Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XIV

Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XIV

Recomendamos Ler Comentários - Pacote econômico, Férias Coletivas e o Consumidor - Carlos A. Döhler

Aplausos e elogios acalorados de um lado, críticas e chiadeiras incisivas de outro. Ambos unilaterais e um tanto exagerados. O maior mérito do pacote econômico Brasil Maior, apresentado pelo governo federal, não foi o de ter beneficiado este ou aquele setor, mas o de finalmente abrir espaço nos palácios de Brasília para debater a desoneração da indústria nacional. O pacote sinalizou a disposição do governo de mexer em temas adiados há anos. Isso, sim, foi um grande avanço.

A alta carga tributária brasileira associada a uma política que favorece a importação vem abalando as estruturas da indústria. Enquanto a produção brasileira vai se acumulando nos estoques, os produtos chineses entram, diariamente, sem pagar impostos e, o que é pior, trazendo nas embalagens um "selo" de desqualificação, falta de ética, irresponsabilidade ambiental, desrespeito aos funcionários e descaso com os consumidores.

No último mês, mais uma vez, acompanhamos pelo noticiário as fabricantes dando férias coletivas aos funcionários. A bola da vez foram as empresas de linha branca (geladeiras, fogões, lavadoras etc), que suspenderam a produção e pediram para milhares de trabalhadores "descansarem".

O aumento dos estoques nas empresas nada mais é do que um reflexo da diminuição da demanda. As corporações que se preparavam para um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 5%, em 2011, ao que tudo indica terão de se contentar com um crescimento próximo a 3,5%. A indústria brasileira também já sente com mais força o impacto das crises econômicas internacionais, que têm levado os países a ampliarem suas barreiras comerciais.

O setor produtivo briga contra o tempo para adaptar suas práticas corporativas ao equilíbrio ambiental

Para o setor têxtil, a situação está especialmente mais complicada. Neste ano, as notícias sobre férias coletivas no segmento tornaram-se tão corriqueiras que sua exclusão do pacote econômico federal causou comoção. Evidentemente que a percepção do poder público é fundamental para modificar um quadro desfavorável. Entretanto, empresas com administrações criativas, corajosas e atentas ao mercado muitas vezes conseguem encontrar alternativas para driblar as dificuldades, antes mesmo da interferência governamental.

A crise nas exportações, por exemplo, podia ser prevista há tempos. Por outro lado, também há alguns anos já era possível vislumbrar um vigoroso crescimento da classe média brasileira - pois esse movimento vinha amadurecendo desde a ascensão das mulheres no mercado de trabalho. A renda do homem brasileiro classe C passou a ter o acréscimo da renda da mulher classe C, possibilitando uma renda familiar classe B.

As fabricantes brasileiras que conseguiram perceber essas variações nos mercados interno e externo adaptaram sua estratégia administrativa e têm conseguido, não só contornar a crise, mas alcançar ótimos desempenhos, produzindo a todo vapor, com 100% dos funcionários e aumentando o faturamento mês a mês. Até mesmo no tão prejudicado setor têxtil brasileiro, a transferência de foco das exportações para a demanda nacional, com enfoque na nova classe média, fez total diferença nesse momento de dificuldades.

Para superar conjunturas adversas, o administrador não deve contar apenas com a sensibilidade do governo. Ele precisa estar atento ao seu consumidor momentâneo e, sobretudo, ao cliente em potencial. Saber quem são aqueles que não compram a sua marca hoje, mas que poderão vir a comprar é fundamental, bem como buscar estratégias para alcançar esse público. O mercado é dinâmico.

Agora, por exemplo, é fundamental perceber as novas transformações que estão a caminho. O consumidor brasileiro de hoje não será o mesmo daqui a 10 anos. A população está envelhecendo com saúde. O mercado consumidor será formado por uma grande gama de pessoas com mais de 40 anos, exigentes, estabelecidas financeira e profissionalmente. Ninguém irá comprar por comprar, apenas para satisfazer uma vaidade. O consumidor do futuro buscará empresas com os seus mesmos ideais. Empresas que saibam criar valores emocional, social, ambiental, de experiência e, lógico, financeiro para o produto.

