus projetos e agendas politicas; desses canalhas de empurram uma indústria ao abismo e lucra com seus empréstimos inflados. Esses que fazem da morte de suas indústrias um mero trampolim para jogadas bancarias ou imobiliárias...

Terminarei em breve esse tema, pois ela não me faz bem: Decidi entrar no escritório do Ex-Diretor dessa Fiação recém-morta nas montanhas da Carolina do Norte.

Abri a porta, acedi à luz e entrei: Via tres ou quatro vasos de terra seca e dura e plantas mumificadas. Senti o cheiro dos papeis, manuais e contratos que algum dia foi coisas de importância. Na mesa havia uma xícara de café, tipo aqueles “baldes de CHAFÉ” americano, que não deixa de ser um bom diurético. Dentro só havia o resíduo negro do café evaporado. Atrás da mesa havia uma fotografia enorme da fabrica em sua inauguração, cheia de figurões dos anos sessenta e funcionários sorridentes.

Parei, olhei e olhei, e olhei tanto que decidi tocar a foto que estava meio torta e ajusta-la ao nível do chão.

Pulei para trás assustado. Inúmeras baratas se espalharam parede afora a procura de outros locais de trevas e seguros.

Dei um passo atrás e vi a parede voltando a ser parede, à medida que sumiam os insetos.

Sai da sala amargurado. Fechei a porta cuidadosamente.

Mesmo ao descer a serra para Spartanburg, as imagens das baratas ainda estavam em minha cabeça, Sim estava com nojo. Mas não tanto dos insetos. Não tenho fobia por eles.

O que sentia era uma náusea diferente e matutei sobre ela ate quase chegar ao trabalho.

Era um nojo do predador humano. Daquele que mata, mente, esconde, rouba corrompe para ganhar um dinheiro extra, na base da contravenção, da maracutaias, dos acertos, das "articulações" sem ponderar que por traz de suas ações eles estão matando gente.

São essas baratas que me causaram o nojo, a ânsia de vomito que ainda tenho ao terminar esse texto.

Exibições: 605

Comentar

Você precisa ser um membro de Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XIV para adicionar comentários!

Entrar em Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XIV

Comentário de Claudio de Almeida Lima em 12 agosto 2013 às 17:01

Caminhando e cantando.....

Comentário de Sam de Mattos em 12 agosto 2013 às 15:58

 

Sim Claudio. A cibernética e a interseção na net tem sido o CÃO DE GUARDA das democracias. Não podemos esperar isso no Brasil, pois a mídia ai é Macrocéfala e afetada; uma só rede, comprometida financeiramente com o Estado e Partidos, é representativa de 70% de audiencia no Brasil... Mas nos, por meio da net, desse e-blog, da divulgação de informação, estamos ajudando a mudar o Brasil mais eficientemente do que nunca antes. Quanto aos Japoneses, são os mais éticos de nossos parceiros, eles atuam nos países onde negociam e dividem tecnologia e geram empregos. E no nosso caso, no Brasil, tivemos a benção dessa colonização em bons números, que tão beneficente foi ao Brasil. Sei que voce não se referia aos japoneses; mas fosse eu um Nissei, ficaria mordido. Mas como meus amigos Nisseis são bastante delicados para se expressar facilmente, eu o fiz. Seu texto é bom e em boa hora. E pé na bunda de não masoquistas, é ótimo e deveras producente.

Comentário de Claudio de Almeida Lima em 12 agosto 2013 às 13:24

SAM ! O termo asiáticos realmente é muito mais destinado aos chineses, com toda a certeza. É preciso focar e filtrar o que se pode aprender com tudo isso, afinal NADA é 100% ruim. Pontapé no traseiro tb joga pra frente, não é ?  O duro é estarmos dentro do barco e ser necessário arrastar as "âncoras", está na hora de cortar as cordas. Só assim o barco navegará. Não sei como, mas, alguma coisa é necessário ser feita. Senão... haja barata ! Não é, Sam ?

Comentário de Sam de Mattos em 12 agosto 2013 às 11:36

 

Jorge Trindade e Cláudio de Almeida: Devemos dar nome aos bois; por asiáticos queremos dizer CHINESES. Os JAPONESES tem sido uma cultura que trouxe - e ainda trás - muitos benefícios ao Brasil. E quando digo CHINESES, são os recém-imigrados, inassimiláveis e com a mentalidade de currar, incendiar e salgar a terra. Por incrível que parece vi isso em Castropol, na Galícia, uma Vila as margens do Rio Eo que separa a Galícia das Astúrias. Vi isso no trajeto de Astúrias a Santiago de Compostela. Quis compara bandeiras da Espanha para trazer a América, e só às encontrei num empório chinês... Quanto aos seus métodos de comercio e venda, tem na cabeça ainda a mentalidade de competir com 1.6 bilhões dos seus e uma vontade hercúlea de progredir, de enriquecer, de EDUCAR OS FILHOS. Sim, a muitas coisas que temos que fazer  para economicamente nos precaver desses chineses inescrupulosos e que fazem de tudo para ganhar dinheiro; mas, ao mesmo tempo ha coisas, ha ética de trabalho, que TEMOS QUE EMULAR DELES. Noto historicamente uma diferença de ética de trabalho entre povos colonizados e colonizadores. E agora em vista da China, agressiva, tenaz e inescrupulosa  nos negócios, temos que se adaptar rapidamente ou ficaremos subjugados economicamente. E também temos que cuidar de nossos políticos, que vendem a lama e o país ao diabo, uma vez que eles e seu cla estejam enriquecidos. Ai estão as chaves do problema / Solução.

