Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XIV

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O trabalho infantil na indústria têxtil

Com tanta informalidade, é difícil fiscalizar as incidências de trabalho infantil no setor têxtil e confeccionista.

Foto: Planeta Sustentável

 

Desde ontem, o Brasil sedia por três dias a Conferência Global sobre Trabalho Infantil. É a primeira vez que um país fora da Europa sedia o evento, onde especialistas, governos e organizações discutem formas de erradicar essa triste realidade.

 

Triste e imensa: estima-se que há cerca de 168 milhões de menores trabalhando no mundo, e 85 milhões em trabalhos perigosos ou degradantes. A agricultura é a mais emprega crianças no mundo, com 59% dos casos. Segue o setor de serviços - que é o que também mais cresce - e o industrial vem por último.

 

Conhecemos há tempos a exploração do trabalho infantil na indústria têxtil e confeccionista, que acontece em todo o mundo. O próprio nascimento e desenvolvimento dessa indústria, na Europa do século 19, contou com famílias inteiras na linha de produção, incluindo crianças muito pequenas. Para complementar o salário operário, a força de trabalho delas era necessária. 

 

Trabalhadora de 13 anos em campo de algodão em Burkina Faso. Foto: Bloomberg

 

Hoje, países da Ásia lideram o trabalho infantil (78 milhões), sendo que Bangladesh, Índia, Indonésia e Nepal os principais empregadores da cadeia têxtil. Elas trabalham ora com maquinários pesados e perigosos, ora com produtos químicos fortes, o que pode ser configurado como as situações "perigosas e degradantes" das quais falamos.

 

A cadeia têxtil está envolvida no trabalho infantil desde a agricultura, quando olhamos para a produção algodoeira. Há dois anos atrás, a Victoria's Secret foi envolvida em um escândalo de fornecedores de algodão para seus produtos - as fazendas de Burkina Faso mantinham trabalho infantil em condições análogas à escravidão. Ano passado, foi a vez da H&M ser questionada sobre seus fornecedores de algodão do Uzbequistão.

 

No setor da moda, não é só a indústria têxtil que amarga o trabalho ilegal de crianças. Na joalheria, funções pesadas como cravação, solda e montagem acabam sendo feitas por menores. Na indústria calçadista esse fator também aparece. No Brasil, a presença de crianças nesses setores ocorre principalmente porque muitos desses trabalhos manuais e artesanais são terceirizados, feitos em casa. A criança acaba se envolvendo como necessidade de ajudar a família. A informalidade contribui para eliminar os encargos sociais, não existindo vínculo trabalhista entre as empresas e esses "ateliês" domésticos. Dessa forma, a fiscalização fica difícil, quase impossível. 

 

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Vivian Berto


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