Também é fundamental aos administradores estarem antenados à facilidade de mobilização da nova geração. Qualquer informação passou a estar ao alcance de todos e com a rapidez de um click. Ainda não se sabe até que ponto poderá chegar essa facilidade de comunicação, mas já é possível imaginar o perfil do nosso próximo consumidor, que acreditará ter o mundo aos seus pés, confiará em seus pontos de vista e disseminará informações o tempo todo.

A sorte, mais uma vez, está lançada. Ou melhor, a sorte não, o desafio. Sociedade, indústria e governo estão amadurecendo juntos. A população passará a dar as cartas do jogo, exigindo respeito e responsabilidade dos gestores; o setor produtivo briga contra o tempo para adaptar suas práticas corporativas, colocando assuntos como equilíbrio ambiental e ética na pauta do dia; e o poder público dá mostras de que pela primeira vez passará a defender o patrimônio interno. Com essas três frentes integradas e atuando com firmeza, certamente temos motivos para confiar na possibilidade de um Brasil Maior.

Carlos Alexandre Döhler é diretor comercial da empresa Döhler S/A e pós-graduado em Comércio Exterior pela Univille-SC

Fonte:|http://www.valor.com.br/opiniao/987192/pacote-economico-ferias-cole...

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Há um aspecto delicado que as empresas precisam estar atentas:

A população está envelhencendo, mas não está enriquecendo. Dessa forma não importa quão criticos possam ser, mas quão práticos serão.

O preço, nesse cenário será fator determinante, e nesse caso os importados estão na dianteira. Estes, cada vez mais, recebem aval de qualidade. E há  a questão da necessidade suprida pelos não tãos bons, mas baratos.

É fato que o homem gostaria de e seletivo, mas nem sempre isso é possível.

Por essa razão modo Schlock de viver está em debate.

Schlock é uma palavra inglesa, com origem no iídiche, que pode ser traduzida como algo inferior, de má qualidade, barato.

 Este conceito o vejo mais forte e com maior amplitude do que descartável, pois não estamos falando apenas de produto, mas de um jeito ver, de ser, de estar conectado com tudo que nos cerca, provocando atitudes, atraindo seguidores.

O paradoxo é como ser Schlock com sustentabilidade?

 

 

 

 

 

Prezado Sr. Carlos Alexandre:

Fico feliz que o Sr. seja otimista quanto ao futuro; lamento não compartilhar com igual opinião. Penso que há duas maneira que poderão mobilizar a sociedade brasileira: A primeira é se houver uma grande festa popular, com batucada, pessoas fantasiadas, tem de envolver passeatas como a dos "caras pintadas", jovens que foram às ruas festivamente para depor o presidente corrupto, faltar a aula incentivado pelos professores esquerdistas, talvez possa mudar alguma coisa. Ainda que depois não se queira saber o que aconteceu, como repercutiu e quem se beneficiou. Aquela mobilização cívica como a das "diretas já", nunca mais.

 A segunda é exatamente pelo consumo, isto é, a falta de acesso ao consumo poderá mobilizar as "massas", dessa forma, diminua a cerveja, o celular, o futebol ou coisas assim, e se verá uma explosão. Talvez se se cortar o bolsa família, o seguro desemprego, a diminuição da multa do FGTS por demissão sem justa causa, talvez, quem sabe poderá haver algum movimento.

Alguns poderão me chamar: esse sujeito é um reacionário, lembra quando rotulavam os que ousavam pensar diferente, chamavam-no: REACIONÁRIO.. Penso que a nação brasileira tem grandes desafios a enfrentar, os valores filosóficos foram abandonados, aliás acho que sequer se sabe mais o que são esses valores, fala-se em  educação, valor do trabalho, responsabilidade e compromisso social, ética, valores morais que precisam ser definidos pela sociedade, etc, etc... A ditadura das minorias, não ouse pensar diferente, você será execrado, fique calado, é melhor.  Por fim, é tudo devaneio, infelizmente.

Neste instante tomom notícias da Exma. Deputada abonada por seus pares, é lamentável...

