Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XIII

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Leonardo Rodrigues/Valor / Leonardo Rodrigues/ValorPaula Martins: no ambiente de trabalho, as roupas devem ser básicas

Sapato-ostentação, statement shoes (algo como "sapatos da afirmação") ou sapatos de impacto. Escolher um termo para definir os calçados femininos da moda até que é fácil - todos esses servem. Difícil será passar despercebida com eles. Lançados pelas grifes internacionais de maior prestígio - como Christian Louboutin, Gucci, Isabel Marant, Prada e Jimmy Choo - os sapatos símbolo da temporada têm saltos altos, às vezes com plataforma, e gáspea que cobre todo o peito do pé. De tão "aparecidos", nem deveriam ser chamados de acessórios. Eles estão mais para protagonistas, pois conseguem instantaneamente, transformar um figurino básico num "acontecimento fashion".

"De fato, o sapato vem roubando a cena, de oito anos para cá, mais ou menos", diz Martin Gutierrez, diretor de operação da marca de origem inglesa Jimmy Choo, no Brasil. E as responsáveis por isso são as grifes de luxo, que viram no sapato uma boa maneira de conquistar novos clientes e fidelizar os antigos.

Geralmente com valores mais acessíveis do que um terno ou um vestido, os sapatos foram transformados em objetos de desejo. E quanto mais chamativo, exclusivo e rebuscado, melhor e mais facilmente identificado com uma grife. Dentro do estilo dos statement shoes, a Jimmy Choo aposta nos modelos em tons fortes, caso do Dame, com tiras de couro que vestem os pés e sobem pelos tornozelos - e de salto fino.

Anna Carolina Negri/Valor / Anna Carolina Negri/ValorGutierrez: "A consumidora procura por luxo, qualidade e inovação"

No Brasil, a Jimmy Choo é representada pelo grupo JHSF e possui uma loja no Shopping Cidade Jardim. Recentemente, a Jimmy Choo foi comprada pelo grupo austríaco Labelux, mesmo dono da grife de acessórios Bally. "A consumidora da Jimmy Choo procura por luxo, qualidade e inovação", diz o executivo, que aposta na expansão da grife pela América Latina. O cenário no Brasil, diz ele, é favorável. "Internamente, o mercado de calçados femininos está crescendo, o que estimula o consumo e torna os acessórios mais valorizados."

Uma das principais marcas de sapatos premium no Brasil, a Zeferino também dispõe de modelos impactantes, em sua mais recente coleção inspirada no movimento Art Déco. "O sapato com tanta evidência é uma coisa relativamente nova, mas que pode ser notada pelas marcas e estilos que há no mercado", diz Cristiano Rodriguez, designer da Zeferino.

"É o sapato que dá o tom da produção, atualmente", afirma Rodriguez. "Ele é capaz de deixar todo o visual, mesmo o mais básico, com um ar contemporâneo, por isso é um ótimo investimento." E por "investimento" entenda-se pagar quase R$ 2 mil, no caso do modelo de couro de Píton, da nova coleção Zeferino, com tiragem de apenas 12 pares. Uma verdadeira joia.

Segundo a consultora de moda e estilista Paula Martins, ao optar por um sapato tão impactante, a mulher deve pensar na roupa a partir dele - o contrário do que se faz normalmente. "Nesse caso, a roupa é que funciona como um complemento", diz Paula. E para não haver "ruídos" na aparência, o melhor é deixar o sapato brilhar sozinho. "Se ele for usado no ambiente de trabalho, as roupas devem ser ainda mais básicas", afirma Paula.

Para dar elegância e aparência de corpo longilíneo, existem alguns truques, como optar por um sapato com o tom próximo ao da pele. Ou, ainda, combinar o tom do sapato com o da calça comprida, e dar uma ideia de unidade. No caso dos statement shoes mais coloridos e elaborados, vale optar por calças um pouco mais curtas - para que o sapato apareça completamente. Afinal, é para isso que esses modelos recebem tantos detalhes, como texturas, cores, franjas, pedrarias e outros badulaques.

A febre dos sapatos-ostentação remete a outros modismos recentes: o do tênis com salto alto embutido - lançado por Isabel Marant e copiado no mundo inteiro - e o das ankle boots, botas delicadas, de salto e cano curto. Na opinião da consultora de moda Maria Pia Brunoro Cury, da E.pia Consultoria de estilo, os sapatos de hoje são uma versão da mesma ideia. "Tudo começou nos anos 1930, com a estilista italiana Elsa Schiaparelli, que desenhou esse modelo de botas", diz Maria. Recentemente, estilistas como Marc Jacobs resgataram o estilo e as ankle boots entraram para o time fixo dos calçados femininos.

Detalhe: no caso dos tênis de salto alto, o desfecho foi menos feliz. Hoje é considerado cafona, após a própria Isabel Marant ter declarado que renegava a sua criação.

Voltando à história do vestuário, é possível fazer uma comparação entre o sapato-ostentação de hoje e os chapins, sapatos usados pelas mulheres venezianas ricas, no século XVI. Com plataformas altíssimas, que podiam ultrapassar os 65 cm de altura, os chapins eram um símbolo de posição social elevada, de acordo com o livro "Sapatos", de Linda O'Keeffe. Até porque, as mulheres precisam de dois criados para ampará-las ao caminhar. Ou seja: era um calçado que exigia um séquito.

Os chapins não eram somente altos, mas enfeitados, com veludo e pedras preciosas, como se fossem joias. Dos chapins vieram os sapatos de saltos altos mais parecidos com os de hoje, que surgiram dois séculos depois - quando os artesãos perceberam que com a parte da frente mais baixa, o sapato tornava o andar mais natural. A relação desses sapatos com o poder e a riqueza já estava estabelecida. Mas se os primeiros statement-shoes tiravam a liberdade feminina, os de hoje, ao contrário, as ajudam a ir cada vez mais longe.

http://www.valor.com.br/empresas/3525590/roupa-e-so-um-detalhe

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