Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XII

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REYNALDO ROCHA

O Brasil parece ter a síndrome da bunda de plantão. Não desgruda da cadeira. Essa síndrome acomete todos os que esperam que um dia, sem esforço, seus desejos e necessidades sejam atendidos.

Estamos todos revoltados com o que vemos. Mas é como se observássemos, indignados, ao estupro que está acontecendo à nossa frente. E nada fazemos para impedir que se consume.

A oposição espera que o poder lhe caia no colo. E com isso espera que as ruas se mobilizem e façam o que também cabe à oposição. E ela não faz.

As ruas esperam que a mídia e as oposições sejam a voz delas. E por isso se esvaziam. Esperam sentadas a repercussão do que dizem nas redes sociais. Pregam a revolução sem saber o que colocar no lugar do velho em nome do novo.

Ou seja, a maioria dos “revoltados” está em frente a um teclado. E de lá não sai. E se dá por satisfeita. No passado era comum associar este tipo de “resistência” ao que ficou conhecido como “esquerda festiva”.

Seus integrantes se reuniam em bares do Leblon para pregar a revolução e a queda da ditadura até as duas da manhã. Depois, era hora de dormir.

No dia seguinte estavam trabalhando cordatamente para manter quem os oprimia. E, nas passeatas, estavam cansados da “luta” travada com os chopes e caipirinhas… Ou nem apareciam.

A IMPRENSA – a que merece este nome – não pode ir além do que vai. Sabemos o que cada um dos veículos de informação é e como se comporta. Além da informação, os espaços de opinião (graças à WEB) são cada vez mais importantes. São decisivos na formação de cenários e discussão de alternativas. Mas não substituem o povo nas ruas nem a oposição formal. Isso seria a negação da democracia e da cidadania.

Forma-se o círculo vicioso. As oposições esperam o povo, que transfere suas expectativas para a imprensa, que repercute a realidade. Como quebrar esta cadeia de resultado zero? Esta é a questão. Se as oposições estão se acostumando a perder para elas mesmas, o Brasil decente (mas preguiçoso) tende a imitar o modelo.

Cansaço? Suspeita de que não vale a pena exigir direitos? Descrença na mudança? Se for assim, que não venha o impeachment. Como diz um amigo meu, o povo parece merecer a Dilma que tem…

Uma manifestação não é somente um número a ser auditado pelo Datafolha ou pela Polícia Militar. É a expressão de que há um povo!

Voltamos a discutir a saída para a crise que nos mata lentamente – como a esquerda festiva nos ensinou – nos bares e encontros de amigos?

Tenho certeza quem nem 1% dos “manifestantes das redes sociais” estiveram nas ruas exigindo o impeachment de Dilma na última manifestação.

A imprensa somente retratou o que era verdade. E, se for esta a verdade, de que vale perder meu tempo nos teclados e nas ruas?

As oposições tiveram mais uma desculpa para nada fazer: as ruas estavam vazias.

A primeira ação para correção de um erro é admitir o erro. Como Dilma nos prova – pelo oposto – todos os dias. Não podemos ser mais do mesmo. Erramos. Estamos errando. E o resultado é desastroso: ter Dilma até 2018. Um país destruído. Um futuro roubado. A sensação que perdemos a possibilidade histórica de alterar algo neste país.

Não sou herói nem louco de pedra. Mas já saí de um hospital para ir a uma manifestação com o compromisso de voltar em duas horas (que viraram quatro…) O argumento que usei foi verdadeiro: de que adianta estar vivo se é para viver num país que me mata aos poucos?

A oposição tem uma imensa parcela de responsabilidade. Da imprensa é cobrado o que ela não pode – nem deve – dar. As ruas é que decidirão este jogo, mesmo que nos pênaltis. E as ruas somos NÓS.

Precisamos de jogadores, não de plateia. Queremos zagueiros e atacantes, não espectadores.Ou não vale a pena entrar em campo.

PS: De nada adianta concordar com estas ideias se na próxima manifestação a maioria esmagadora preferir acompanhá-la pela televisão. E torcendo para que tenha força. Para que esta força se manifeste, talvez falte alguém…

http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/opiniao-2/reynaldo-roch...

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