Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XIII

Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XIII

Fonte:|valoronline.com.br|
Ana Paula Paiva/Valor
Mariana Dijkstra, estilista da Valisere, aposta em modelagem que lembra o passado, mas em tons cítricos, e diz que há evolução nas
matérias-primas, com o uso de microfibras ainda mais finas, de toque
gelado: "Elas dão segurança e leveza"
A roupa íntima quer aparecer. Em todos os sentidos. Além da tendência vigente que valoriza
peças de apelo "fashion", o segmento de cuecas e lingeries vive um
momento de aumento de consumo e investimento em lojas-conceito. Tudo
para deixar mais visível uma moda que nasceu para ficar escondida, mas
que não se contenta com isso.

O ano passado o setor cresceu e neste ano as vendas continuam aquecidas. "2010 foi o ano da reviravolta. Desde o início da década que essa indústria não vendia tanto, para homens e mulheres", atesta Denise
Areal, diretora de marketing e estilo da fabricante de lingeries
Duloren. Em 2009, quando o PIB do país encolheu, o setor produziu 960
milhões de peças e faturou R$ 5 bilhões. Em 2008 foram 835 milhões de
peças com faturamento de R$ 4,5 bilhões. Ainda não há projeções fechadas
para este ano, mas as perspectivas são de continuar crescendo.

Neste ano, a Duloren investiu R$ 6 milhões em novas máquinas e aumentou em 10% a produção, que é de 1,2 milhão de peças, por mês. As razões para isso foram, por um lado, o aumento da renda das classes de
menor poder aquisitivo e, por outro, um certo otimismo que tomou conta
dos consumidores. "As mulheres superaram a crise e querem ser felizes
com seus companheiros. Os homens também passaram a enxergar a roupa
íntima como uma forma de sedução", diz Denise.

Divulgação
Da Valisere, o sutiã custa R$ 56 e a calcinha, R$ 24

Por conta disso, a Duloren decidiu entrar também com força no segmento de cuecas. A primeira iniciativa se deu no final de 2008, de forma ainda
tímida. "Investimos em maquinário para isso e queremos entrar com força
nesse segmento, no ano que vem."

O aumento do consumo também motivou a Lupo a investir numa nova cadeia de lojas. A Lupo Lingerie, que inaugura sua primeira unidade em dezembro, na rua Oscar Freire, no bairro dos Jardins, em São Paulo.
Diferente das lojas tradicionais da Lupo, focadas em meias, as novas
butiques vão priorizar o "underwear" feminino (80% dos produtos) e
masculino. A ideia é expandir a Lupo Lingerie, por meio de franquias, e
chegar a 50 lojas em 2011. Em junho do ano que vem a empresa também abre
outra bandeira, a Lupo Esporte, com previsão para chegar a dez pontos.

Lucas Jackson/Reuters
Nos Estados Unidos, Victoria's Secret aposta numa linha básica e confortável

Em termos de estilo, a roupa íntima passa por uma revolução silenciosa. Pelo lado feminino, é hora de cobrar beleza e funcionalidade numa mesma
peça. Os tempos em que calcinhas de rendas eram lindas de ver e
desconfortáveis de vestir acabaram. O básico que resolve, mas não
enfeita também perdeu terreno. As consumidoras querem lingeries que unam
praticidade com tendências de moda. "As cores da roupa íntima devem
seguir as da estação", diz Mariana Dijkstra, estilista da Valisere. Os
estilos também acompanham o que diz as passarelas. "É o momento de
referências à antigamente, com muito corpete, cinta-liga e top de
renda", afirma Mariana.

Divulgação
Amarelo cítrico da Mash é tendência e é vendido por R$ 19,90

Mas esqueça o ar romântico: as rendas até estão em alta, mas em tons fortes de neon. "A lingerie ficou transgressora e agora é feita para aparecer
sob a roupa." Nas matérias-primas também houve evolução, com microfibras
ainda mais finas e com o toque gelado. "Elas dão segurança e leveza",
diz Mariana.

Em julho, a Valisere inaugurou sua primeira loja-conceito, na rua Oscar Freire, em São Paulo. Os planos da empresa, que pertence ao grupo Rosset, são de abrir 300 lojas, entre franquias e próprias, em cinco
anos.

Pelo lado dos homens, o aumento de consumo tem se dado nas peças mais elaboradas, com malhas tecnológicas, estampas e cores vivas. O modelo "slip" - a cueca tradicional, mais estreita dos lados - perdeu espaço
para os modelos "sungão" e "boxer".

Divulgação
A cueca branca da Zorba, de algodão orgânico, custa R$ 24

A mudança se deu impulsionada, principalmente, pelo consumidor mais jovem e pelas mulheres. "Elas ainda são responsáveis por 75% das vendas de
cuecas", diz Rosana Lourenço, gerente de marketing da Zorba. E elas
preferem cuecas mais moderninhas como a "boxer" - que lembra uma bermuda
- cujas vendas cresceram 17%, de dois anos pra cá.

Na Mash, as vendas da "boxer" representam 60% do faturamento. Na Lupo, o modelo "slip" era campeão na preferência dos consumidores, há cinco anos, chegando a 70% das vendas. "Hoje, o modelo tradicional não
chega nem a 30%, diz Valquírio Cabral Júnior, diretor comercial da Lupo,
empresa que atualmente produz 5 milhões de cuecas, por ano, mas que
pretende chegar a 20 milhões de unidades, em 2011. Segundo Cabral
Júnior, o faturamento da Lupo vai chegar a R$ 570 milhões neste ano, "e a
R$ 1 bilhão, em 2013."

Divulgação
A Mash usa tecido feito de fibra de celulose, o modal: R$ 25,90

Cores fortes e padrões diferentes também já não assustam os homens, comemoram os fabricantes. "Entre as cores de cuecas que mais vendem estão o roxo,
o azul e o verde-militar", diz Jonas Waisberg, diretor comercial da
Mash. Estampas de listras, xadrez e bolinhas também agradam.

Com relação aos tecidos, o modal, feito com fibra derivada da celulose, está em alta. "O modal veio substituir o algodão que aumentou muito de preço", diz Waisberg. Na Lupo, o modal também é o carro-chefe
das vendas, graças ao conforto que proporciona ao usuário. Mas isso, diz
Cabral Júnior, da Lupo, beneficia principalmente as mulheres. "Foi por
exigência delas que as cuecas mudaram."

Listras: Mash diz que estampa não assusta mais o consumidor

Para alguns fabricantes, é na capacidade de oferecer atributos que está o segredo do sucesso de uma roupa íntima, atualmente. Por atributos
entenda-se o poder de diminuir medidas e deixar o corpo com formas mais
harmônicas. "A nossa linha de lingeries que modelam o corpo, chamada de
'Shaping', representava 10% das vendas, há três anos. Hoje, ela chegou a
30% do faturamento", diz Denise, da Duloren.

Para a Plié, o foco para 2011 é a linha de compressão, sem costura. A empresa contratou a modelo americana Tara Lynn - símbolo da beleza "tamanho extragrande" do momento - para ser estrela de sua campanha mais
recente. Valorizando uma beleza considerada fora dos padrões, a ideia
da Plié é mostrar que seus produtos podem amenizar as curvas. "O
crescimento das vendas da nossa linha 'Control' foi de 15%, em três
anos", diz Ron Horovitz, diretor da Plié. A "Control", que utiliza
microfibra com elastano "com memória" (que modela o corpo, sem apertar
demais), aumentou sua gama de produtos de nove para 21 modelos.




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