Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XII

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Cotação do Real e do Yuan Deixa Negativa a Tarifa Média de Proteção Comercial

Claudio Belli/Valor/Claudio Belli/Valor

Vera Thorstensen: questão cambial não afeta apenas o comércio, mas também todos os instrumentos de regulação da OMC

A combinação entre a valorização da moeda brasileira em relação ao dólar e a desvalorização do yuan chinês em relação à moeda americana faz as tarifas médias de proteção aplicadas pelo Brasil nas importações ficarem negativas. A conclusão é de um estudo apresentado ontem no painel sobre a política externa brasileira no 8º Fórum de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Segundo o levantamento, as tarifas médias de proteção aplicadas no Brasil variam de zero a 35%. Levando em conta um real valorizado em 30% em relação ao dólar e a moeda chinesa desvalorizada em 30% em relação à moeda americana, as tarifas médias aplicadas pelo Brasil nas importações são praticamente neutralizadas. Com a combinação das cotações cambiais das duas moedas, diz o estudo, as tarifas médias aplicadas pelo Brasil ficam com variação efetiva entre -32% e -50%.

Para Vera Thorstensen, professora da FGV e uma das autoras do estudo, feito em conjunto com Emerson Marçal e Lucas Ferraz, também professores da FGV, isso mostra o quanto a questão cambial não afeta apenas o comércio, mas também todos os instrumentos de regulação da Organização Mundial do Comércio (OMC), como medidas antidumping, regras de origem e salvaguardas. Com o efeito cambial, o Brasil, na verdade, diz, está oferecendo acesso a seus mercados de forma muito mais aberta do que negociou na OMC. Já para a China, diz Vera, a desvalorização do yuan representa um subsídio do país asiático às suas exportações. E, em relação às tarifas médias aplicadas de importação da China, que variam de 0% a 33%, a desvalorização do yuan em 30% tem efeito diverso ao brasileiro: as tarifas aumentam e passam a variar de 30% a 70%.

Para ela, o Brasil deve manter a iniciativa de discutir o câmbio no âmbito da OMC. Ela lembra que o Brasil conta com um precedente técnico favorável para isso: uma decisão no âmbito do Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT), de 1980. vinculada à base jurídica da OMC e que estabelece que, caso haja desalinhamento cambial acima de 20%, podem ser aplicados mecanismos de compensação para as tarifas. Segundo ela, na época a decisão do GATT estabeleceu o cálculo do desalinhamento ao Fundo Monetário Internacional (FMI) com uma taxa de câmbio ponderada relativa a um período de seis meses e levando em conta uma cesta de moedas relativas a 80% das importações do país.

A aplicação do mecanismo estabelecido no precedente, diz ela, deve ser discutido na OMC. "Isso precisa ser negociado e o Brasil precisa buscar apoio dos parceiros que também estão sofrendo os efeitos do câmbio no comércio."

Para especialistas, porém, a atuação externa do governo brasileiro não de se restringir à questão cambial. Para alguns, a liderança brasileira na América do Sul também deve ser uma prioridade estratégica do país, embora não haja consenso sobre a avaliação de como essa política tem sido conduzida nos últimos anos.

Matias Spektor, coordenador de relações internacionais da FGV, acredita que, com o crescimento e a estabilidade econômica alcançados na última década, o Brasil tem um papel - e um desafio - maior na liderança da América do Sul. Ele chamou a atenção para as escolhas que a diplomacia brasileira deve fazer para consolidar a estabilidade e integração na região. "Se algum país quebra, quem vai sentir mais vão ser as empresas brasileiras e não os Estados Unidos ou os bancos espanhóis."

Spektor avalia que os acordos multilaterais e o fortalecimento de instâncias regionais como a União das Nações Sul Americanas (Unasul), que integra as alfândegas de dez países no continente, permitem ao Brasil aumentar sua participação e cooperação com os vizinhos, expandindo os negócios.

O consultor e ex-embaixador Rubens Barbosa concorda que a criação da Unasul é um dos resultados da tentativa do Brasil de ser um líder na América do Sul. Ele acredita, porém, que a iniciativa teve pouco impacto na prática. Para Barbosa, a política externa do Brasil nos oito anos do governo Lula em relação à América do Sul ficou sem agenda, baseada na "bilateralização" das relações e não numa liderança ampla e regional.

Barbosa acredita que a relação com países como Bolívia, Venezuela e Argentina foi excessiva em concessões que não interessavam ao Brasil. Do ponto de vista comercial, também não houve resultado. "O Mercosul não andou. O que era um tratado de liberalização comercial se transformou num acordo social e político."

Ele criticou ainda as relações com o principal sócio do Mercosul, a Argentina. O país, lembra, adotou várias medidas protecionistas que acabaram sendo aceitas, mesmo prejudicando setores produtivos brasileiros.