Carlos Dohler....conheço sua empresa, desde o inicio ainda na epoca do Sr Roland Dohler....e há cerca de 2 anos estive com Srs  Ingo e Alexandre ( acredito ser vc...rs..rs..) . Sei da representatividade social que vossa empresa tem em Joinvile, como tb o destaque arrojado em recentes investimentos com cifras altissimas. Em 2008 vcs ""brecaram"" devido a crise mundial ocasionada pelos USA, e retornaram  a passos mais lentos obviamente. Toda esta sazonalidade tb foi sentida pelas industrias em geral, uns mais outros menos ...É uma empresa admirada por todos!!!!

Particularmente admiro  vossa disposição resoluta frente ao que vivemos agora, mas por favor considere que:

 

A)

A alta carga tributária brasileira associada a uma política que favorece a importação vem abalando as estruturas da indústria. Enquanto a produção brasileira vai se acumulando nos estoques, os produtos chineses entram, diariamente, sem pagar impostos e, o que é pior, trazendo nas embalagens um "selo" de desqualificação, falta de ética, irresponsabilidade ambiental, desrespeito aos funcionários e descaso com os consumidores.

 

*** algum brasileiro está perdendo emprego para um asiatico!!!!!!  no ano passado entrou mais de 30.000 cnt!!!!

 

B) .

 No último mês, mais uma vez, acompanhamos pelo noticiário as fabricantes dando férias coletivas aos funcionários. A bola da vez foram as empresas de linha branca (geladeiras, fogões, lavadoras etc), que suspenderam a produção e pediram para milhares de trabalhadores "descansarem".

  

*** o governo perde impostos....o trabalhador é abalado emocionalmente pois está sempre em risco a perder o emprego....para de consumir.....vem uma retração e todos perdem!!!!!portanto  A ECONOMIA PARA!!!!!!!!nao é saudavel para o bralileiro e nem para o Brasil!!!! (esta falta de arrecadação vai ter que sair de algum lugar.....)

  

***

O aumento dos estoques nas empresas nada mais é do que um reflexo da diminuição da demanda. As corporações que se preparavam para um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 5%, em 2011, ao que tudo indica terão de se contentar com um crescimento próximo a 3,5%. A indústria brasileira também já sente com mais força o impacto das crises econômicas internacionais, que têm levado os países a ampliarem suas barreiras comerciais.

 

C)

Entretanto, empresas com administrações criativas, corajosas e atentas ao mercado muitas vezes conseguem encontrar alternativas para driblar as dificuldades, antes mesmo da interferência governamental.

*** parcialamnete tens razão, mas nao é o reflexo de nossa realidade, pois o motivo é outro!!!!

 

D)

A crise nas exportações, por exemplo, podia ser prevista há tempos. Por outro lado, também há alguns anos já era possível vislumbrar um vigoroso crescimento da classe média brasileira - pois esse movimento vinha amadurecendo desde a ascensão das mulheres no mercado de trabalho. A renda do homem brasileiro classe C passou a ter o acréscimo da renda da mulher classe C, possibilitando uma renda familiar classe B

 

*** e aonde está este dinheiro???? ninguem gasta???? concordo que os costumes estão mudando, hoje se veste melhor e mais variado....MAS NAO ESTÁ TENDO CONSUMO!!!!!

 

E)

As fabricantes brasileiras que conseguiram perceber essas variações nos mercados interno e externo adaptaram sua estratégia administrativa e têm conseguido, não só contornar a crise, mas alcançar ótimos desempenhos, produzindo a todo vapor, com 100% dos funcionários e aumentando o faturamento mês a mês. Até mesmo no tão prejudicado setor têxtil brasileiro, a transferência de foco das exportações para a demanda nacional, com enfoque na nova classe média, fez total diferença nesse momento de dificuldades.

