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Com o preço do algodão no maior patamar da história, o diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), Fernando Pimentel, teve a árdua tarefa, semana passada, de falar sobre o mercado para mais de 200 empresários da região. Deixou claro que o problema não deve acabar tão cedo e que o preço do produto final vai aumentar. Para amenizar, espera que o governo contribua, diminuindo os custos do produtor. Em entrevista à coluna, Pimentel dá dicas aos empresários e fala sobre as negociações na Texfair.
Quais os setores mais atingidos com a alta do algodão?
Fernando Pimentel – Fiações e tecelagem, que consomem majoritariamente essa matéria prima. Existe a tendência de substituir parte do algodão por outras fibras, mas na esteira do aumento do algodão, o poliéster e outras fibras também já estão subindo.
Como não repassar esse custo ao preço final?
Pimentel – É impossível não repassar. A era de preços de roupa em queda, pelo menos nos próximos dois, três anos, não existirá. O mundo se acostumou com roupas cada vez mais baratas. Sofremos mais, porque temos os juros mais altos, carga tributária e custo do emprego muito superiores aos dos nossos concorrentes.
A Abit vai lançar a nova frente parlamentar no Congresso em março. Quais as prioridades?
Pimentel – Desoneração da folha, desoneração total dos investimentos e desoneração total das exportações. No aspecto de concorrência internacional, esses são temas emergenciais. O governo tem que começar já. Ontem.
O que o empresário deve fazer para combater a alta do algodão?
Pimentel – Segurar o máximo possível o caixa, preservar a liquidez, negociar com fornecedores e acompanhar com 20 lentes o mercado da principal matéria prima. Fora, é óbvio, a alteração de mix de produto, com produtos com maior componentes de fibras sintéticas que possam minimizar o impacto.
O problema do algodão pode atrapalhar as negociações na Texfair?
Pimentel – Os primeiros eventos que tivemos no ano foram bem sucedidos. Teremos uma grande queda de braço. As empresas não podem deixar de repassar o custo e o varejo vai ter que entender isso. Os preços no mundo também subiram, ou seja, não é um problema só com fornecedores locais.
Com tudo isso, diminuem os investimentos na indústria? Até quando?
Pimentel – Ano passado foi recorde (US$ 2 bilhões). Vamos ver como vai ficar esse ano. O governo já anunciou que não vai interromper o Programa de Sustentação do Investimento (PSI), o que já é uma boa notícia. Teremos pelo menos mais dois anos/safra para que esse mercado encontre o novo ponto de equilíbrio, mas nós temos algodão. O Brasil é um grande produtor e temos que fazer com que esse algodão não vá para o Exterior. Isso eu vejo como favorável.
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