Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XIII

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Quanto pesam os impostos nos preços do dia a dia

Conscientização

São Paulo – O brasileiro trabalha atualmente 149 dias para pagar os 61 tributos existentes no país. Parece até piada, mas estamos em maio e ainda não completamos esse prazo. E o pior: esse tempo vem aumentando com o passar das décadas, tendo praticamente dobrado desde 1970. As somas arrecadadas pelo governo também vêm batendo novos recordes. Só neste ano, já foram 226,194 bilhões de reais em impostos, a maior quantia registrada no primeiro trimestre de um ano, 12% maior que o valor arrecadado no mesmo período de 2010.

É para conscientizar a população sobre o peso dos tributos em produtos e serviços que várias organizações da sociedade civil, encabeçadas pelo Instituto Millenium, promovem ações nesta quarta-feira (25), em comemoração ao Dia da Liberdade de Impostos. Postos de combustível de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre e Caxias do Sul (RS) vão oferecer até 20 litros de gasolina a cada cliente pelo valor livre de impostos – um percentual de nada menos que 53,03%. Para participar é preciso comparecer na hora marcada e pegar uma senha. Confira a programação.

Além de aproveitar para abastecer o carro, o consumidor vai também conhecer o percentual pago de imposto em diversos produtos ou serviços, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT). Alguns dos itens estão listados a seguir.

Carros e motos

Além de morder metade do preço da gasolina, os impostos abocanham também 40% do valor diesel e um quarto do valor do etanol. Quem tem carro ou moto no Brasil sabe que paga um preço alto ao governo pela comodidade. Se por aqui o peso dos tributos corresponde a algo entre 30% e 40% do preço do carro, em países como Estados Unidos e Japão, esse custo não chega nem a 10%. Um mesmo automóvel pode custar, no México, a metade do que custa no Brasil. Quanto mais potente o motor, maior o percentual. Se for importado, então...

Produto Carga tributária
Etanol 25,86%
Diesel 40,50%
Gasolina 53,03%
Motos até 125 cc 43,81%
Motos acima de 250 cc 64,65%
Carro 1.0 (ex. Chevrolet Celta) 36,82%
Carro 2.0 (ex. Toyota Corolla) 41,12%

Leia mais: Por que os carros brasileiros custam tão caro?

 

 

 

Alimentos

Os alimentos básicos em geral não carregam mais do que 20% de seu valor em impostos, por serem considerados essenciais. Grande parte dos produtos alimentícios, porém, tem entre 30% e 40% de seu valor em tributos. Uma barra de chocolate de 5 reais, por exemplo, tem 1,93 real em impostos; de 30 reais pagos em 500 gramas de linguado, vão-se 10,34 reais em tributos; e mesmo dos 6 reais pagos em um pacote de lentilhas, 2,17 reais são tributos. Veja o percentual de tributos do preço de alimentos bastante consumidos pelos brasileiros. Note que muitos dos que sofrem tributação pesada não são exatamente supérfluos.

Produto Carga tributária
Achocolatado 38,06%
Açúcar 32,33%
Adoçante 37,19%
Arroz e feijão 17,24% cada
Bacalhau importado 43,78%
Biscoito 37,30%
Café com leite 19,98%
Leite 18,65%
Camarão 33,29%
Carne bovina 17,47%
Chocolate 38,60%
Frango 16,80%
Frutas 21,78%
Iogurte 33,06%
Lentilha 36,20%
Macarrão 18,28%
Manteiga 36,01%
Óleo de cozinha 26,05%
Ovo 20,59%
Pão 16,86%
Peixe 34,48%
Peru, chester ou pernil 29,32%
Sorvete 37,98%

Bebidas

É de se esperar que a carga tributária de bebidas alcoólicas seja alta, uma vez que produtos considerados supérfluos são taxados pesadamente. Mas os impostos sobre bebidas de toda sorte não poupam nem mesmo a água mineral, tributada em 43,91% do valor da garrafa. Refrigerantes também rendem somas polpudas aos cofres públicos. Uma lata de 3 reais destina 1,37 real, quase metade do seu valor, ao pagamento de impostos. A quantidade de tributos também pode ser assustadora. Uma bebida alcoólica importada sofre a incidência de seis tributos, mais impostos sobre salários. Na tabela a seguir, algumas das bebidas mais consumidas pelos brasileiros:

Produto Carga tributária
Água mineral 43,91%
Cachaça 81,87%
Caipirinha 76,66%
Cerveja 54,80%
Refrigerante lata 45,80%
Refrigerante garrafa 43,91%
Suco pronto 36,21%
Vinho 54,73%

Leia mais: Por que os vinhos são tão caros no Brasil

 

 

 

 

Tarifas de serviços

Ter dinheiro para pagar as contas é fundamental, principalmente num país em que os impostos respondem por quase a metade do valor dos serviços como luz e telefone. O governo até estuda reduzir os impostos sobre a energia elétrica p.... Mas enquanto isso não ocorre, o serviço continua pesando no bolso do consumidor.

Produto Carga tributária
Conta de luz 47,08%
Conta de telefone 46,12%
Gás de cozinha 34,04%
Serviço de TV por assinatura 46,12%

 

 

PlayStation 3

Nesse universo repleto de importados, ninguém mais se surpreende com a alta carga tributária dos produtos. Um console de videogame, por exemplo, tem mais de 70% de seu preço só de imposto. Isso significa que, livre de tributos, um Playstation 3 de 1.500 reais poderia sair por 450 reais. Mas não para por aí. Um simples forno microondas é tributado em 60% e um aparelho celular em 40%.

