Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XII

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Único “pacto contra a corrupção” possível é tirar o PT do poder

Alguém realmente espera algo decente no combate à corrupção dessa turma?

Quando a porca torce o rabo, os bandidos precisam de alguma cortina de fumaça. E a nova onda do PT, encampada pela própria presidente Dilma, é falar em um “pacto contra a corrupção”. Uma piada de mau gosto, vinda do partido que vem, das pessoas que comandaram esse sistema de corrupção desde o começo. Uso o termo sistema aderindo ao que o jornalista Guilherme Fiuza tem dito, para diferenciar o que estamos vendo de um “simples” caso a mais de corrupção.

Em sua coluna de hoje, aliás, Fiuza mostra como os mesmos envolvidos nesse sistema continuam gozando da estima e do poder no PT, e que é ridículo esperar que essa gente mesmo faça algo de concreto para combater a roubalheira. Se o gigante abrisse apenas um olho o PT seria enxotado de Brasília. Diz Fiuza:

Seguindo o dinheiro (farto) do doleiro, a polícia chegou a uma quadrilha instalada na diretoria da Petrobras sob o governo popular. Tinha o Paulinho do Lula, tinha o Duque do Dirceu, tinha o tesoureiro da Dilma, tinha bilhões e bilhões de reais irrigando a base de apoio do império petista. Um ou outro brasileiro mal-humorado se lembrou do mensalão e resmungou: mais um caso de corrupção no governo do PT. Acusação totalmente equivocada.

O mensalão e o petrolão não são casos de corrupção. Pertencem a um sistema de corrupção, montado sob a bandeira da justiça social e da bondade. Vamos repetir para os que seguiram o dinheiro e se perderam no caminho: trata-se de um sistema de corrupção. E as investigações já mostraram que esse sistema esteve ligado diretamente ao Palácio do Planalto nos últimos dez anos. Um deputado de oposição disse que o maior medo do PT não era perder a eleição presidencial, mas que depois Dilma fizesse a delação premiada.

Em seguida, Fiuza pergunta ao leitor quem são as pessoas nesse governo ou nesse partido capazes de liderar uma guinada virtuosa: Lula? Dilma? Vaccari? Mercadante? Pimentel? Cardozo? Carvalho? Dirceu? Delúbio? Alguém em sã consciência pode esperar algo positivo de um “pacto contra a corrupção” proposto pelo PT? Isso mais parece um “pacto de não-agressão”, justamente para preservar o sistema de corrupção.

Sem usar a palavra, Fiuza deixa claro que o impeachment parece a única solução. Lembra do caso de Collor para concluir seu artigo com o protesto bem-humorado do falecido Bussunda, que usou um tomara-que-caia diante do Palácio do Planalto. E afirma que, em um sistema parlamentarista, o caso da Petrobras já teria derrubado o governo.

O PT tem tentado, para se proteger de tanta podridão, atacar a oposição. Fala em “terceiro turno” para dar ares golpistas a essa demanda legítima por investigações e punições eventuais em casos comprovados de desvios e ilegalidade. O partido não aceita o papel da oposição em uma democracia. Aliás, não aceita bem a própria democracia.

Aécio Neves, em artigo publicado no GLOBO, reforça que cumpriu o rito civilizado e democrático de ligar para a vencedora do pleito, enquanto Dilma ignorou o que é de praxe e preferiu não mencionar seu opositor no discurso de vitória. Alguém que, não custa lembrar, recebeu 51 milhões de votos! Diz Aécio:

Sair do palanque implica reconhecer que há papéis distintos na democracia, e um destes papéis cabe à oposição exercer, fiscalizando o poder, denunciando erros e abusos, inquirindo as autoridades, apresentando alternativas.

Na lógica do PT, só têm o direito de ocupar as ruas os movimentos que defendem o partido. Para tentar tirar a legitimidade de milhões de brasileiros, de forma desrespeitosa, tentam associar todos os opositores a defensores de ditaduras. É importante que o partido aprenda a conviver com esse novo protagonista da cena política — o cidadão que democraticamente protesta e não se cala. Pois, ao lado dele, a oposição também não vai se calar.

A vitória deu ao PT a oportunidade de corrigir erros que não foram poucos, mas não lhe garantirá salvo-conduto para continuar atentando contra a ética e a inteligência dos brasileiros.

O PT se julga detentor de tal salvo-conduto, mas não o possui. Parte do Brasil acordou. O gigante como um todo ainda dorme, é verdade, ainda se mostra passivo diante desse sistema de corrupção. Muitos vão até mesmo cair nessa ladainha de “pacto contra a corrupção” proposto pela presidente, a favorecida pelo esquema da Petrobras que irrigou o caixa do partido, segundo denúncia dos envolvidos.

Mas outra parte vai continuar lutando pela justiça, democracia e liberdade, e contra a impunidade, portanto. Espera-se que a oposição realmente faça o mesmo, sem “pacto” algum de companheiros. O único pacto que aceitamos é que se cumpra a lei, que se punam os corruptos. A forma de combater a corrupção é tirar o PT do poder. Não com um golpe, mas sim usando os instrumentos legítimos e legais da própria democracia.

Rodrigo Constantino

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