“Por ser o principal parceiro da indústria na formação de profissionais, o SENAI tem atuado na preparação de gestores, técnicos e estudantes para este novo cenário trazido pela IA. Nossas ações, que são pioneiras e de abrangência nacional, têm como objetivo incorporar os benefícios da IA e seu potencial de ampliar o alcance e a qualidade da formação profissional, atendendo as demandas da indústria”, destaca o diretor-geral do SENAI, Gustavo Leal.
Entusiasmo versus despreparo
Iniciativas como as do SENAI são relevantes em razão dos benefícios potenciais da IA e da velocidade de difusão das novas ferramentas que transformam os perfis profissionais demandados no mercado de trabalho. Dados levantados pelo fórum da OCDE mostram que 65% dos empresários afirmam que suas organizações utilizam regularmente inteligência artificial generativa em pelo menos uma função de negócios.
Pesquisas apontam ainda que a IA pode automatizar até 30% das horas de trabalho atuais até 2030, afetando funções que dependem fortemente de tarefas rotineiras, ao mesmo tempo em que cria demanda por novas habilidades e cargos que complementam as ferramentas de IA. Do lado dos trabalhadores, porém, ao mesmo tempo em que 60% dos profissionais se sentem entusiasmados, 62% se sentem despreparados e carecem das habilidades para usar a tecnologia de forma eficaz e segura.
Como as empresas estão usando a IA?
Na indústria, a inteligência artificial tem sido utilizada para automatizar processos rotineiros, aprimorar o controle de qualidade e apoiar a tomada de decisão. O monitoramento da produção em tempo real reduz a necessidade de inspeções manuais e melhora a eficiência dos processos.
Além do chão de fábrica, a tecnologia está amplamente difundida na área de recursos humanos das empresas para gestão da força de trabalho, do recrutamento às ações de desenvolvimento. Também há iniciativas mapeadas para melhorar a eficiência das vendas e interação com clientes.
E o meu emprego?
O estudo da Business at OECD traz duas importantes constatações sobre o impacto dessas mudanças no mercado de trabalho. A primeira é a mudança de funções/tarefas e a segunda é a criação de novos empregos.
Pelo lado da empresa, a IA pode aumentar a produtividade ao agilizar tarefas rotineiras e realocar recursos humanos para trabalhos mais estratégicos e de maior valor. Pelo lado do trabalhador, os benefícios são a redução da carga de tarefas manuais e repetitivas, que dão espaço para atividades mais criativas, impactantes e satisfatórias, contribuindo para uma maior satisfação no trabalho. Além disso, ao reduzir o trabalho manual, há menos erros e riscos ocupacionais associados a tarefas repetitivas, o que implica na segurança e na saúde do trabalhador.
Na classificação de talentos, é importante distinguir entre engenharia de IA e letramento em IA, o que significa criadores técnicos de inteligência artificial (aqueles que desenvolvem tecnologias de IA) e usuários de IA que aplicam essas ferramentas em seus respectivos campos. Essa distinção é crucial, pois a maioria dos trabalhadores interagirá com a IA como usuários, em vez de criadores.
As novas habilidades
Para essa maioria dos trabalhadores, que interage com a IA sem precisar de conhecimentos técnicos avançados, o letramento digital geral, o senso de negócios e a inteligência emocional são fundamentais.
A publicação do Business at OECD lista as competências que precisam ser desenvolvidas nos profissionais e destaca que, independentemente do nível, será exigido dos profissionais mais do que habilidades técnicas—a IA demanda expertise interdisciplinar, habilidades interpessoais como criatividade e empatia, e um compromisso com práticas responsáveis de IA. Isso sugere que, embora o conhecimento técnico seja essencial, as habilidades interpessoais e estratégicas continuam sendo igualmente importantes.
Os casos analisados pelo fórum empresarial mostram que as empresas estão adotando abordagens variadas, com cursos on-line, workshops e programas internos e externos de certificação para funcionários, estudantes, candidatos a emprego e profissionais de setores específicos. Os treinamentos abordam desde o uso ético da inteligência artificial até aplicações especializadas de setores específicos, frequentemente apoiados por colaborações com instituições educacionais e órgãos governamentais.
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