Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XV

Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XV

Ede Villanassi, diretor-geral e proprietário da Sandra Têxtil, empresa que tenta sobreviver à concorrência de importados com a diversificação de clientes

Há 20 anos a Stenville faz beneficiamento de tecidos. George Tomic, sócio-diretor da empresa, conta que recebe os tecidos dos clientes e os prepara para tingimento ou impermeabilização. Instalada em Jundiaí, interior de São Paulo, a empresa usava, até o primeiro trimestre de 2011, pelo menos 80% da capacidade. "Mas desde abril do ano passado deixamos de receber encomendas e a produção caiu", conta o empresário.

Atualmente, diz Tomic, a empresa trabalha com 50% da capacidade. Em janeiro, ele faturou 40% menos na comparação com o mesmo período de 2011 e as perspectivas para este ano não são boas. "As encomendas não voltaram e se continuarmos assim fecharemos a fábrica até julho porque não conseguimos mais pagar os custos fixos." No começo de 2011, a Stenville tinha 130 funcionários. Hoje são 75.

Tomic credita a dificuldade da empresa à importação. Ele conta que seus clientes são fabricantes de vestuário, de roupas de cama e mesa e de calçados. "As encomendas caíram porque as importações não são apenas de tecidos, mas de roupas já prontas."

A queixa de Tomic faz sentido. No ano passado, o volume importado em roupas e acessórios aumentou 40,3% em relação a 2010. A variação é, de forma disparada, a maior entre todos os 25 segmentos de atividade em que o volume de desembarques é calculado pela Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex). Depois do vestuário, o setor com maior aumento no volume importado foi o de veículos, com elevação de 21,5%.

O volume de importação cresceu, mas a produção física de vestuário em 2011 teve queda de 4,4% na comparação com o ano anterior, segundo dados da pesquisa industrial mensal do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O faturamento real do segmento contudo, resistiu no ano passado, com alta de 2,9% em relação a 2010, pela pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

"A indústria de confecção também passou a importar não só matéria-prima têxtil, para reduzir o custo de produção, mas também o vestuário pronto", diz Edgard Pereira, professor da Unicamp e sócio de uma consultoria que leva seu nome. A importação de roupas já prontas foi a reação da indústria de vestuário à concorrência externa, e foi o que propiciou o aumento de faturamento, apesar da redução de produção doméstica. "O problema é quem está atrás: o setor têxtil, prejudicado não só pela importação da indústria quanto dos varejista", acrescenta Pereira.

A C&A e a Renner, as duas maiores redes de lojas de departamento de vestuário do país, aumentaram as importações em ritmo acelerado. A C&A trazia do exterior entre US$ 50 milhões e US$ 100 milhões em 2008. Desde 2010 desembarca acima de US$ 100 milhões ao ano. A Renner, em 2010, ainda estava na faixa dos que importavam entre US$ 10 milhões e US$ 50 milhões. No ano passado, porém, comprou de fora mais de US$ 100 milhões. Tanto a C&A quanto a Renner desembarcaram mais de US$ 50 milhões da China no ano passado, sempre de acordo com estatísticas oficiais de comércio exterior. Procuradas, as duas varejistas não comentaram o assunto.

"A importação não acontece mais somente por preço ou sobra de mercado. Há uma mudança estrutural", diz Pereira. A Stenville, a beneficiadora de tecidos de Jundiaí, é apenas uma das que contribuíram com a queda de 14,9% da produção brasileira de têxteis registrada pelo IBGE no ano passado. Além da queda de produção, o segmento amargou 9,2% de perda de faturamento real em 2011. Foi o maior recuo entre os segmentos da indústria de transformação, segundo o levantamento da CNI.

A importação começa a desestruturar a cadeia do vestuário, atingindo principalmente os têxteis, diz José Augusto de Castro, presidente em exercício da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). "São números que já indicam ligeira desindustrialização. O importado está tomando efetivamente o lugar do produto nacional." Há os que, dentro do próprio setor, já protagonizam essa substituição.

É o caso da Maxim, que em 2010 produzia, por mês, 120 toneladas de um fio para a fabricação de esfregões de limpeza e tingia outras 60 toneladas do produto. Um ano depois a produção caiu para 14 toneladas mensais do fio e quatro toneladas de tingimento. "O fio chinês chega aqui mais barato do que o custo da minha matéria-prima", diz Adalberto Oliveira Martins Filho, dono da empresa.

A perda de clientes elevou a dívida, que chegou perto de R$ 600 mil em janeiro. "Somos uma fiação pequena. Eu tinha 34 pessoas trabalhando em janeiro de 2011. Agora tenho 12 e semana que vem vou demitir mais seis", afirma o empresário. A solução, diz, foi passar a importar o produto que antes produzia. Se antes ele gerava cerca de 120 empregos diretos e indiretos na região mineira de Alfenas, agora precisa de alguns funcionários com pouco treinamento para receber as caixas, colocá-las no depósito e depois enviá-las para os compradores. "Se eu vender duas toneladas por mês do fio importado, consigo tirar R$ 50 mil. Produzindo, ganhava R$ 10 mil ao mês."

O caso da Maxim, diz Pereira, mostra que a alta da importação não é mais resultado do senso de oportunidade de um agente que percebeu a demanda e um câmbio favorável. "É mais uma capitulação", diz, referindo-se a empresários que investiram seu capital em produção por muito tempo e agora desistiram. Em cadeia, esse fenômeno, diz ele, gera a perda de uma cultura industrial difícil de recuperar. "Ficaremos sem a qualificação da mão de obra e do empresário e sem as rotinas de trabalho industrial. Isso não é refeito de uma hora para outra."

A perda de dinamismo dos segmentos de têxteis e confecções refletiu na ocupação. Enquanto o emprego industrial total cresceu 1% em 2011, na comparação com o ano anterior (segundo a pesquisa de emprego industrial do IBGE), na indústria têxtil e de vestuário houve redução de 1,08% e 3,23%, respectivamente.

Os dados da balança comercial Brasil-China mostram outro lado perverso da desestruturação do setor no país: parte das roupas importadas pelo Brasil pode estar sendo produzida com algodão verde-amarelo. A China mais que triplicou as compras do algodão brasileiro no ano passado em relação a 2010, quando passaram de US$ 140 milhões para US$ 569 milhões. Os números não são decorrentes apenas da alta no preço da commodity. O volume registrado foi 325% maior do que o verificado em 2010. Com o salto, os chineses deixaram de ser o terceiro destino do produto nacional para serem os primeiros, passando à frente de coreanos e indonésios, absorvendo 31% do total da exportação brasileira dessa commodity.

"Metade da cadeia têxtil vai desaparecer", estima Luiz Carlos Sandim, diretor da Sanfios, fabricante de chenille, um fio em tecido especial usado principalmente em sofás. Ele conta que no ano passado seu faturamento caiu um terço em relação a 2010.

Instalada em Americana, polo têxtil do interior paulista, a empresa beneficia um fio que vai para outra fiação para só depois virar tecido. Por isso, é difícil diversificar a produção. Em função do número menor de encomendas, a empresa também demitiu um terço dos funcionários.

Para alguns, mesmo a diversificação não tem sido suficiente. Em Santa Bárbara do Oeste, a Sandra Têxtil produz tecidos planos. Em 2008, conta o dono, Ede Villanassi, 40% de sua produção de tecidos era destinada a vestuário. Hoje apenas 15% dos tecidos que fabrica se transformam em roupas.

A empresa tentou compensar a perda de parte da clientela produzindo mais para outros setores. A indústria de calçados, por exemplo, que há menos de cinco anos representava 45% de suas vendas, hoje responde por 70% do faturamento. A maior dependência do setor calçadista, porém, começa a preocupar Villanassi. "A indústria de sapatos também está começando a sentir a concorrência dos importados", diz o empresário.

A Sandra Têxtil passou a produzir para fabricantes de bolsas, segmento que não atendia antes e que significa 5% do faturamento da empresa. Outros 10% da sua produção vão para móveis. "Estamos fazendo de tudo." Ele lembra, porém, que o fornecimento para indústrias como calçados, bolsas e móveis tende a oscilar mais. "O uso de tecido para esses clientes muda muito conforme a moda."

Por isso, mesmo diversificando, a empresa não é exceção no setor têxtil. Villanassi conta que até 2010 mantinha ocupada cerca de 80% da capacidade de produção. No primeiro semestre a ocupação caiu para 60%. "Atualmente estamos produzindo com 37%." O número de trabalhadores caiu de 18 em 2010 para dez hoje.

A diminuição da produção têxtil no país no ano passado foi sentida também por quem está no começo de toda a cadeia de algodão. A trading InterAgrícola compra algodão em pluma dos produtores e o vende a indústrias no mercado.

Enquanto em 2010 60% das saídas do produto destinavam-se ao mercado interno e 40% ao externo, a proporção se inverteu no ano passado. Como o algodão é uma commodity, não há diferença para a trading em vender para fora ou abastecer a demanda brasileira, de acordo com o diretor da empresa e vice-presidente da Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea), Marco Antonio Aluísio. "É até um pouco mais vantajoso vender aqui em razão do custo do frete", diz. Mas as vendas ao mercado externo se aqueceram com o apetite internacional. A China, que aumentou suas vendas de têxteis e vestuário ao país no ano passado, é o maior compradora da companhia, que contabilizou aumento de 20% no volume de vendas.

Fonte:|http://www.valor.com.br/brasil/2531100/importacao-em-alta-desestrut...

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Respostas a este tópico

ALBERTO CHIAVOLONI.....vc é o """cara""""...asim como tantos outros....realmente vc é o """cara"""" !!!!!cacete...pense antes de falar....( nao faça como eu que irritado com esta situação toda que vivemos, em total stress troquei a Jolitex por outra Jolitex!!!!!) ....se nao respirarmos somente falaremos mer.......

vc vive a area...está rachando de ganhar $$$ em cima de:

a) desumanidade que os trabalhadores chineses se submetem para obter ridiculos salarios!!!!( atualmente estão na faixa de 100 a 150 usd ) 

b) a china dá escola, hospital ....mais nada!!!!

c) esfolam o povo....e cresce às duras penas!!!!

e) nao tem direitos trabalhistas!!! sendo que no Brasil os colaboradores tem MUITO DIREITO e pouca OBRIGAÇÃO!!!! devido aos infames sindicatos de trabalhadores!!!!

d) veja o video que é uma realidade , e está postado tb no grupo primavera 

www.youtube.com/embed/2yL7t0j_4tQ

 

alias vc participa deste grupo????

e) a china desvaloriza a moeda virtualmente , ou melhor FRAUDA  o cambio....para poder se manter no mercado, pois o custo china tem subido em média 20% ao ano!!!! 

f) para cada CNT exportado, o governo cobra no final somente 4%, do VALOR DECLARADO ..... pois o imposto total na china é de 20%, e o governo arca com 16% para incentivar as industrias!!!!! ( quase igual ao Brasil, nao achas???)

g) durante as ferias de ano novo chines, praticamente nao se trabalha, e tb os colaboradores/escravos nao recebem!!!! ( quase igual ao Brasil..não achas???)

h) ministerio de trabalho???? existe na china??/sim....e te garanto que é quase igual ao nosso...não achas????