 

**** LAMENTO MAS ESTAS INFORMAÇOES SÃO INCORRETAS!!!! POR ACASO A DHOHLER ESTÁ PRODUZINDO A TODO VAPOR???? ESTÁ TUDO NORMAL?????????? SERÁ QUE SOMENTE QUEM TEM GRANDES PRODUÇOES VAI SOBREVIVER???TEMOS OUTRAS FIAÇOES, TECELAGENS, TINTURARIAS, RETORÇOES DE CHENILLE,  COM A MESMA TECNOLOGIA DE VCS!!!! O QUE MUDA É APENAS O PORTE!!!!!  SERÁ QUE APENAS AS EMPRESAS DE MENOR EXPRESSÃO ESTÃO COM DIFICULDADES???? VCS TEM UM MIX EXCELENTE DE PRODUTOS....MAS SERÁ QUE ESTÁ PRODUZINDO A TODO VAPOR???? ACREDITO QUE HAJA APENAS FOLEGO....

VEJKA QUE EMPRESAS CENTENARIAS NAO AGUENTARAM A CONCORRENCIA ASIATICA....VEJA QUE TEMOS EMPRESAS MODERNAS QUE TB NAO ESTÃO AGUENTANDO!!!! SERÁ QUE APENAS A DOHLER????

NAO ESTÁ DEPENDENDO DE SITUAÇOES ADVERSAS, POIS O INDUSTRIAL BRASILEIRO JA VEM COM ALTOS E BAIXOS HÁ MUITO TEMPO!!!! DA MESMA FORMA QUE VCS!!! NAO SE TRATA APENAS DE ADMINISTRAÇAO E COMPETENCIA, MAS SIM DE CONCORRENCIA DESLEAL!!!!! MARGEM DE LUCRO INACEITAVEL!!!!! IMPOSSIVEL SOBREVIVER A ESTE DESCASO DO GOVERNO!!!!!

 

 

VC FALA EM EQULIBRIO AMBIENTAL, ÉTICA ..ETC..ETC.... SOMENTE QUE ESTAMOS CONCORRENDO COM PAISES

QUE UTILIZAM DE CUSTO QUASE ZERO, POIS O GOVERNO TEM QUE SUPRIR AS NECESSIDADES DA POPULAÇÃO VISANDO BASICAMENTE EM  ALIMENTA-LOS, ESTUDÁ-LOS !!!! ESTAMOS CONCORRENDO COM PESOS E MEDIDAS DIFERENTES...A PARIDADE É OUTRA!!!!

É O MESMO QUE APOSTARMOS UMA CORRIDA, SENDO EU DE FUSCA E VC DE FERRARI !!!! PESOS E MEDIDAS DIFERENTES!!!!! SEU CUSTO SEM DUVIDA SERÁ MAIOR!!!

 

CARLOS ESTOU EM UMA REGIÃO TOTALMENTE DIFERENTE DA SUA....MAS VEJA QUE SANTA CATARINA COMEÇOU A IMPORTAR APENAS FIO PENTEADO PARA FABRICAÇÃO DE MALHAS....POSTERIORMENTE TECIDOS........HOJE JÁ IMPORTA POUCO FIO, TECIDO, MAS  MUITAS CONFECÇÕES!!!! ESTÁ É CONSEQUENCIA DA PARTE  DA CRISE QUE SANTA CATARINA VIVE ATUALMENTE!!!!!

 

EM MINHA REGIÃO, JÁ TEMOS PEQUENOS PRODUTORES DE PANO DE PRATO QUE SIMPLESMENTE OPTARAM EM NAO MAIS FABRICAR E ESTÃO IMPORTANDO!!!! CARAMBA...IMPORTANDO PANO-DE-PRATO!!!!!

E AÍ...O QUE VC ME DIZ????? ATÉ ONDE VAI A GANANCIA ??? A RESPONSABILIDADE SOCIAL DE UMA EMPRESA JUNTO A SOCIEDADE?????? SOMENTE ESTE ANO TEMOS MAIS DE 5.000 NOVOS IMPORTADORES!!!!! COMPRAR E VENDER NAO GERA PIB....MAS SIM PRODUZIR EM TODA A CADEIA!!!!!

