Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XIII

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Entre caos e descrédito, Mantega foi voto vencido ao desejar mais austeridade

Entre caos e descrédito, Mantega foi voto vencido ao desejar mais austeridade



Anúncio de contingenciamento e meta de superávit foi bem recebido pelo mercado apesar de, improvavelmente, o ministro querer mais; mesmo com meta menor, desafios são grandes

SÃO PAULO - O anúncio do contingenciamento de gastos pelo governo no valor de R$ 44 bilhões e a meta de superávit primário em 1,9% do PIB (Produto Interno Bruto) foi bem recebida pelo mercado. Na véspera, após o anúncio, a bolsa brasileira se animou e as agências de classificação de risco viram um movimento positivo em busca de maior austeridade fiscal, uma vez que o descontrole fiscal era visto como um dos fatores em potencial para o rebaixamento do rating soberano do País.

A visão do mercado é de que as escolhas do governo sobre o contingenciamento e o superávit foram "ótimas". Conforme aponta o sócio da consultoria Pezco Microanalysis, João Ricardo Costa Filho, valores abaixo de 1,9% seriam considerados como ratificação de uma política expansionista, enquanto valores acima disso não seriam críveis.

E, avalia, se o governo realmente não vier a recorrer às receitas extraordinárias ou contabilidade criativa para atingir as suas metas, esta parece ser uma boa diretriz para a política fiscal. 

Enquanto isso, o Barclays avalia ainda que, com estes números são uma tentativa de sinalizar que a política fiscal foi deslocada para "um terreno mais neutro", depois da meta do superávit não ser atingida nos últimos três anos. Este número mais baixo deve tranquilizar mais o Banco Central para reduzir o ritmo de alta da taxa básica de juros. 

Desafios não são pequenos...

Apesar do anúncio positivo, os desafios que ele propõe ao governo não são nada triviais, apontam economistas. Costa Filho, da Pezco, ressaltou que por ora o mercado parece confortável. Porém, em um ano eleição, ainda mais com tantos cenários possíveis para a política econômica em 2015, a tranquilidade que veio após o anúncio dure pouco, isso sem contar as surpresas que podem vir do cenário externo.

E um dos temores, pelo menos para a maior parte da população, podem virar realidade em breve, como já admitido pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. Ele não descartou que um aumento de impostos posso ocorrer em 2014, apesar de ressaltar que não está previsto uma alta da carga tributária. Para entregar melhores números, a alta de impostos seria uma das fontes mais "fáceis" de recursos, mas esbarra no já esgotamento da população brasileira frente ao forte peso da carga tributária no País, um dos catalisadores para as manifestações populares de junho do ano passado.

Como ressalta o Barclays, os desafios no cumprimento da meta são grandes e, portanto, mantêm a previsão de uma relação do superávit primário como proporção do PIB em 1,3% no ano. Uma fonte de risco é de que, com as receitas fiscais sobreestimadas, o governo precise recorrer a receitas pontuais maiores, como fez no ano passado.  

Em meio a esse cenário, as dúvidas continuam. Conforme apontou o economista da Nomura, Tony Volpon ao Wall Street Journal, "o governo entregou os números que o mercado queria, mas a questão agora é saber se ele irá corresponder".

... e Mantega queria ainda mais 

Porém, conforme destacou matéria da Folha de S. Paulo desta sexta-feira, o ministro da fazenda foi "voto vencido" para definir o superávit primário de 2014. Mantega, em um ato que parecia ser bastante improvável, defendia uma meta do superávit mais ambiciosa, acima de 2% do PIB.

Contudo, a visão de uma meta menor e mais "executável" acabou vencendo. Por outro lado,  dentro do governo, também havia aqueles que defendiam uma meta ainda menor, como o Ministério do Planejamento, destacou o jornal. Por mim, prevaleceu o "caminho do meio", como o mercado já esperava.

E, apesar do voto vencido, Mantega considera que um superávit de 1,9% em ano de eleição é uma sinalização de austeridade e é uma contribuição ao Banco Central na luta contra a inflação, uma das "obsessões" de Dilma no caminho à reeleição. 

E, vale ressaltar que, mesmo com o caminho intermediário, a trilha rumo ao superávit perdido deve ser pedregosa. Além do cenário difícil fiscal, as eleições se aproximando, as receitas extras relacionadas aos maiores gastos do governo com energia devem pesar sobre as intenções do governo de atingir a meta. Porém, o primeiro passo foi feito. Agora é esperar para ver. 

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