Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XIV

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Polêmica: Pessimismo da Industria Têxtil Vira Arma Contra Chineses

 

 

Pessimismo vira arma contra chineses

Indústria têxtil traça cenário desfavorável para conseguir convencer o governo a adotar medidas contra asiáticos

Em carta, setor vai dizer que haverá desemprego, queda de faturamento e aumento das importações

Silva Junior - 29.10.10/Folhapress
Instalações de indústria têxtil em Jundiaí (SP); no balanço do setor deste ano, previsão é de perda de 15 mil vagas após criação de 80 mil em 2010
Instalações de indústria têxtil em Jundiaí (SP); no balanço do setor deste ano, previsão é de perda de 15 mil vagas após criação de 80 mil em 2010

AGNALDO BRITO
DE SÃO PAULO
PEDRO SOARES
DO RIO

A indústria têxtil adotou as previsões mais pessimistas sobre o destino do setor como principal arma para tentar tirar do governo mais medidas de proteção contra a invasão de importados asiáticos, sobretudo os chineses.

O plano parece que começou a funcionar. Após encontro na terça-feira passada com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em São Paulo, representantes da indústria acham que enfim conseguiram sensibilizar o governo para os riscos de uma crise que possa destruir o setor.

A primeira medida em estudo é mudar o regime tributário. A ideia é passar a cobrar um valor fixo por quilo de produto -sistema usado para commodities e chamado de alíquotas específicas- em substituição aos percentuais que incidem sobre o valor de cada item importado.

A mudança está em estudo pela área técnica da Camex (Câmara de Comércio Exterior) e depende da aprovação de um conselho de ministros (Fazenda, Desenvolvimento, Agricultura, Casa Civil e Planejamento) que toma as decisões finais do órgão. A mudança pode estar pronta em três meses.

Há, porém, o receio de que a medida seja contestada na OMC (Organização Mundial do Comércio).

Esses benefícios ainda não estão ligados a contrapartidas. A indústria afirma que manter uma atividade que emprega 1,8 milhão de pessoas já equivale a uma oferta relevante, mas admitiu a possibilidade de investir e empregar mais.

"Não posso dizer agora quanto de emprego vamos gerar, mas o compromisso do setor é continuar investindo e contratando", afirma Aguinaldo Diniz Filho, presidente da Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção).

O setor prepara uma petição que será entregue ao governo até o fim do mês de janeiro. Nesse documento, a indústria pretende mostrar a queda do nível de emprego, a redução do faturamento, a estagnação das exportações e a escalada das importações. Tudo, de acordo com a indústria, em decorrência da invasão de importados.

A desindustrialização não é um fenômeno que atinge somente o setor têxtil.

A indústria de transformação está em declínio. Em 1986, respondia por 27,2% do PIB. Hoje, são 15,8%.

SEM PROTEÇÃO

Beneficiada por medidas pontuais de antidumping e de desoneração da folha de pagamento -as confecções deixaram de pagar 20% de INSS sobre a folha para pagar 1,5% sobre o faturamento-, a cadeia têxtil diz que somente busca igualdade de condições para competir.

A Abit mostra que o deficit comercial dos têxteis em 2011 vai atingir US$ 4,8 bilhões. Em 2010, foi de US$ 3,6 bilhões. Segundo Diniz, neste ano a produção da indústria têxtil caiu 15%. As confecções recuaram 4%.

Ao mesmo tempo, o varejo têxtil crescerá 5% em volume e 10% em faturamento. "Os produtos da indústria local estão sendo substituídos pelas importações."

O setor dirá ao governo que terá saldo líquido negativo de 15 mil postos de trabalho neste ano. Em 2010, houve a criação de 80 mil vagas.

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Comentário de Luiz Eduardo Mello em 29 dezembro 2011 às 13:31
A China e outros paises vendem aqui porque temos compradores.
Todos aqueles que compram nao ingenuos a ponto de nao saberem que os preco que esta sendo pago nao e' real.Sabem e muito bem disso.Mas pela ganhancia e total falta de comprometimento com o Pais e seu Povo continuam adquirindo de maneira ilegal as mercadorias oferecidas.
Os politicos sabem tambem muito bem disso porque viajam e os precos que pagam l'a fora e' bem abaixo daquels praticados aqui.
A carga tributaria elevada nao seria necessaria se a corrupcao fosse menor.
Se os Governos tivessem a produtividade de suas acoes como prioridade.
Se a qualidade da classe politica fosse melhor com certeza as coisas seriam tambem melhores.
Se nos dessemos mais valor a nosso VOTO com certeza tudo melhoraria.
Isso que acontece e vai continuar acontecendo vai depender muito de nossa concientizacao na necessidade de mudarmos nossas atitudes e comportamentos para que os mais novos mudem a coisas...a maneira de pensar e de agir das pessoas...
Precisamos de novos valores morais...de civismo...de real comprometimento com o bem comum...com a Patria...
Cabe aos principalmente aos Pais educaram seus filhos com os verdadeiros valores que uma sociedade justa exige.Assim teremos um Pais com ORDEM e PROGRESSO aonde todos os cidadaos cumprem seus deveres morais e civicos.
Lembrem-se que o Estado e' o Povo...e do Povo...ninguem e' dono do Estado a nao o Povo...o Povo decide o destino do Estado.....

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