i) sindicatos??? tb estão se formando na china,e atuando MACIÇAMENTE entretanto como tb estão em crise, eles vão apoiar o empresario!!!! e lançam maos de todos os artificios para manter os empregos, porém com prejuizos exclusivamente aos colaboradores JÁ QUE A MARGEM DE LUCRO NA CHINA NAO CHEGA A 5% EM MÉDIA!!!! se preciso for, trabalham apenas empatando, pois tem a cultura de gerar empregos!!! se nao a empresa é literalmente fechada e passado para outro empresario!!!  vc sabia disto????tem empresas que mudam de proprietario, 5 até 6 vezes ao ano!!!!!!  ou SERÁ QUE SOMENTE OS EMPRESARIOS BRASILEIROS  SÃO GANANCIOSOS E BURROS?????????


j) o que me alegra, e me dá esperança, é que conversando com muitos empresarios de Americana, a maioria somente importa por uma necessidade de manter negocios, mas não é do gosto!!!! apesar da ganância sempre falar mais alto!!!!

k) vc sabe que a ALCOA de POÇOS DE CALDAS está em proceso de fechamento??? o governo de Minas está ""tentando"" segura-la....porem ficou mais facil produzir na china, apesar de afetar cerca de 40.000 pessoas direta/indiretamente !!!!

l) vc sabe que estamos importando alumio mais barato que o custo industrial??/o mesmo está acontecendo com o aço??? e nós exportamos a materia prima!!! Somos chorões???? somos irreesponsaveis????

m) sabes que o filho de Lulla...ele mesmo....tem uma mineradora em Poços de Caldas....que somente exporta??? e sabe quem determoina os preços??? uma cambada de canalhas do nosso governo!!!! e somos chorões???

n) vc acha justo que o BNDS empreste $$$ para capital de giro, e o mesmo seja empregado em importaçoes ????alias em mAmericana tem empresario fazendo isto!!!!!

o) a MAXIM , citada acima, é minha....e em janeiro do ano passado eu empregava 34 funcionarios...sabe qros emprego agora???? somente 12 !!!!!!! sabe o que isto significa para uma cidadezinha do interior de MInas ???? e no proximo mes devo demitir mais 3 a 4 !!!!!

tinha em janeiro de 2011 8 clientes.....hoje somente 2 !!!!!!!!!

e faço um produto que ninguem mais no Brasil faz!!!! entretanto meus clientes foram para a china e estão trazendo o produto pronto, ou seja : nao aplicam a mao de obra na confecção que antes era utilizada!!!

o preço deste produto tinto é de R$ 14,00 em média......e tem que sofrer um processo posterior para se obter outro produto final para venda......e sabe qto custa este produto que fabrico , porem já transformado????pronto para a venda???o ridiculo valor de 3 usd/kg !!!!!!!!  ah...desculpe...é que tb faço parte do grupo de chorões de Americana!!!! e assim vai!!!!!

 

veja e analise bem a situação de Tomic, de Ede, da Sanfios,Maxim ....é igual a de muitos outros!!!! que trabalham seguramente 12 horas/dia ( e nao somos chineses..!!!!)

somos chorões indignados com vossa postura, que apenas cumprimos nossa função social : GERAR EMPREGOS!!!PAGAR TRIBUTOS!!!!

PORTANTO , VC DEVERIA TRABALHAR NA ABITEX JUNTO SOM O SR JONATAN QUE FALA ASNEIRAS DEFENDENDO SEU PEDAÇO....E DE FORMA IRRESPONSAVEL, POIS NAO SE PREOCUPA COM O QUE ESTAMOS DEIXANDO PARA NOSSOS FILHOS/NETOS!!!! NAO SÃO PATRIOTAS!!! SAO NOCIVOS A SOCIEDADE!!!

e paro por aqui, pois o nosso colega Erivaldo nao permite ofensas....e devo respeitá-los!!! portanto como nao posso falar mais nada para nao passar dos limites, somente posso falar que  VÁ PENTEAR MACACOS!!!! E DE PREFERENCIA NA CHINA!!!!AFINAL VC É “”” O CARA”””””!!!!!!!!!!!!PARABENS!!!!!!!!!!!!!!

vamos oportunamente tb felicitar aos grandes magazines, RENER , LUIZA, PERNAMBUCANAS, COLOMBO, C&A, MARISA, HAVAN...ENTRE OUTROS...


SOMENTE MAIS UMA : TENHO UM GRANDE AMIGO EM FLORES DA CUNHA QUE TRABALHAVA FAZENDO 60.000 PEÇAS DE MALHAS RETILINEA PARA A RENNER, JÁ HÁ MUITOS ANOS,,,, E ALEM DO EMPREGO QUE GERAVA, TB GERAVA PARA 4 OUTRAS MALHARIAS!!! NESTE ANO A RENNER SIMPLESMENTE CANCELOU TODO O PEDIDO, POIS ESTA TRAZENDO TUDO DA CHINA!!!! PQP!!!! NAO DÁ PARA ENTENDER ISTO!!!AGORA TEMOS QUE ALEM DE MANTER BOLSA FAMILIA, TEMOS QUE MANTER EMPREGOS NA CHANA?????

adalberto 19 9764 7960

kkkkk.....perdoe-me pelo lapso amigo Adalberto.

 

Nomes quase que iguais, porém com posições antagônicas.

 

Abraços.

 

Edson Machado

adalberto oliveira martins filho disse:

Edson ....nao é ADALBERTO e sim ALBERTO!!!!!rs...rs.....

Edson.....nao é ADALBERTO....e sim ALBERTO...rs..rs....parabéns por contestar !!!! nao dá para segurar realmente!!! sinto que somos desrespeitados por quem deveria simplesmente dar apoio!!!!vai chegar o momento que nao será facil vender nem mimportado....mas vou terminar de ler e responder...abç/adalberto

Edson Machado da Silva disse:

Permita-me discordar da sua visão Sr. Alberto, pois estamos na mesma área (comercial) e busco (até o momento) representar produtos da minha região (Americana e adjacências - RPT).

1) Quando o senhor fala em visão internacional, em 2005 (último ano antes da entrada de produtos chineses) fomos (o setor têxtil nacional) o 2º setor que mais exportou e o que mais gerou emprego nestge país. De lá para cá perdemos nossa visão internacional???;

 

2) Quando o senhor fala em COPY (acho que o senhor quis dizer que copiamos somente, ou seja, não criamos nada), tanto a China, quanto a Índia, recebem milhões de cortes de tecidos brasileiros, de "empresários" brasileiros, para serem copiados identicamente à fim de devolverem o mesmo em toneladas e toneladas e tecidos baratos;

 

3) Quanto à última frase, o senhor está dizendo que as pequenas e médias empresas não conseguem importar, o senhor está redondamente enganado. A situação do produto nacional está bastante precária porque perdemos, também, as pequenas e micro-empresas para os asiáticos.

 

Sr. Alberto, creio que quando o senhor teceu este infeliz comentário, não levou em consideração aos principais entraves que temos, que nos proibem de sermos competitivos, que são: carga tributária (custo brasil), custo de energia elétrica, logística (etradas ruins, portos ultrapassados, ferrovias sucateadas, etc), juros altíssimos que nos proibem de fazermos investimentos, moeda supervalorizada (enquanto a China desvaloriza a sua moeda à fim de serem mais competitivos ainda). Isso sem levar em conta a cultura do povo chinês que se contentam em trabalhar 18 por dia para ganharem US$ 100 ao mês e o incentivo que o governo chinês dá para os exportadores daquele país. Também, sem levar em consideração as importações ilegais e, também, o controle rígido que temos aqui no Brasil quanto ao meio ambiente (e isso eu estou de acordo - temos que preservar, sim, o meio ambiante), no acabamento do tecido.

 

E penso também, Sr. Alberto, que a facilidade com que o senhor teceu estes comentários, que talvez o senhor esteja na posição errada de representante comercial, ou seja, o senhor poderia tornar-se um consultor de todas estas empresas "choronas", principalmente das de Americana (como o senhor mesmo disse. Aqui está cheio de empresários chorões, que desmpregam todo dia - ano passado foram 2000 só em Americana). Tenho certeza que o senhor, além de ajudar o seu país, valorizando o produto nacional e, por conseguinte, salvando as empresas brasileiras e gerando emprego e renda para fomentar, ainda mais, o consumo, iria, também, ganhar mais dinheiro do que representando/valorizando os produtos asiáticos, pois com uma visão inovadora o senhor cobraria o quanto quisesse com a consultoria, e eu mesmo arrumaria um monte de empresas aqui em Americana para o senhor (quem sabe não poderíamos fazer uma parceria, hein, o que o senhor acha?).

 

Saudações Sr. Adalberto.

 

Edson Machado

 

 

 

Alberto Chiavoloni Junior disse:

É sempre a mesma choradeira, se os Empresarios Nacionais tivessem a visão internacional e não simplesmente a Local(Americana), eles não estariam passando por isso, outros paises os quais os Empresários tem mais visão internacional(Pakistão, India, Afeganistão, Egito), ja resolveram essas questões e ja estão colhendo frutos disso, e vejam bem eles tem o maior de todos os problemas:GUERRAS

Tentem serem mais unidos e  praticarem menos o famoso COPY. Criem mais, façam coisas diferentes.

Se os grandes conseguem importar, os medios e pequenos não conseguem, que tal começarem a valorizarem os pequenos medios e pequenos....

 

Infelizmente faltou visão comercial para os empresários texteis no Brasil, qdo eu falava a eles há 8 anos atraz que isso estava acontecendo nos USA e era para eles começarem a procurar caminhos e soluções para o seus negocios, eles riam da desgraça dos Americanos, pois bem os Americanos fecharam as suas fabricas nos USA, foram para a China, continuaram a ganhar dinheiro, agora que eles já não estão achando mais vantajoso continuar na China, estão voltando a abrir as empresas novamente, com teares e equipamentos de ultima geração e conquistando o mercado americano novamente, inclusive trazendo e dando empregos a muitos Chineses dentro dos USA. Isso sim é visão comercial, nacional e internacional ou seja globalização.

E os empresários nacionais vão fazer o que?

Ia me esquecendo caso eu tenha usado o termo errado como "Chorões" eles na relidade foram incopetentes.

Qto as Jolitex, pelo que eu sei a de Americana, pelo menos vai indo muito bem, tanto com os produtos fabricados no Brasil, como os que tem importado maciçamente.

Isso sim é visão de negocios.

Agora me diga uma coisa com toda a sinceridade, Vc acha que eu acredito que Vc está preocupado com a vida que os empregados chineses tem? Vc ja perguntou a algum deles se eles estão felizes? Eu já e eles estão muito felizes e ficaram pasmos quando eu disse que aqui no Brasil não se trabalha de sabado.....

 

 

Pois é sr Alberto,

Há 8 anos atrás o senhor, enxergando tão longe, não conseguiu convencer os empresários sem visão comercial. Diante de tamanha visão sua, o que lhe faltou para convencê-los? Competência?

Ou será que não os convenceu por apresentar uma argumentação tão chula e vazia quanto essas que tem feito?

Vomitar um monte de asneiras é muito fácil. Justificá-las demora um pouco mais.

Faça um desafio.

Em comentário recentemente mostrei que uma TV do mesmo modelo e marca (Samsung), vendida pela mesma rede (Walmart) custa 51% a mais no Brasil em relação aos EUA. 51%!!! É pouca diferença?

Qual é a diferença sr. Alberto? Porque o Walmart daqui, que a princípio deve ter o mesmo estilo de gestão, é tão mais incompetente que o de lá? Não é 5%. É 51% de diferença!!!

Oras, se é um equipamento produzido pelo mesmo fabricante e vendido pela mesma rede, então porque tamanha diferença de preços?

Pesquise e nos responda!

Não vale argumentos como câmbio, carga tributária, encargos trabalhistas, e etc., porque esses são argumentos de chorões e incompetentes.

Responda-nos com argumentos risonhos e competentes, onde está a incompetência entre o Walmart daqui e o dos EUA.

Quero entender melhor para ficar tão feliz quanto aos chineses que o senhor disse que entrevistou, porque também trabalho aos sábados, domingos e feriados.

Olá Amigos do Mercado Têxtil,

È por essa e outras discussões que eu gosto de acompanhar este fórum...

Eu trabalho há 11 anos no mercado e sou Técnico Têxtil formado no Senai Francisco Matarazzo do Brás.

Eu nunca respondi nenhuma discussão que envolve este assunto polêmico (importados x nacionais). 

Mas, eu faço questão de colocar o meu ponto de vista técnico (talvez um pouco patriota) nessa discussão, acredito ser útil para deixarmos de lado um pouco a questão comercial e refletirmos sobre a questão técnica também...

Sinto-me honrado em compartilhar a minha opinião com pessoas importantes e influentes do setor têxtil. Sinceramente estou até com "medo" de ser mal interpretado...Minhas intenções são boas, vou tentar ser claro e objetivo...

Na minha humilde opinião esta questão de importados x nacionais é uma faca de 02 gumes...

De certa forma, as pessoas estão inclinadas a defender os seus interesses...Isso é natural...

Sinceramente, eu vou comentar de forma neutra, ou seja, não tenho o interesse de produzir tecidos no Brasil e nem vender importados, por que eu sou Técnico têxtil, amo o que eu faço e quero apenas continuar trabalhando neste mercado maravilhoso...

Sou funcionário, não tenho autonomia para decidir com qual matéria-prima a empresa vai trabalhar. Tenho que cumprir ordens e orientar os diretores com relatórios, análises, comparativos de qualidade, preços, demonstrativos de perdas, etc...

Há alguns anos atrás eu trabalhava na área de Desenvolvimento de Produtos em uma grande empresa. Conforme o amigo Edson Machado comentou, em meados de 2005 nós iniciamos os desenvolvimentos com produtos asiáticos.

No começo, a qualidade era completamente inferior.

Mas, uma coisa chamou a atenção: O atendimento e a resposta.

Eu enviava por courier uma amostra de Fio texturizado Tinto em Massa para alguma empresa Asiatica desenvolver, em 05 dias esta amostra estava de volta...

Eu solicitava o mesmo trabalho para os fornecedores nacionais e a resposta dos vendedores era sempre a mesma: Vai demorar de 60-90 dias por que o fornecedor de pigmentos demora 30 dias para entregar, tenho que parar a produção para fazer sua amostra, etc, etc e etc...

Outro detalhe: Você enviava o e-mail com as informações básicas (solidez, espessura, etc..) para os Chineses e a resposta era em 05 dias a amostra por courier para você analisar.

Já no mercado nacional, você enviava as mesmas informações (verdade, eram as mesmas informações) e o vendedor começava o questionário enorme de dúvidas e perguntas por e-mail. Nessa burocracia o mesmo já perdia umas 02 semanas para iniciar o desenvolvimento do produto.

Com o passar dos anos eu percebi que de tanto reclamarmos e orientarmos, a qualidade asiática melhorou consideravelmente...No começo eu falava até palavrões (é uma m..., isso nunca vai ter qualidade, etc...) dos produtos asiáticos, hoje eu posso afirmar que já tenho mais "confiança" na qualidade desses produtos...

Mas, por outra lado, a concorrência de fato é desleal...Por mais moderna que seja a fábrica nacional, se continuar do jeito que está, infelizmente ela nunca vai conseguir competir com os importados da Asia, isto é óbvio...

Eu conheço empresas de fios de Poliéster modernas, com tecnologia de ponta e rigorosos controles de produção para garantir alta produtividade e são empresas aqui do Brasil... Eles não conseguem chegar nem perto dos preços dos importados...Como isto é possível??? Ninguém faz mágica no mercado, os custos são mundias e conhecemos quase todos os fornecedores...

Teve um caso que eu recebi uma amostra de tecido Asiatico (Cor Branca) para avaliar, e quando eu coloquei o material na mesa de revisão, pode parecer brincadeira, mas não é, o material tinha pegadas de uma criança descalça, acredito que o tamanho do pé era 28 ou 30, não lembro...Na hora eu já imaginei crianças correndo e brincando dentro das fábricas, enquanto seus pais trabalham duro para conseguir algum dinheiro...

Eu nem gosto de comentar por que eu fico revoltado, na minha opinião, eu teria vergonha de participar de um governo que não se preocupa com a qualidade de vida das pessoas e explora o próprio povo...

Está claro que isso acontece na Asia, mas, é vergonhoso para uma nação...

Já fui convidado para ir a China, mas não tenho interesse por que eu sei que vou ficar revoltado...

A verdade é que estamos alimentando um Dragão...Se continuarmos assim, os problemas futuros são de proporções inimagináveis, Acordem por que A indústria têxtil nacional está em extinção...Parque dos Dinossauros é ficção gente...Steven Spielberg não é Técnico Têxtil...Uma vez morta nunca mais será recuperada...

Como já foi dito milhões de vezes aqui neste Fórum, de fato o custo Brasil é muito alto...O mercado nacional não tem como competir com os importados, e para piorar os Asiaticos melhoram a qualidade dos seus produtos na velocidade da Luz...

Outro detalhe, hoje além de copiar eles criam...Quem pensa que eles só copiam está completamente enganado...Eles investem em desenvolvimento e inovação...Eu recebo semanalmente catálogos criativos, bem elaborados e com novos produtos...A era Asiatica CRTLC/CRTLV já ficou no passado...

Uma coisa importante que aprendemos com os Asiaticos é a objetividade e simplicidade...Nós brasileiros temos o costume de complicar o simples...E também, não se preocupamos com os mínimos detalhes, gastamos muito dinheiro onde não precisa...Perdemos muito tempo com assuntos fúteis e que não agregam nada de valor...Após anos de trabalho com produtos Asiaticos eu melhorei muito como profissional...Procuro ser direto e objetivo...Minha produtividade aumentou consideravelmente...Me preocupo com gastos desnecessários...Tempo jogado fora é desperdicio, ou seja, é dinheiro no ralo....Agora eu sou paranóico com a questão: melhoria constante...

A minha dica para os empresários nacionais é: Invistam em desenvolvimento e pesquisa avançada, motivem e valorizem os bons funcionários, principalmente os criativos, com isso, você vai conseguir colaboradores melhores, vai produzir mais, sem aumentar o quadro de funcionários...Façam uma análise avançada na lista de compra das suas fábricas... Só para exemplo: A empresa que eu trabalho comprava tubo de papelão de uma fábrica que fica em Minas gerais....Fiz uma pesquisa (aqui no fórum mesmo) e indicaram-me uma empresa aqui em SP, que por coincidência fica 7 km da fábrica que eu trabalho...Fizemos a cotação e o tubo ficou R$ 0,35 mais barato...O consumo é de 15000 unidades mês...Tudo dentro de uma empresa é importante para o resultado final, desde uma simples agulha até os custos maiores...As pessoas são fundamentais para virar este jogo...Quem cria e faz a diferença são as pessoas...Rôbos não pensam, apenas executam, do que adianta ter uma fábrica cheia de rôbos onde nada é melhorado, evoluido ou até mesmo reduzido...

Eu sei que tudo está jogando contra: Carga Tributária, Cãmbio, Encargos Trabalhistas, Dumping, Importações Ilegais, etc...

Mas, será que a lição de casa foi feita com qualidade...Será que a casa está em ordem???Será que eu já fiz tudo que era possível para não fechar as portas???

Enfim, sou patriota, fico triste com as demissões e muito preocupado com a situação atual do mercado têxtil...

Tentei ser neutro, mas, meu coração brasileiro fala mais alto, eu amo esse País e Sr. Adalberto se de fato o Sr. quiser organizar uma manifestação para sair as ruas e tentar conseguir melhorias para o setor...Estamos juntos para gritar e exigir incentivos para o setor...

 

Abraço a Todos!!!

Sr Paulo Cesar

Até que enfim apareceu uma cabeça pensante nessa discussão, por todos esses problemas que o Sr. passou e passa com fornecedores, eu infelizmente já passei e por tudo isso acabei indo trabalhar para o lado de lá, se tivesse até hj esperando as amostras dos empresários brasileiros, e respostas de emails dos mesmos, eu ja estaria ajudando os empresários a fechar as portas aqui no Brasil.

Represento hj 50 tecelagens da China, 25 do Pakistão, 50 da India, isso só de tecidos, fios e toalhas, fora as centenas de convites que tenho diariamente dos fabricantes de confecções e cama e mesa que estão loucos para vender aqui no Brasil e tenho recusado.

De todos os seus brilhantes argumentos, somente um o Sr. não está totalmente bem informado: acabei de chegar da China e visitei algumas das mlhares de tecelagens que o meu tempo me permitiu e o que eu vi foi o seguinte:

Fabricas super modernas, totalmente informatizadas, com teares de ultima geração, funcionários todos uniformizados e felizes.

No tocante a qualidade, todas as fabricas me apresentaram Engenheiros Texteis, para falar sobre os produtos e processos de produção.

Todas as fabricas desde as pequenas(300 teares) até as bem grandes(1500 teares) tinham o seu depto de exportação com no minimo 3  pessoas falando com o mundo todo.

Em todas as fabricas elas estavam totalmente verticalizadas desde a tecelagem até os acabamentos finais dos tecidos e com orgulho me mostravam os tratamentos de agua e residuos.

Com relação a salários, os tecelões lá tem que entender de informatica, pois os teares e toda a produção estão todas informatizadas e eles ganham em torno de U$D 300 por mes, mas pagam U$D 50 do seu carro zero e com muito orgulho mais U$D 100 de universidade com o que sobra ou seja 150 vivem muito confortavelmente e felizes.

Os funcionarios do escalão de cima ou seja Engenheiros Texteis e de exportação, ganham em torno de 500 por mes e da mesma forma tem os mesmo gastos, pois muitos ainda estão pagando ao governo os estudos.

Qdo da proxima vez Vc ter a possibilidade de ir visitar a China, não perca, pois Vc vai ver que infelizmente aqui no Brasil esse setor está ha mais ou menos 1 seculo atrazado.

Qdo me falaram que na China tinha tecelagens com 3 mil teares eu não acreditei, mas tem...

Outra coisa lá os empresarios são unidos na hora de reinvidicar as coisas do governo...

Desculpe pela minha falta de educação...se precisar de alguma coisa estou as ordens

Abraços

Alberto

 

 

 

 

 


Caro Edson,

Há 8 anos atraz estive em um congresso de Não-Tecidos em Charlote na Carolina do Norte e em uma só avenida de aproximadamente 5 kms tinham pelo menos 50 tecelagens já fechadas e que ja haviam se transferidos para a China .

Já naquela epoca qdo retornei, disse isso tudo ao muitos empresários brasileiros do setor textil, inclusive sugerindo que os mesmos trocassem os seus teares, para melhorar a produtividade, começassem a prospectar novos clientes e nichos de mercados.

Alguns que além de me ouvirem e ja estavam sabendo dessas possiveis tempestades, fizeram essas mudanças, sendo que uns acertaram mais outros menos, mas hj estão ainda com o nariz fora dágua.

Muitos outros deram de ombros e se preocuparam, em vez de trocarem os seus teares ribeiro e owa, por alguns mais modernos, e construirem seus proprios galpões, preferiram comprar uma chacara e uma caminhonete diesel nova, para deixar na porta da fabrica, para mostrar aos seus vizinhos.

Eu trabalhei em uma empresa e lá tinha um superintendente que falava assim: No Brasil tem empresários que olham para o Norte/ Nordeste e enchergam Salvador, Recife.... outros enxergam Nova York, o que posso eu fazer? eles acreditaram na intuição deles....

Qto ao Walmart eles estão indo tão bem aqui como lá é só uma questão de como administrar a COISA.

 

 

 


Edson Baron disse:

Pois é sr Alberto,

Há 8 anos atrás o senhor, enxergando tão longe, não conseguiu convencer os empresários sem visão comercial. Diante de tamanha visão sua, o que lhe faltou para convencê-los? Competência?

Ou será que não os convenceu por apresentar uma argumentação tão chula e vazia quanto essas que tem feito?

Vomitar um monte de asneiras é muito fácil. Justificá-las demora um pouco mais.

Faça um desafio.

Em comentário recentemente mostrei que uma TV do mesmo modelo e marca (Samsung), vendida pela mesma rede (Walmart) custa 51% a mais no Brasil em relação aos EUA. 51%!!! É pouca diferença?

Qual é a diferença sr. Alberto? Porque o Walmart daqui, que a princípio deve ter o mesmo estilo de gestão, é tão mais incompetente que o de lá? Não é 5%. É 51% de diferença!!!

Oras, se é um equipamento produzido pelo mesmo fabricante e vendido pela mesma rede, então porque tamanha diferença de preços?

Pesquise e nos responda!

Não vale argumentos como câmbio, carga tributária, encargos trabalhistas, e etc., porque esses são argumentos de chorões e incompetentes.

Responda-nos com argumentos risonhos e competentes, onde está a incompetência entre o Walmart daqui e o dos EUA.

Quero entender melhor para ficar tão feliz quanto aos chineses que o senhor disse que entrevistou, porque também trabalho aos sábados, domingos e feriados.

"Totalmente verticalizadas da tecelagem ao acabamento" Isto nem passa perto de verticalização

Totalmente verticalizadas de fato não, mas que estão bem melhor de muitas daqui que ficam na mão de muitas tinturarias sem a minima qualidade e respeito pelo cliente estão, ou não?

Aqui no Brasil Vc manda um tecido para acabar na tnturaria e eles de fato ACABAM COM O TECIDO.

 

Valeu Paulo.

Abração,

Erivaldo

Paulo Cesar Alexandre Freire disse:

Olá Amigos do Mercado Têxtil,

È por essa e outras discussões que eu gosto de acompanhar este fórum...

Eu trabalho há 11 anos no mercado e sou Técnico Têxtil formado no Senai Francisco Matarazzo do Brás.

Eu nunca respondi nenhuma discussão que envolve este assunto polêmico (importados x nacionais). 

Mas, eu faço questão de colocar o meu ponto de vista técnico (talvez um pouco patriota) nessa discussão, acredito ser útil para deixarmos de lado um pouco a questão comercial e refletirmos sobre a questão técnica também...

Sinto-me honrado em compartilhar a minha opinião com pessoas importantes e influentes do setor têxtil. Sinceramente estou até com "medo" de ser mal interpretado...Minhas intenções são boas, vou tentar ser claro e objetivo...

Na minha humilde opinião esta questão de importados x nacionais é uma faca de 02 gumes...

De certa forma, as pessoas estão inclinadas a defender os seus interesses...Isso é natural...

Sinceramente, eu vou comentar de forma neutra, ou seja, não tenho o interesse de produzir tecidos no Brasil e nem vender importados, por que eu sou Técnico têxtil, amo o que eu faço e quero apenas continuar trabalhando neste mercado maravilhoso...

Sou funcionário, não tenho autonomia para decidir com qual matéria-prima a empresa vai trabalhar. Tenho que cumprir ordens e orientar os diretores com relatórios, análises, comparativos de qualidade, preços, demonstrativos de perdas, etc...

Há alguns anos atrás eu trabalhava na área de Desenvolvimento de Produtos em uma grande empresa. Conforme o amigo Edson Machado comentou, em meados de 2005 nós iniciamos os desenvolvimentos com produtos asiáticos.

No começo, a qualidade era completamente inferior.

Mas, uma coisa chamou a atenção: O atendimento e a resposta.

Eu enviava por courier uma amostra de Fio texturizado Tinto em Massa para alguma empresa Asiatica desenvolver, em 05 dias esta amostra estava de volta...

