Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XIII

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Reynaldo-BH: ‘Saúde, Roberto Jefferson. E cadeia pelos crimes que cometeu’

REYNALDO ROCHA

Quando me encontro no calor da luta

Ostento a aguda empunhadora à proa,

Mas meu peito se desabotoa.

E se a sentença se anuncia bruta

Mais que depressa a mão cega executa,

Pois que senão o coração perdoa…”

(Chico Buarque – Fado Tropical)

Meu coração tem mesmo um sereno jeito. E eu mesmo me contesto. O que me fez assim? A vida, sem dúvida. Ou o fim dela.

Nada há de mais pesado e cruel que saber-se finito. Todos dizemos saber. Mas vivemos como se imortais fôssemos. Talvez isto nas faça despertar do sono a cada manhã.

E os que infelizmente são colocados frente ao que é inevitável – pelo que dolorosamente aprendi – têm duas reações típicas: a negação ou o medo.

Lula e Chávez, dois exemplos acabados do primeiro comportamento, negam a dor do que vivem. Como se a negação fosse a saída mágica para uma alternativa inexistente, pois que resta somente a luta para quem a vida resolveu desafiar.

Outros sentem-se impotentes. Desamparados. Assustados. Têm medo, enfim. O medo real que nunca diminui, mas acrescenta. Como eu. Como tantos.

Entre estes figura o deputado mensaleiro Roberto Jefferson.

“Tenho medo”, disse Jefferson ao ser confrontado com a certeza de saber-se menor. De saber-se em mãos de terceiros sem mais nada poder fazer para determinar o futuro. “O comando do navio está em outras mãos”.

Será que existe uma confraria dos assustados? Dos que se enxergam menores do que imaginavam? Não sei.

Sei que existe uma compreensão que extrapola a quem não vive (ou viveu) a mesma experiência de finitude.

Jefferson é diferente de Lula. Cito só como exemplo. Capaz de produzir frases antológicas (“Tenho medo de você. Pois me provoca os mais baixos instintos!”), e de citar autores que certamente leu, mostra a distância de um bandido letrado para outro, ignorante.

São ambos bandidos. Ambos surpreendidos pela mesma situação que os faz (ou deveria fazer) rever a postura de vida e o legado que é a transcendência.

Um ri do que o amedronta, como se ôossemos todos crianças a acreditar na força de super-homem. Sem kriptonita.

O outro mostra um resquício de humanidade.

Meu peito se desabotoa com a humildade superior de quem se mostra humano. E se fecha frente aos insensíveis que acham possível controlar até a morte.

Mas, como no verso/canção de Chico Buarque, minha mão cega executa!

Entendo que acima do drama humano sempre estará a cidadania. Além da morte que virá (mais cedo e anunciada para alguns) está a permanência de uma nação, no sentido exato do termo.

Ao homem Roberto Jefferson desejo, de modo sincero, força e pleno sucesso na luta em que as partes são desiguais. E os homens são sempre a parte indefesa.

O político Jefferson, esse eu espero que o STF condene.

E que cumpra com saúde (sem ironias vulgares) a pena pelo malefício que ajudou a causar a este país.

Uma doença não é habeas corpus, nem mesmo presunção de inocência. É somente uma tragédia. Que seja enfrentada como tal. Com sucesso na luta de um ser humano contra a adversidade sempre existente na abreviação acelerada de uma vida.

E que a tragédia política, moral e ética seja paga na justa medida.

Saúde, Roberto Jefferson.

E cadeia pelo que cometeu!

Espero ainda estar vivo para ver estas duas vitórias!

Ao contrário da poesia, coração por vezes não perdoa…

fonte:http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/feira-livre/reynaldo-bh...

 

 

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