Comentário de Claudio de Almeida Lima em 11 agosto 2013 às 13:45

Com o Trindade colocou, mais um depoimento de para onde vamos. Vida de gado, minha gente ! Os asiáticos parecem praga de gafanhotos.... Na Europa já aconteceu, aqui tb já vivemos isso. Mas, venhamos e convenhamos, o Partido Governista é expert em cuidar dos "descamisados".... Ehhh... Dá vontade de vomitar ! Opsss... Desculpem.. Foi forte e não me contive .

Comentário de Jorge Trindade em 11 agosto 2013 às 12:28
Caro Sam o seu post toucou-me intensamente. Também eu assisti, aqui em Portugal, ao encerramento de imensas fabricas têxteis. Só na minha cidade havia cerca de cem e agora existem apenas cinco ou seis embora três delas sejam dum grupo muito forte, talvez o segundo mais forte da Europa no sector lameiro. A nossa industria teve uma grande importância a partir de 1970 e foi muito próspera até aos anos de 90.Tudo o que se produzia era exportado para a Europa e alguma coisa para os USA. Mas com a "globalização" e a abertura dos mercados a situação mudou radicalmente, as primeiras fabricas a fechar foram as confecções, Portugal era à época o "alfaiate" da Europa, a seguir fecharam as fiacoes, as tinturarias, as tecelagens e as ultimações. Foi uma razia completa. É impossível concorre com os produtores asiáticos, além dos salários baixos que praticam eles não têm respeito algum pela vertente social. Numa primeira fase , os produtos têxteis asiáticos, chegavam à Europa através de intermediários, alguns dos quais grandes marcas, mas agora começam a aparecer comerciantes asiáticos junto ao consumidor final, só na minha cidade existem mais de seis armazéns chineses. Isto está a levar o problema para as pequenas lojas também elas a encerrarem todos os dias. Também, como você, eu sinto uma angustia muito grande quando vejo bons técnicos e operários especializados no desemprego. Actualmente o desemprego em Portugal ronda os 18% o que é uma barbaridade. Quanto às baratas aqui também as há e ratos, mas aqui são muito sofisticadas e estão na política e na banca. Foi até criado um banco, o BPN, que vendeu acções, a alguns políticos, por 1,€ e passado um ano lhas comprou por 2,4 €, um lucro de 140%, e até o nosso PR entrou nisto, entretanto o banco foi à falência e o estado teve de o comprar por milésimo de milhões de Euros,. Um verdadeiro escândalo. Sam obrigado pelo seu depoimento chocante mas muito elucidativo. Um abraço.
Comentário de Sam de Mattos em 9 agosto 2013 às 11:19

Obrigado Claudo e Angelo: Essa escrevi com lagrimas nos olhos, pouco usei o intelecto e foi so coracao. A minha revolta eh imensa. Estou engajado (aos 64 anos!) novamente, na descontrucao desse nosso Brasil LIXAO. Meu assunto nao eh siglas. Eh ETICA, HONRA e TRABALHO. O meu facebook consta com quase 2,500 "amigos", a maioria militante. Quem quizer juntar-se eh: Sam de Mattos Jr

Comentário de Claudio de Almeida Lima em 9 agosto 2013 às 9:14

Sam ! Nessa vc arrasou !!!! Passa um filme em nossa mente ! Retrato do nosso parque têxtil. A forma como vem sendo tratada nossa industria têxtil. Até a justiça divina chegar, tem que ser a divina, pois a nossa é levianamente falha, muitos postos de emprego se extinguiram. Vidas de famílias que eram construídas, cultivadas pelo dia a dia dessas fábricas, acabaram sendo destruídas também. Sou nascido no Rio de Janeiro, minha infância em Del Castilho, nos terrenos da Nova América, uma cidade,, descendente de uma família que foi da família Corcovado. Passa um filme da fábrica da Bangu, América Fabril, na cidade de Paracambi as fábricas que lá existem. Sem falar no parque têxtil desse Brasil afora, São Paulo, Minas, etc, etc, etc..Bem.. Muito saudosismo e lágrimas que me vêm aos olhos. O nojo também me chega, pois somos bombardeados pelo inconsequência desses que contribuíram para chegar onde chegamos. E eles que se dizem "nossos representantes"......Hoje sou, estou, pequeno empresário, estamparia têxtil localizada, o chamado silk screen, com direito a ABVTEX, "concorrendo" com o produto importado (vê se pode) e à mercê dos preços empurrados goela abaixo dos confeccionistas e, consequentemente, dos degraus inferiores, os prestadores de serviço, à mercê da nova CLT, que premia o mau funcionário, o mau caráter, alimentando a indústria da famigerada Justiça Trabalhista, isso sim, Sam, isso dá nojo. Ainda aparecem pessoas que "culpam" o empresário, o verdadeiro empreendedor. Está difícil mesmo .....

Comentário de Angelo Tadeu M Dollo em 8 agosto 2013 às 19:48
Parabéns, poucas vezes li algo muito lúcido e bem descrito dos canalhas. Não esqueça um dia a conta deles será cobrada e cpm certeza será cara.

© 2021   Criado por Textile Industry.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço