Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XII

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Commodities: Desta vez é diferente diz Paul Krugman

Muita gente tem me escrito insistindo que os tumultos políticos, no mundo árabe e em outros lugares, estão sendo causados por... Ben Bernanke. Que o afrouxamento quantitativo é responsável pelo aumento nos preços dos alimentos, que está levando a rebeliões, que... -  ok, o fato é que existem muitos elos quebrados nessa cadeia. Mas, com certeza, está na hora de examinarmos os preços dos alimentos e os das commodities mais amplamente.

Durante o último pico dos preços das commodities, há menos de três anos, muitas pessoas acusaram os especuladores. Nunca aceitei isso como a principal causa, principalmente porque muitas das pessoas que especularam pareciam confusas quanto à diferença entre comprar um contrato de futuros e realmente fazer estoques físicos; como uma análise bastante útil de Sanders e Irwin explica,

A compra por fundos baseados em índices não é mais "nova procura" tanto quanto a venda correspondente não é uma "nova oferta".

Na verdade, os altos preços nos contratos futuros podem oferecer um incentivo para fazer estoques físicos. Mas durante a alta de preços no período 2007-2008 houve poucas evidências disso.

E desta vez?

Acho esclarecedor examinar os dados de commodities do FMI e analisar o aumento porcentual dos preços em 2010:

2010surge.jpg

No alto da lista estão o algodão e minério de ferro. O que ocorre neste caso?

Em primeiro lugar, a China: Fica claro, a partir das notícias, que a demanda chinesa é que está impulsionando os mercados. Como eu e outros temos sublinhado, chegamos a um mundo bifurcado, com as economias avançadas ainda deprimidas, mas as economias emergentes registrando um boom inflacionário; os preços das commodities estão refletindo este "boom".

Mas a demanda chinesa não é só uma questão de fundamentos; todas as evidências sugerem que existe muito estoque de commodities ocorrendo. Os agricultores chineses aparentemente estão estocando quantidades enormes de algodão, enquanto a China vem fazendo estoques recordes de minério de ferro.

Assim, o argumento em favor de um componente especulativo é muito mais forte desta vez. Mas - e isto é importante - a especulação não está sendo impulsionada pela financialização, por todos esses investidores de fundos de índice comprando na crença de que os preços vão aumentar. Os estoques de algodão parecem estar sendo feitos mais por agricultores e fábricas chinesas, individualmente, não existindo nenhuma indicação que estão sendo influenciados pelo mercado de futuros. E o minério de ferro não está disponível para especulações nos mercados de futuros; os primeiros mercados de futuros nasceram há poucos dias apenas.

Pelo menos no caso de algumas commodities, o que estamos observando então é um boom real da demanda, que pode estar sendo reforçado pelos estoques especulativos, mas esta especulação assume formas antigas, mais do que estão envolvendo Wall Street.

Mas e quanto aos preços dos alimentos?

Não há muitas evidências de que as pessoas estejam estocando. Assim, é apenas um caso simples de oferta e demanda. A demanda pode estar aumentando até certo ponto por causa do boom nos mercados emergentes. Mas, se examinarmos os relatórios da FAO, fica claro que a chave no caso dos preços dos cereais é que a produção está em queda nos países avançados, principalmente devido ao clima terrível. E, sim, provavelmente a mudança climática teve um papel nisso.

E quanto a Ben Bernanke? Bem, na medida em que os mercados emergentes insistem numa taxa cambial fixa frente ao dólar, diante da clara desvalorização da moeda, isso contribui para o boom e, consequentemente, para a demanda. Mas não acho razoável exigir que o Fed pare de combater o desemprego nos Estados Unidos para impedir a manipulação da moeda chinesa que está levando os agricultores chineses a estocarem algodão.

Assim, a história dos preços das commodities é um tanto diferente do que ocorreu no último pico de alta. Como sempre, contudo, é crucial manter os olhos abertos - isto é, qualquer que seja sua lógica, é preciso que ela se traduza em ações que afetem a oferta e a demanda físicas de matéria-prima.

 

FONTE: O ESTADÃO

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