Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XIII

Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XIII

Setores da indústria enfrentam retração

Setores da indústria enfrentam retração

Embora o resultado geral seja positivo, alguns setores voltam ao ritmo de 2009

Raquel Landim e Jacqueline Farid - O Estado de S.Paulo

A concorrência dos produtos importados já começa a afetar o ritmo da indústria brasileira. Alguns setores estão "devolvendo" os ganhos obtidos após o fim da crise e retomam patamares de produção similares aos de agosto de 2009.

Levantamento do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), obtido pelo Estado, aponta queda na produção de vários segmentos: alimentos, bebidas, têxtil, calçados, máquinas, aparelhos elétricos e eletrônicos, móveis, entre outros.

"A única razão que podemos identificar é o câmbio valorizado, já que as vendas no varejo estão crescendo", disse Rogério de Souza, economista do Iedi. Ele descartou a possibilidade de a queda na produção ser resultado apenas de acúmulo de estoques.

O desempenho geral da indústria ainda é garantido pelos bons resultados dos automóveis e das motocicletas. A produção industrial subiu 0,4% em outubro em relação a setembro, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De janeiro a outubro, o setor acumula expansão de 11,8% em relação a igual período de 2009, o melhor resultado em 20 anos. Os economistas, no entanto, ressaltam que a base de comparação é baixa. A produção de bens de capital caiu no mês passado sob efeito das importações.

O técnico da coordenação de indústria do IBGE, André Macedo, avalia que o menor ritmo de crescimento da produção industrial, em curso desde o segundo trimestre, reflete "o maior nível de importações nos últimos meses, estoques elevados em alguns setores, exportações crescendo de forma mais tímida e paralisações do setor de petróleo".

Conforme o estudo do Iedi, a produção do setor têxtil, por exemplo, cresceu 11% no período de recuperação da crise, entre agosto de 2009 e março de 2010. Em compensação, caiu 10,4% entre abril e outubro deste ano.

"Os preços do algodão atingiram os patamares mais altos dos últimos 140 anos, pressionando os custos em um momento de forte concorrência da China", explica Aguinaldo Diniz, presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit). "O varejo vai ter um Natal melhor que a indústria", completou.

Nos equipamentos de informática, a situação é ainda mais complexa. A produção do setor cresceu 9,5% na saída da crise, mas já caiu 15,8% entre abril e outubro. Em máquinas e aparelhos elétricos, praticamente empatou: a produção do setor cresceu 13,6% entre agosto de 2009 e março deste ano, mas caiu 12,6% entre abril e outubro.

Souza, do Iedi, ressalta que mesmo os setores que ainda registram crescimento do seu ritmo produtivo, já desaceleraram significativamente. A produção industrial de automóveis cresceu 22,3% com o fim da crise, impulsionada pelos incentivos fiscais do governo. Entre abril e outubro, a alta foi de apenas 4,5%.

Investimentos. O setor de bens de capital, que sinaliza o desempenho dos investimentos no País, registrou queda de 0,2% na produção entre outubro e setembro, após recuo de 2,6% entre setembro e agosto.

O levantamento do Iedi aponta que esse setor teve uma recuperação expressiva no pós-crise, com alta de 24,3% na produção. No entanto, já registra queda de 3,3% entre abril e outubro.

Para Macedo, do IBGE, o desempenho pode ser uma "acomodação natural por causa da maturação de investimentos anteriores". Ele admite, porém, que a queda também pode estar relacionada ao aumento na importação de máquinas. "É preciso esperar os próximos meses'', disse o economista.



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