Produto Carga tributária
Aparelho de som 36,80%
Aparelho MP3 ou iPod 49,45%
Computador acima de 3.000 reais 33,62%
Computador até 3.000 reais 24,30%
Ferro de passar 45,25%
Fogão de 4 bocas 27,28%
Geladeira 36,98%
Microondas 59,37%
Telefone celular 39,80%
Televisor 44,94%
Torradeira elétrica 48,21%
Ventilador 34,30%
Videogames 72,18%

 

 

 

Saúde e bem estar

Pela regra de afrouxar a tributação dos produtos essenciais, os preservativos, isentos de ICMS, sofrem uma taxação de “apenas” 18,75%. Um vidro de protetor solar, por outro lado, tem mais de 40% de seu valor em impostos. Isso num país em que o câncer de maior incidência é o de pele. Medicamentos em geral são taxados em 34%, e não podem ser considerados exatamente dispensáveis. O próprio ministro da Saúde, Alexandre Padilha, já defendeu a deson..., medida que não está inclusa na reforma tributária do governo.

Produto Carga tributária
Academia 26,86%
Medicamentos 33,87%
Preservativo 18,75%
Protetor solar 41,74%

 

 

 

 

Educação

Os pais que ficam tensos todo início de ano com os preços do material escolar podem ter certeza de que boa parte daquilo que estão pagando é formada por impostos. Quase metade do preço de uma caneta, agenda, borracha, régua ou mesmo de um apontador vai para os cofres públicos. Nas mensalidades, a carga é um pouco mais “leve”, e corresponde a cerca de um quarto do valor, tanto para escolas, quanto faculdades e cursos de idiomas. De um valor de 800 reais, por exemplo, aproximadamente 200 reais são impostos.

Produto Carga tributária
Agenda escolar, apontador e borracha 43,19%
Caderno universitário e lápis 34,99%
Caneta 47,78%
Estojos para lápis 40,33%
Fichário 39,38%
Mensalidades (escola, curso de idiomas e faculdade particular) 26,32%
Mochilas 39,62%
Régua 44,65%

 

 

 

 

Vestuário

Roupas e sapatos são tributados em 35%. Curiosamente, calças jeans têm uma carga tributária maior, de 38%, o que equivale a dizer que de um par de jeans de 300 reais, 105 reais são só impostos. Jóias, como artigos supérfluos de luxo, são tributadas em 50%. Nada mal para artigos cujos preços não costumam ter menos de quatro dígitos.

Produto Carga tributária
Biquíni 33,44%
Bolsa 39,95%
Bolsa de couro 41,52%
Calça jeans 38,53%
Chinelo 31,09%
Jóias 50,44%
Roupas 34,67%
Sapatos 36,17%
 
 

Lazer

Comer em restaurantes com frequência é apontado como um dos principais vilões do orçamento doméstico. Principalmente em grandes cidades brasileiras, onde as refeições fora de casa já podem ser consideradas caras, para padrões internacionais. Do custo médio de 21 reais de uma refeição em restaurante, 6,78 reais são impostos. Mas há percentuais ainda mais alarmantes. Bicicletas e bolas de futebol são tributadas em nada menos que 46%. Quem estiver atrás de uma boa bike de 18 marchas de 2.500 reais, por exemplo, vai destinar por volta de 1.150 para os cofres públicos.

 

Produto Carga tributária
Barco 28,31%
Bicicleta 45,93%
Bola de futebol 46,49%
Brinquedos 39,70%
Hospedagem em hotel 29,56%
Jornal 14,09%
Livros 15,52%
Mensalidade de clube 26,86%
Patins 52,78%
Rações para gato e cão 41,26%
Refeição em restaurante 32,31%
Revistas 18,73%
Teatro e cinema 30,25%
 
 

Produtos de higiene

Produtos de higiene também podem ser considerados essenciais. E sua carga tributária não é nada leve. Produtos de uso contínuo, como absorventes higiênicos, fraldas descartáveis e pastas de dente têm cerca de 35% de seu valor em impostos. Para um pacote de papel higiênico a carga já beira os 40%, o que significa dizer que por 5 reais desembolsados em quatro rolos, o consumidor deixa 2 reais em tributos.

Produto Carga tributária
Absorvente higiênico 34,48%
Aparelho de barbear 40,78%
Condicionador de cabelo 37,37%
Desodorantes 37,37%
Escova de dentes 34,00%
Fralda descartável 34,21%
Papel higiênico 39,94%
Pasta de dentes 34,67%
Perfume importado 78,43%
Perfume nacional 69,13%
Sabonete 37,09%
Shampoo 44,20%
 
 

Produtos de limpeza

Da lista do IBPT, os itens que mais chamam a atenção na cesta de produtos de limpeza são o sabão em pó e a esponja de aço, cuja carga tributária fica em torno de 40%. Isso quer dizer que de 2 reais pagos num pacotinho de palha de aço, 81 centavos são imposto; e que de 6 reais pagos numa caixa de sabão para lavar roupas, 2,45 reais são tributos.

Produto Carga tributária
Desinfetante 26,05%
Detergente 30,37%
Esponja de aço 40,62%
Sabão em pó 40,80%
Sabão em barra 30,37%

 

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FONTE: PORTAL EXAME

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