Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XIII

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A produção de alimentos, fibras e biocombustíveis sem entrar em guerra com o meio ambiente.

Fonte:|estadao.com.br/estadaodehoje|

Integração é aposta para barrar expansão

Uso da terra deve ser alternado entre lavoura e pecuária

Estimativas indicam que há 50 milhões de hectares de pastagens degradadas ou subutilizadas que poderiam ser aproveitadas para a agricultura no Cerrado - uma área equivalente a duas vezes o tamanho do Estado de São Paulo. A área inteira plantada com grãos no País caberia nesse espaço. Se essas terras desmatadas fossem recuperadas, o País poderia dobrar sua produção agrícola sem derrubar nenhuma árvore.

Essa é a grande aposta do setor para expandir sua produção de alimentos, fibras e biocombustíveis sem entrar em guerra com o meio ambiente. "A agricultura do Brasil já se mostrou competitiva, agora tem de se mostrar sustentável", diz o pesquisador e ex-presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Silvio Crestana. "Do ponto de vista racional, não precisamos derrubar mais nada."

A receita que está no caderno de todos chama-se integração lavoura-pecuária (ILP). O sistema consiste em fazer uma rotação de usos da terra, aproveitando a capacidade fertilizadora da agricultura para rejuvenescer os solos desgastados pela pecuária. Florestas plantadas podem entrar como um terceiro componente, tanto na forma de silvicultura (benefício econômico) quanto de reflorestamento (benefício ambiental), ampliando a sigla para ILPF (lavoura-pecuária-floresta).

"Monocultura não dá mais", diz o pesquisador Luiz Carlos Balbino, da Embrapa Transferência de Tecnologia. "Precisamos olhar a propriedade como um todo e tirar proveito máximo da terra." Eduardo Assad, da Embrapa Informática Agropecuária, reforça: "O produtor ganha dinheiro com grão e boi na mesma área, sem desmatar nada". Cerca de 3 milhões de hectares estão produzindo nesse sistema, com diferentes graus de integração. "Quem já faz está dando risada", diz.

A implementação custa cerca de R$ 2 mil por hectare. "O retorno econômico é maior e mais rápido do que se o produtor recuperar o pasto só com fertilizantes", diz o pesquisador Luís Barioni, da Embrapa Informática Agropecuária.

A planta favorita para começar o serviço é a soja, por sua capacidade de fixar nitrogênio. "A soja é uma planta milagrosa nesse sentido. Ela abre o cerrado e ainda fertiliza o solo para outras culturas", diz José Roberto Peres, da Embrapa.

PRODUTIVIDADE

A manutenção de uma pastagem é tão complexa quanto a de uma lavoura. Sem manejo adequado, o pasto degrada rapidamente. Perde nutrientes, resseca e é invadido por cupinzeiros e ervas daninhas, que não servem de alimento para o gado.

Em 2006, segundo o último Censo Agropecuário do IBGE, o Brasil tinha 172,3 milhões de hectares de pastagens para 169,9 milhões de cabeças de gado (média de 0,98 animal por hectare). Ou seja: cada boi no Brasil ocupa, em média, uma área maior do que um campo de futebol. Com manejo adequado, porém, essa lotação pode chegar a 1,5 animal por hectare. Tecnicamente, é possível produzir a mesma quantidade de carne ou leite em metade da área. "Nenhum outro país tem uma área aberta dessa magnitude e com potencial para ser usada na produção de alimentos, fibras energia e madeira", afirma Balbino.

O Ministério da Agricultura lançou em 2008 o Programa de Produção Sustentável do Agronegócio, para injetar R$ 1 bilhão na recuperação de pastagens. A Embrapa já treinou 1.300 técnicos para ajudar os produtores a trabalhar com ILP.

O apoio técnico e financeiro é essencial para que o sistema ganhe escala. As dificuldades são tanto tecnológicas quanto culturais. Quem sempre trabalhou com pecuária não tem o conhecimento nem o maquinário necessários para fazer lavoura, ou vice-versa.

"Se quisermos mudar o sistema de produção, temos de mudar os sistemas de financiamento e infraestrutura também", conclui Assad, ressaltando que será preciso mais do que apelo ecológico para convencer o agricultor a mudar suas práticas.

"Ainda é muito mais barato e fácil desmatar do que investir em tecnologia e manejo", completa Nilson Ferreira, da Universidade Federal de Goiás (UFG).

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