Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XIII

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Tráfico de influência ou ajuda legítima a uma empresa brasileira? Ou: Lula, o patriota!

Lula fazia o “esforço” e viajar no jato da Odebrecht por puro patriotismo… e o PT é um partido honesto!

O leitor já percebeu: eu leio o lado de lá, mesmo os mais caricatos. É a lição de Sun Tzu em A arte da guerra: conhecer seu inimigo. São os ossos do ofício, saber o que a esquerda radical “pensa”, quais são as táticas que vão usar em suas narrativas tantas vezes canalhas. Mas alguns, admito, eu ignoro. É que o grau de canalhice é tão grande que o simples fato de citar seus nomes é motivo de orgulho para eles, que ainda poderão cobrar um aumento do “chefe”: “fui citado na VEJA, estou incomodando, quero mais verba de estatal”.

Nesta segunda um deles, um “jornalista”, superou-se: escreveu em sua coluna que estão atacando Lula por ser um patriota, por ter ajudado uma empresa brasileira a exportar mais serviços no exterior. Quando li aquela afirmação, cocei meus olhos, limpei os óculos, e reli: era aquilo mesmo. Nunca deixo de me surpreender com a cara de pau dos petralhas, mesmo sempre esperando o pior deles. Então Lula entrou nos jatos da empresa e falou dela em reuniões com governos corruptos e autoritários por patriotismo?

Preferi simplesmente deixar de lado. O sujeito em questão não merecia um artigo em sua homenagem. No mais, quem ainda cai nessa ladainha? Os 9% que ainda aprovam o governo Dilma? Mas esses são os vendidos sem caráter ou os muito idiotas, que nem jornal leem (ou se leem, não entendem nada, deformados no ensino público). Mas eis que descubro que a própria presidente Dilma, após um afago cínico no ex-presidente Lula no “dia do amigo”, repetiu o mesmo discurso! Sim: Lula está sendo acusado por defender uma empresa brasileira, por ser um patriota!

“Na história do mundo, reis, príncipes, ex-presidentes defendem os interesses de seus países. Por que Lula não pode?”, perguntou a “historiadora” Dilma Rousseff. Lula, comparado a um rei, a um príncipe, e lutando em prol da nação: Oh, my God! Os petistas, que nunca tiveram vergonha na cara, resolveram escancarar no escárnio mesmo. É o desespero, o “vale tudo” de quem já viu a vaca indo pro brejo mesmo, e ligou o “dane-se”. Se colar, colou. O PT, ao contrário de mim, espera sempre um grau de estupidez infindável do estimado público. E tem dado certo para eles, vamos combinar.

Merval Pereira tratou do assunto em sua coluna de hoje. Imagino que o prestigiado jornalista da Academia Brasileira de Letras deva ter ficado perplexo com a necessidade de refutar tamanha baboseira, mas é o jeito. Se os petistas insistem nas mentiras escabrosas, precisamos perder tempo mostrando o absurdo de seus discursos, pois vai que um ou outro desavisado resolve acreditar na coisa! Diz, então, Merval:

“Lula está apoiando empresas corruptas a fazer negócios corruptos no exterior”, definiu Alejandro Salas, diretor regional para as Américas da Transparência Internacional em Berlim. A declaração dá o título de uma reportagem da revista americana Foreign Policy, uma das mais prestigiadas sobre política internacional.

Por que acreditar que os negócios que o governo brasileiro apoiou, através de empréstimos do BNDES, em países africanos e ditaduras latino-americanas como Cuba, ou protoditaduras como a Venezuela são corretos, quando se sabe o histórico de negociatas envolvendo esses governos totalitários, e temos, no próprio Brasil, o exemplo invulgar da Refinaria Abreu e Lima, que custou até agora seis vezes o que fora previsto, numa associação da Petrobras com a PDVSA que nunca deveria ter saído do papel?

Beira o patético a afirmação de que Lula, ao viajar nas asas da Odebrecht pelo mundo, estava só querendo ajudar uma empresa brasileira a ter êxito no exterior, que Lula está sendo acusado de ajudar o país.

Mesmo que o ex-presidente estivesse cumprindo apenas uma agenda de palestras nesses países, uma atividade legítima de diversos ex-presidentes pelo mundo, ele não poderia levar dirigentes de empreiteiras a reuniões palacianas com os dirigentes do país em que atuava como palestrante, justamente para não misturar as coisas. O conflito de interesses está bastante claro nessa atitude dupla de misturar prestígio pessoal como ex-presidente com negócios particulares.

[...]

Vários ex-presidentes pelo mundo, porém, estão sendo ou foram investigados por fatos que aconteceram durante seus mandatos, o que se deve provavelmente a fatores culturais. No Brasil, até hoje não houve condições políticas para que Lula fosse incluído no rol de investigados pelo mensalão, por exemplo, quando ficou claro que para que o processo pudesse ter êxito, a culpa teria que parar no ex-ministro Chefe do Gabinete Civil José Dirceu.

E mesmo no caso do petrolão, com informações de diversos acusados de que a campanha presidencial de 2010 foi irrigada com dinheiro desviado da Petrobras, não há até agora nenhuma investigação sobre a responsabilidade de Lula no esquema, embora ele tenha começado em seu governo.

O toma-lá-dá-cá entre Odebrecht e Lula é tão, mas tão escancarado que só mesmo um grande canalha puxaria da cartola o argumento de patriotismo. Mas o PT é cheio desses canalhas, como sabemos. E por isso temos que dedicar textos ao desmonte da narrativa pérfida. O “patriotismo” de Lula é medido em milhões na conta bancária. É o mesmo tipo de “patriotismo” de seu companheiro, o lobista José Dirceu.

De um lado, uma rede de contatos com os governantes mais corruptos do planeta, não por acaso de regimes esquerdistas. Do outro, grandes empresas ávidas por fazer negócios – ou negociatas – com esses regimes. No meio, o elo entre ambos, aquele que aproxima uma ponta da outra, e cobra caro pelo “serviço”. No dia em que tal tráfico de influência virar patriotismo eu me torno um petralha! Mas aviso que é mais provável um unicórnio colorido passar voando pela minha janela…

Rodrigo Constantino

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