Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XIII

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Anglo adia projeto no Brasil por problemas judiciais

Anglo adia projeto no Brasil por problemas judiciais

Por Reuters

LONDRES/RIO DE JANEIRO - 27 Jul (Reuters) - A mineradora Anglo American informou, ao divulgar seus resultados, que o projeto de minério de ferro Minas-Rio, o maior empreendimento mundial da companhia, sofrerá um atraso de pelo menos um ano.

Com o novo cronograma, a previsão do início de produção foi adiada para o segundo semestre de 2014, "se todos os desafios não controláveis enfrentados desde o final de 2011 forem resolvidos até o final deste ano", informou a assessoria de imprensa da companhia no Brasil.

"O cumprimento desse cronograma também depende da inexistência de novos eventos incontroláveis", acrescenta a companhia, em nota.

A Anglo --que no ano passado elevou a estimativa de custo de seu projeto, alertando que poderia ser de até 5,8 bilhões de dólares-- informou nesta sexta-feira que está avaliando o impacto dos novos atrasos sobre os custos e que informará o mercado ainda neste ano.

O projeto, vendido para a Anglo pelo empresário Eike Batista, é alvo de ações judiciais que limitaram o avanço das obras. A companhia foi impedida por decisão da Justiça de Minas Gerais de iniciar novas obras no local, incluindo supressão de vegetação, terraplanagem e retirada do solo para a abertura da mina, procedimento que era anteriormente previsto para ser iniciado em abril.

"Continuamos trabalhando em parceria com os governos e autoridades responsáveis para que as questões legais sejam resolvidas o mais rápido possível", disse o presidente da companhia no Brasil, Paulo Castellari, por meio de nota à imprensa.

O principal argumento do Ministério Público, autor da ação judicial, é a existência de sítios arqueológicos na região. O Iphan, órgão responsável por patrimônio histórico e cultural, informara na ocasião que faltavam estudos do solo para a companhia prosseguir com as atividades.

A empresa afirma que tem trabalhado junto ao Ministério Público e está tomando as providências legais cabíveis para demonstrar que atuou de acordo com a legislação ambiental vigente.

"Recentemente obtivemos a publicação da decisão judicial que nos permitiu dar início às ações solicitadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) relacionadas aos sítios arqueológicos encontrados", acrescentou.

Em outra ação movida pelo MP, a Anglo teve suspensa a licença ambiental de instalação para implantação de uma linha de transmissão de energia elétrica no projeto.

"Embora as atividades de campo para a instalação da linha de transmissão continuem interrompidas, as obras do empreendimento continuam a ser executadas normalmente nas áreas do mineroduto, porto e de parte da planta de beneficiamento", disse a empresa por meio de nota.

HERANÇA DE EIKE

O projeto Minas-Rio foi adquirido junto da unidade de mineração do conglomerado do empresário Eike Batista por alguns bilhões de dólares. A empresa mantém parceria com a LLX, empresa de logística do bilionário brasileiro, para terminal de minério de ferro no Porto do Açu, no norte Fluminense, por onde a Anglo pretende escoar sua produção, que poderá chegar a 90 milhões de toneladas anuais em plena capacidade.

"Até que esses obstáculos sejam eliminados, não podemos determinar com confiança a data da primeira produção", disse a presidente-executiva da Anglo Cynthia Carroll, acrescentando que a mineradora tem uma equipe de advogados para lidar com os desafios legais e licenciamento. A Anglo já garantiu cerca de 200 licenças para o projeto.

A Anglo não é a única a enfrentar problemas de licenciamento no Brasil, onde a rival Vale e outros também foram atingidos por atrasos. Carroll disse que encontrou a presidente brasileira, Dilma Rousseff, em Londres para os Jogos Olímpicos, para pressionar por avanços.

FRUSTRAÇÃO

Analistas demonstraram desapontamento com o adiamento e o resultado da empresa, que apresentou uma queda no lucro operacional de 38 por cento.

"A maior decepção ficou com Minas Rio, onde houve um anúncio de mais 12 meses de atraso para conseguir todas as aprovações regulatórias e ambientais necessárias e liberar os problemas legais ao fim de 2012", disse o analista Patrick Jones, da Nomura.

A Anglo viu o lucro operacional despencar 38 por cento, para 3,7 bilhões de dólares, o que creditou aos maiores custos de produção. A previsão era de 4 bilhões de dólares.

 

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