Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XVI
No IT Forum Praia do Forte, Bolles, especialista em IA, debateu morte da gestão da mudança e estratégias de adaptação para empresas.
“A inteligência artificial geral (AGI) é um deus morto”. Isso é o que defende Gary Bolles, autor e especialista em inteligência artificial (IA) da Singularity University, que participou na manhã desta sexta-feira (22) do IT Forum Praia do Forte. Para ele, a ideia de que surgirá um único software capaz de replicar toda a complexidade cognitiva humana em uma aplicação é ilusória – ou um golpe de marketing, em última instância.
“Pensar que vamos magicamente criar esse software que pode fazer tudo o que um humano faz em um único aplicativo simplesmente não faz sentido”, disse. O que realmente deve emergir, segundo ele, é um ecossistema federado de sistemas especializados, cada um desenhado para resolver problemas específicos, mas que, em conjunto, podem oferecer uma capacidade próxima daquilo que entendemos como AGI.
Bolles deixa também um alerta para os líderes de TI: essa federação de tecnologias exigirá não apenas infraestrutura robusta, mas também novos níveis de governança e integração. Até que sistemas de IA capazes de coordenar todo o conjunto de capacidades de outros sistemas integrados de IA surgem, a responsabilidade das lideranças de TI será dupla. Primeiro, experimentar essas ferramentas de forma estratégica, mas, ao mesmo tempo, zelar pela segurança, pelos dados e pelas pessoas.
“Se eu coloco um conjunto de processos de negócio dentro de um software, o que sai do outro lado? Qual foi meu preparo em gestão de riscos para a organização?”, questionou.
A tecnologia avança como o movimento das ondas: incessante e sucessivo. Para acompanhar esse ritmo, organizações modernas precisam criar um novo “sistema operacional” capaz de lidar com transformações contínuas, ou ficarão à deriva diante da velocidade da inovação, também provocou Bolles
Esse compasso de mudança acompanha a tecnologia desde a década de 1980, com o surgimento do IBM PC e, nos anos 1990, com a expansão da Internet. A explosão das ferramentas de inteligência artificial generativa impõe, porém, um novo ciclo de dilemas. Assim como, no passado, lembra, CIOs hesitavam em conectar seus sistemas à rede mundial, hoje, eles questionam como empregar a tecnologia em suas companhias de forma segura e que gere impacto real nos negócios.
Nesse cenário, o sucesso futuro das empresas depende do desenvolvimento contínuo de três elementos – o mindset (mentalidade), o skillset (habilidades) e o toolset (ferramentas). Juntos, eles orientam companhias a encarar a transformação como condição permanente da TI. “O que precisamos não é de mudança, mas de transformação contínua. O ‘change management’ acabou”, afirmou.
A mentalidade, diz ele, funciona como a base para enfrentar a velocidade e a escala da mudança, enquanto as habilidades atuam como “âncora” para a ação. “Se você tem todas as competências de um explorador, mas não tem a mentalidade de atravessar a floresta, não vai sair do lugar”, resumiu. Soma-se a isso o conjunto de ferramentas, que inclui tanto tecnologias emergentes, como IA e computação em nuvem, quanto metodologias e técnicas de inovação, do design thinking ao ágil.
Bolles defende ainda que líderes de TI assumam um papel mais abrangente nas organizações. Mais do que garantir infraestrutura, precisam se tornar agentes de inovação. “Se construirmos o sistema operacional da transformação contínua, poderemos garantir que não apenas alguns avancem, mas que todos tenham condições de acompanhar”, anotou,
Em relação à IA, ele se mostra entusiasmado com o potencial da tecnologia, mas alerta para os riscos, como os vieses dos algoritmos. “Não são alucinações das máquinas, mas reflexo das nossas falhas”, observou.
Nesse ponto, reforça que o papel dos profissionais de tecnologia será o de “guardiões” do uso responsável desses sistemas. Se bem conduzida por especialistas e CIOs, a adoção da IA pode gerar abundância, novas habilidades e oportunidades para todos. Mas, se mal desenhada, pode repetir erros recentes das redes sociais, que ampliaram polarizações e desigualdades.
A hora de agir é agora, enfatiza, já que, retomando a alusão ao ritmo constante de transformação da tecnologia em ondas, o processo de mudança não cessará. “Este é o dia mais lento do resto de nossas vidas”, lembrou.
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