TFA/ADALBERTO

Caro Sr. Alexandre,

CONCORDO COM AS PODIÇÕES POSTADAS PELO SR. ADALBERTO, VEMOS HOJE OS GRANDES MAGAZINES SE BENEFICIANDO DESSES PRODUTOS CHINESES EM DETRIMENTO DOS FABRICANTES NACIONAIS, INVADINDO ATÉ EM CUECAS; TENTE IMAGINAR ENTÃO NOS PRODUTOS FEMININOS, NOS AGASALHOS. SENTI CLIENTES MEUS FABRICANTES DE CUECAS EM LARGA ESCALA, PARAREM SUAS PRODUÇÕES, DISPENSAREM PARTE DE FUNCIONÁRIOS PARA MANTER O "SEU EQUILÍBRIO"!!!! FICOU COM ESTOQUES DE PRODUTO ACABADO POR FALTA DE GRADE DE COMPRAS, ESTOQUES DE TECIDOS PRONTOS E FIOS NA TECELAGEM. E ISSO NÃO FOI PRIVILÉGIO DESTE EXEMPLO, POIS ISTO SE SEGUIU EM VARIOS OUTROS FABRICANTES.

TFA/AIRTON       

 

A opinião é poética mas utópica!

Mesmo cheia de utopia é muito fácil perceber que no contexto atual restarão muito poucos.

 

Palavras do Ministro do Desenvolvimento Fernando Pimentel:  

"...Se deixarmos o mercado funcionando, apenas o mercado, daqui a dez anos a América Latina vai virar a fazenda do mundo. O Brasil talvez vai ser a fazenda e a mina e a Ásia, a fábrica do mundo. A Europa possivelmente será um museu, um belo museu."

 

Foram palavras colocadas num contexto de brincadeira, mas ao menos dá a percepção de que o governo olha com olhar um pouco diferente e isso é realmente um avanço.

 

E acrescentou:  

"pela primeira vez na história econômica, existe um único país – a China – capaz de produzir qualquer produto manufaturado com preços mais baixos que a média mundial."

 

Não é questão de virar as costas para a China e outros países, mas apenas de exigir que, se quiserem competir globalmente, terão que se submeter às mesmas circunstâncias que o processo evolutivo exige e que envolve questões humanas e ambientais extremamente importantes. O Brasil também deve, internamente, impor maiores avanços nesse processo.

Na prática, a Döhler vai produzir uma linha de toalhas super-ultra-mega-giga Premium ao preço de... algo em torno de R$ 289,99 a unidade para quantos consumidores? 5 ou 6?

Não há produto que os fabricantes chineses não possam copiar e isso é uma realidade desde que o Japão, na década de 60, passou a fabricar relógios BARATOS (na época) em relação à poderosa Suíça. O que disseram os fabricantes suíços naquela época?! "Podem deixar os japoneses com estas fabriquinhas, produzindo estes relógios de qualidade duvidosa. Nós JAMAIS seremos suplantados".

Os mesmos japoneses também foram surpreendidos e suplantados pela audaciosa Coréia... com as fabriquinhas... etc etc etc e hoje, o que dizer deles.

Coreanos estão na crista da onda hoje, provavelmente, falando mal dos "chineses e suas fabriquinhas de produtos de qualidade duvidosa".

Que lição a gente pode tirar disso? Ora!

Desde que o mundo é mundo, a demanda por alguma coisa será suprida por alguém que queira supri-la. E esse alguém que quer essa alguma coisa, vai comparar produtos similares, SEM PRESTAR NENHUMA ATENÇÃO PARA O LOCAL DE ORIGEM. O critério de avaliação é: ISTO ATENDE A MINHA NECESSIDADE? SIM? ENTÃO ME DÁ AQUI. NÃO? ENTÃO, CAI FORA.

Provavelmente, daqui a alguns anos - se alguém daqui sobreviver a isto - estaremos discutindo "aquelas fabriquinhas em Camarões, fabricando produtos de qualidade duvidosa...".
Perfeito Gilberto!

Senhores, gostaria de fazer algumas considerações pessoais sobre os tópicos acima descritos.