Fonte:|http://www.valor.com.br/brasil/1022582/cotacao-do-real-e-do-yuan-de...

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Comentário de Sam de Mattos em 29 setembro 2011 às 12:56

DO PROTECIONISMO, RIO NEGRO A LENCOIS PETROLIFEROS

Li rapidamente o artigo da Dra. Vera,  no qual ela da um caráter quantitativo aos fatos que nos sentimos qualitativamente em nosso cotidiano. E fantástico, embasado em fatos, e o lerei mais, com uma lupa, para me educar, “sardonismo” aparte. Quanto ao "ajuste" as sobretaxas a alguns produtos Chineses, apesar de ser internacionalmente “feio”, temos que aplica-las por PRAGMATISMO, de modo análogo a MANIPULACAO ARTIFICIAL do Yan para fomentar o crescimento da china; eu creio que poderemos usar esse protecionismo de modo dosado, na “moita”, mineirinho e comendo pelas beiradas, com certo conforto, sem eles chiarem,  devido ao tipo de nossas exportações a aquele pais: Exportamos comanditeis vitais, indispensáveis a eles. Importamos alguns bens duráveis de importância (que é péssimo para a indústria local incipiente e ainda se ajustando ao mercado) e muita coisa dispensável e não vital ao Brasil. Esse ponto a Doutora Vera, sendo prudente, não poderá falar essa heresia de comercio internacional em seu artigo, mais eu posso: Penso mais ou menos como soldado. "Quem aguentar mais, chora menos". Ha muitos meses atrás, disse que a Arábia Saudita não pode sobreviver com todo o seu petróleo, comendo hamburguesas de Alcatrão e Areia em pão de pelo de Camelo... O Chinês também, com sua 1,300,000,000 de bocas, não devera sobreviver com muito conforto comendo grama, bambu e sopa de papelão - além de pentes, bonecas de plástico, carrinhos, pilhas vagabundas e etc... A chave nossa esta no que PRODUZIMOS.

Entrando em outro viés no tema de nossas comodidades, a AGUA é vital para a vida. E novamente digo - e o faço ha 50 anos: Devemos extrair da parte do Rio Negro que chega mais perto do Brasil Central, agua: Com 1% do fluxo desse rio poderemos inundar o Brasil Central. Temos que fazer um canal e criar  um lago tão grande que seria quase um mar interno, tipo lago Erie, e os Grandes Lagos dos Norte do EUA e Canada. Mas somos tapados, sem visão e ousadia: Não enxergamos que a AGUA é uma comodidade que devemos usa-la de todos os modos possíveis.

Saindo também desse viés aquático, vamos ao do petróleo: Ha uns 55 anos atrás, ainda criança, li um livro, creio de Gondim da Fonseca, intitulado O PETROLEO E NOSSO. Quando comecei a falar nisso os adultos riam de mim. Pior do que isso. A maioria nem me ouvia. Era o Evangelho do Dia que o Brasil não tinha Petróleo. De calcas curtas abria o  Atlas e sempre apontava: Olha aqui Argentina no Sul! La há Petróleo! Veja a Nigéria para o Leste: La há muito Petroleiro. Veja o Peru e Equador para Oeste. Há na Venezuela no norte... Porque diabos não haverá petróleo aqui... Mas o Pude era pago para guardar as nossas reservas petrolíferas para serem usados pelos EUA a posteriori, crendo eles que nos que usaríamos botoques FISICOS nos lábios e ouvidos ate 2011! Todos “Sifu”... Aqui há Petróleo, há mais ainda em terra! Não sabem? O Eike Batista bem como EXXON, SHELL, BT eu outros, já tem toda a área Mapeada. Sim, o problema e que nessa Indústria há os maiores desvios de verbas talvez do planeta. Alocações de postos de lençóis de Petróleo, com a facilidade do  “chiquito” da mãe Joana, são dadas a indústria privadas e o negócio gera mais do que um milhão de mensalões, mais ai e um outro viés, dentro desse viés.

Ai a D. Dilma tem o seu maior desafio. Um desafio que o “Zé Povinho” nem imagina existir. Precisou de nos eleger uma femea honesta, filha de imigrante, de nome Búlgaro, que afortunadamente é uma Brasileira correta, sem os atavismos locais de corrupção entranhados a 500 anos, e tentando combater o mal pela raiz – e sofrendo pressões inimagináveis.

Mas ai e outra estória, a qual os tacanhos me chamarão de PETISTA, que não sou (Não voto em legendas - Voto no homem) e de outras coisas a mais, e graças a Deus eles o fazem: Com PLENA LIBERDADE DE EXPRESSAO. “And so be it”: Amem.

 

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