Abri uma micro empresa em São josé dos Pinhais - PR ano passado em setembro, a loja de 35m2 fica dentro de um supermercado de grande porte, estou morando no bairro (classe "C"e "D") há 15 anos, estou em SJP há 20 anos , sou de Copacabana - Rio de Janeiro, técnico têxtil formado no CETIQT, graduado em Desenho Industrial projeto de  produto pela PUC - PR e pós graduado em marketing , 10 anos de área têxtil (fiação , tecelagem, malharia, confecção e descartáveis higiênicos) e 13 anos de automobilística (montadora) área de qualidade, colocarei nas palavras a seguir  o meu ponto de vista , de uma ótica de um micro empreendedor sofredor.

Como conhecedor de produtos têxteis de Sta. Catarina sem dúvida de ótima qualidade, iniciei meu negócio pensando na qualidade dos produtos têxteis nacionais e na comercialização dos mesmos como um diferencial, mas quando comecei a tentar comprar e vender os referidos produtos de empresas conceituadas exportadoras e centenárias (omitirei os nomes por ética), tive várias negativas do tipo meu produto não serve para ser vendido numa loja dentro de um supermercado ou outros impecílios (padrão da loja, público alvo, quantidade mínima e etc..) e quando eu ando pelos grandes magazines lá estão os produtos em grandes magazines e hipermercados a preços baixos, outras alegações: este produto não é para seu público alvo, quando viajo para Sta. catarina vejo os mesmos produtos nas lojas de beira de estrada como "segunda qualidade por kilo" , quando vamos comprar as empresas exigem pedido mínimo e pagamento a vista. Quando conseguimos comprar pagamos um preço por exemplo de R$ 55,00 em um produto que um grande magazine coloca na sua loja para vender a R$ 69,00!!!! isso mesmo R$ 69,00!!!! estes chamados de produtos iscas, o que Eu chamaria de produtos "burning".

Vale a ressalva que houve uma minoria que acreditou na nossa empresa e nos atendeu plenamente! virando ótimos parceiros até hoje , sendo a recíproca verdadeira, temos orgulho de vender os produtos deles.

Então o que precisamos fazer para vencer a concorrência " externa" na minha humilde ótica empreendedora , quer dizer micro empreendedora , que a seguir colocarei em tópicos:

  1. Primeiro de tudo temos que criar uma identidade nacional nos produtos produzidos no Brasil,com'maior quantidade de lançamentos de coleções durante o ano, assim dificultando a cópia pelos chineses.
  2. Facilitar o crédito e acesso a compra dos produtos pelas micro e pequenas empresas, elas é que realmente fazem a propaganda e enaltecem os diferenciais dos produtos brasileiros em relação aos chineses, somos 80% das empresas no Brasil.
  3. Fortalecer o Nacionalismo através de propagandas e campanhas de marketing, mostrando aos Brasileiros a diferença do que se agrega a sociedade Brasileira quando compramos produtos Brasileiros e o que se agrega ao Brasil quando compramos produtos chineses.
  4. Vender os produtos aos grandes magazines e rede de supermercados com as mesmas condições aos micro e pequenos empreendedores,independente de quantidade, pois a venda nas redes de lojas viram commodities têxteis, não é apresentado o produto corretamente simplesmente o que prevalece é o preço.Dar treinamento adequado aos funcinários destas grandes empresas, para pleo menos fomentar uma cultura de qualidade correta aos consumidores.
  5. Vocês empresários estão colhendo o que plantaram, pois nesta premissa de atender os grandes lojistas ,visando volume de venda , esqueceram de valorizar e cultuar o seu maior bem ,  que é intangível e sensível , a qualidade e o valor emocional agregado a marca, fidelizando o seu cliente final , através das micro e pequenas empresas isso é necessariamente mais difundido aos clientes.
  6. O programa Brasil maior não deixa de ser um subsídio a Indústria isto é muito perigoso, temos que inovar , misturar artesanto regional com produtos industrializados,exalatar a identidade Brasileira, assim temos escala e valorização do produto nacional.
  7. Estivemos no Anhembi na Textil House, vocês viram a quantidade de produtores Turcos, exemplo um jogo de lençol solteiro completo mais um edredon 300 fios , por U$ 33 mais taxas de transporte , pedido mínimo U$ 30.000!!! Ou seja não são só os chineses não!
  8. Temos que fazer parcerias mais estreitas entre universidades e indústria, incentivando a inovação!

Atenciosamente.

Marcelo P. Bogossian.

 

Marcelo,

Suas colocações permitem escrever livros, defendendo e refutando.

O fabricante vive entre a cruz e caldeirinha.

A universidade, que deveria ser o grande parceira e o cérebro diferenciado no processo, não tem a menor idéia do que você está falando.

Muitos donos de empresa também tem uma vaga lembrança desse assunto, pois não vao ao mercado. Nao só ele, mas diretores e gerentes, antigos nos postos, também ja delegaram e se afastaram. Ocupam posições "estratégicas".

Donos de lojas, poucos, estão dipostos a efetivas parcerias.

Dessa forma, no nosso mercado, há "compra" e "venda". Compra e venda, um negócio entre fabricante e revendedor! Do tempo, 99,99% do tempo é aplicado em negociação e não em estratégia para fortalecimento da parceria.

A indústria faz muita que coisa que não gostaria por absoluta necessidade.  

Os produtos vão ao grandes magazines porque estes são considerados vitrines, para fazer caixa com desconto de duplicatas, para desova de estoque, para cumprir cota, para pagar os custos fixos, etc.

A pequena empresa enfrenta barreiras sim, e há muitas razões, algumas relevantes outras nem tanto, mas que ajudam a levantar os muros:

A pequena empresa inadimplente, se quiser, simplesmente não paga, isso torna o mercado seletivo.

O alto custo do transporte inviabliza a operação.

Esta tem encargos e gastos menores, portanto pode trabalhar com mark up menor, isso alimenta a guerra de preços.

Fabricantes para não massificar a distribuição, ao serem seletivos, evitam a pequena empresa.

e, assim, a lista segue.

Poderíamos perguntar: todo esse cuidado para depois ver seus produtos maltratados em bancas e não nas vitrines?

Sim, vítimas do próprio modelo de negócios estabelecido pelo mercado ( fabricante x revendedor).

Na relação comercial a loja nao é vista como revendedora, mas compradora, e o fabricante como vendedor e não o abastecedor ( com produtos e idéias). 

A relação não é de associação, mas de força e só não se rompeu antes por causa da dependência.

Muitas se mantém porque o elo de ligação é o represente comercial, que por não ter dependência de uma só "pasta", evita que o fogo se alastre.

Por todas as razões, cada vez mais, fabricantes abrem lojas com suas marcas. Por todas as razões a pequena loja tem dificuldades para desenvolvimento.

isso serve para muitos produtos, não apenas o textil.

A loja multimarcas desaparecerá?

A periferia, que cada dia se torna mais comercial, será seu caminho?

Só o consumidor tem essa resposta, e esse não é ouvido nem por um , nem por outro. A opinão deste é captada no sucesso de venda ou no encalhe!

Esse é  nosso jeito de fazer negócios, nossa cultura comercial!

 

 

 

  

Bom dia, Sr. Ivan

Concordo e discordo em alguns aspectos, pois como ressaltei existem muitos caminhos e o principal é a inovação ex: Conseguiríamos fazer uma campanha de marketing sobre a importância da qualidade do sono, que isto impacta diretamente na qualidade de vida profissional e pessoal, e é nesta questão que poderíamos diferenciar produtos de maior qualidade x produtos de menor qualidade (preço) , estudo semanalmente concorrentes grandes e no nível de produtos Top, o preço deles é inferior ao meu ou igual, agora nos produtos de escala (baixa qualidade) eles são imbatíveis, é esta a questão, e isto num dado momento comprar dos chineses pode ser interessante para os grandes magazines, porém quando "Eles" monopolizarem o mercado'e sucatearem a Indústria Nacional , aí vão praticar o preço que quiserem e quando quiserem comprar produtos nacionais, só existirão produtos importados como opção!É o efeito Holandês!!

Obs:Continuarei no meu esforço de vender somente produtos nacionais (95%) na minha loja, é uma questão de étixa e paixão ao que faço, pois sempre orientarei meus clientes das vantegnes de comprar produtos feitos no Brasil, mas sem dúvida isto é um assunto para muita discussão!

 

Att,

 

Marcelo P. Bogossian.

Marcelo,

O primeiro ponto na equação é : o que é qualidade?

Esse é um conceito subjetivo, pois qualidade é aquilo que o consumidor reconhece. Aquilo que excede e o consumidor nao reconhece nao tem importância na compra. Ela é sim, importante para o fabricante que está disposto a pagar por ela.

O segundo é : preço justo pela qualidade reconhecida. Quanto o consumidor pode e está disposto a pagar.

O que a classe emergente reconhece e valoriza? Sabemos pouco sobre isso!

A campanha de marketing tem que começar pelo investimento no conhecimento do consumidor, para desvendar suas disposições e expectivas. Nao basta ir á midia e veicular informações. sabemos pouco dos nossos consumidores.

A simplificação de produtos ( prejudicando a  qualidade) , muitas vezes,  torna a empresa competitiva, aspecto que uma campanha pode não gerar. Não gosto desse recurso, mas reconheço que salva empresas da falência.

Produtos Premium que são comprados por Preços Premium, percorreram longas estradas para chegar a esse status, e é bom sempre lembrar da nossa falta de vocação para criação de marcas, além da falta de recursos.

Quantos %  do faturamento nossas empresas podem destinar ao desenvolvimento do trabalho na mídia e quanto estão dispostas a investir?

Todo investimento terminará no preço, o consumidor pagará? Por isso, quem é lider, está cada vez mais líder.

Inovação, é um ponto fantástico, então onde está o nó? No investimento!

Inovar onde: na indústria ou na universidade?

Quem vai bancar a inovação?

Quanto uma empresa nacional aguenta de fracasso em inovação?

Pense comigo: A empresa nacional não vende ações e com os recursos desenvolve seus planos. se der certo todos ganham, senao todos perdem.

A empresa nacional pega dinheiro do caixa ou do banco. Se nao der certo, terá sérios problemas.

No primeiro caso, com a vendas das acões ela fica sem a soluçao, mas também se  a dívida, mas no segundo fica sem a solução e com a dívida.

Aqui não temos capital de risco, apenas o risco do capital. Isso algemas pés e mãos.

Poderíamos, então desenvolver os projetos nas universidades?

Quem bancaria esses trabalhos?

Pessoas como você, que "sentem o calor do fogo" todos os dias e estão  dispostas  ao debate, tem que levantar questões, opinar, questionar, para que os caminhos sejam encontrados.

Como empresário essa é uma gota do que poderia comentar.

Comos empresários e cidadãos , temos que nos unir para acabar com essa vergonha que é o custo Brasil. 

 

Percebe, nosso mercado é cru!

 

 

 

 

 

Sr. Ivan

Sem dúvida muito impotante as suas colocações, trabalhei 20 anos na área de qualidade assegurada, na área textil inicialmente (época do " controle de qualidade" ) até a era da qualidade assegurada na industria automobilística durante 13 anos, portanto tenho vivência pura nesta área, e sem dúvida a qualidade são valores intangíveis e imensuráveis para uma grande corporação , mas vemos muitos casos de pequenas empresas ex: Troller conseguirem através de inovação e marketing, ofuscar o brilho de grandes, concordo plenamente com vc. em todos os pontos e agora que saí da área automobilística , vejo na verdade grandes oportunidades no setor têxtil não só como empreendedor , mas também quem sabe até empregado, porém com certeza na área comercial , se Eu voltar!

 As oportunidades estão aí, em uma semana trabalhando na minha loja, porspectei novos fornecedores (feira textil House) e enxerguei um mundo de oportunidades, já li seus artigos anteriores e o admiro muito, mas vemos que no mercado faltam pessoas "com o calor do fogo"para mim são os que abraçam as causas e Eu me sinto um deles, o resto estão na "zona de conforto" e isto serve para nós cidadãos que estamos vendo o aumento da corrupção, da impunidade e não fazemos nada! merecemos os poliíticos que temos! Infelizmente!

 

Att,

 

Marcelo P. Bogossian.

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