Eu solicitava o mesmo trabalho para os fornecedores nacionais e a resposta dos vendedores era sempre a mesma: Vai demorar de 60-90 dias por que o fornecedor de pigmentos demora 30 dias para entregar, tenho que parar a produção para fazer sua amostra, etc, etc e etc...

Outro detalhe: Você enviava o e-mail com as informações básicas (solidez, espessura, etc..) para os Chineses e a resposta era em 05 dias a amostra por courier para você analisar.

Já no mercado nacional, você enviava as mesmas informações (verdade, eram as mesmas informações) e o vendedor começava o questionário enorme de dúvidas e perguntas por e-mail. Nessa burocracia o mesmo já perdia umas 02 semanas para iniciar o desenvolvimento do produto.

Com o passar dos anos eu percebi que de tanto reclamarmos e orientarmos, a qualidade asiática melhorou consideravelmente...No começo eu falava até palavrões (é uma m..., isso nunca vai ter qualidade, etc...) dos produtos asiáticos, hoje eu posso afirmar que já tenho mais "confiança" na qualidade desses produtos...

Mas, por outra lado, a concorrência de fato é desleal...Por mais moderna que seja a fábrica nacional, se continuar do jeito que está, infelizmente ela nunca vai conseguir competir com os importados da Asia, isto é óbvio...

Eu conheço empresas de fios de Poliéster modernas, com tecnologia de ponta e rigorosos controles de produção para garantir alta produtividade e são empresas aqui do Brasil... Eles não conseguem chegar nem perto dos preços dos importados...Como isto é possível??? Ninguém faz mágica no mercado, os custos são mundias e conhecemos quase todos os fornecedores...

Teve um caso que eu recebi uma amostra de tecido Asiatico (Cor Branca) para avaliar, e quando eu coloquei o material na mesa de revisão, pode parecer brincadeira, mas não é, o material tinha pegadas de uma criança descalça, acredito que o tamanho do pé era 28 ou 30, não lembro...Na hora eu já imaginei crianças correndo e brincando dentro das fábricas, enquanto seus pais trabalham duro para conseguir algum dinheiro...

Eu nem gosto de comentar por que eu fico revoltado, na minha opinião, eu teria vergonha de participar de um governo que não se preocupa com a qualidade de vida das pessoas e explora o próprio povo...

Está claro que isso acontece na Asia, mas, é vergonhoso para uma nação...

Já fui convidado para ir a China, mas não tenho interesse por que eu sei que vou ficar revoltado...

A verdade é que estamos alimentando um Dragão...Se continuarmos assim, os problemas futuros são de proporções inimagináveis, Acordem por que A indústria têxtil nacional está em extinção...Parque dos Dinossauros é ficção gente...Steven Spielberg não é Técnico Têxtil...Uma vez morta nunca mais será recuperada...

Como já foi dito milhões de vezes aqui neste Fórum, de fato o custo Brasil é muito alto...O mercado nacional não tem como competir com os importados, e para piorar os Asiaticos melhoram a qualidade dos seus produtos na velocidade da Luz...

Outro detalhe, hoje além de copiar eles criam...Quem pensa que eles só copiam está completamente enganado...Eles investem em desenvolvimento e inovação...Eu recebo semanalmente catálogos criativos, bem elaborados e com novos produtos...A era Asiatica CRTLC/CRTLV já ficou no passado...

Uma coisa importante que aprendemos com os Asiaticos é a objetividade e simplicidade...Nós brasileiros temos o costume de complicar o simples...E também, não se preocupamos com os mínimos detalhes, gastamos muito dinheiro onde não precisa...Perdemos muito tempo com assuntos fúteis e que não agregam nada de valor...Após anos de trabalho com produtos Asiaticos eu melhorei muito como profissional...Procuro ser direto e objetivo...Minha produtividade aumentou consideravelmente...Me preocupo com gastos desnecessários...Tempo jogado fora é desperdicio, ou seja, é dinheiro no ralo....Agora eu sou paranóico com a questão: melhoria constante...

A minha dica para os empresários nacionais é: Invistam em desenvolvimento e pesquisa avançada, motivem e valorizem os bons funcionários, principalmente os criativos, com isso, você vai conseguir colaboradores melhores, vai produzir mais, sem aumentar o quadro de funcionários...Façam uma análise avançada na lista de compra das suas fábricas... Só para exemplo: A empresa que eu trabalho comprava tubo de papelão de uma fábrica que fica em Minas gerais....Fiz uma pesquisa (aqui no fórum mesmo) e indicaram-me uma empresa aqui em SP, que por coincidência fica 7 km da fábrica que eu trabalho...Fizemos a cotação e o tubo ficou R$ 0,35 mais barato...O consumo é de 15000 unidades mês...Tudo dentro de uma empresa é importante para o resultado final, desde uma simples agulha até os custos maiores...As pessoas são fundamentais para virar este jogo...Quem cria e faz a diferença são as pessoas...Rôbos não pensam, apenas executam, do que adianta ter uma fábrica cheia de rôbos onde nada é melhorado, evoluido ou até mesmo reduzido...

Eu sei que tudo está jogando contra: Carga Tributária, Cãmbio, Encargos Trabalhistas, Dumping, Importações Ilegais, etc...

Mas, será que a lição de casa foi feita com qualidade...Será que a casa está em ordem???Será que eu já fiz tudo que era possível para não fechar as portas???

Enfim, sou patriota, fico triste com as demissões e muito preocupado com a situação atual do mercado têxtil...

Tentei ser neutro, mas, meu coração brasileiro fala mais alto, eu amo esse País e Sr. Adalberto se de fato o Sr. quiser organizar uma manifestação para sair as ruas e tentar conseguir melhorias para o setor...Estamos juntos para gritar e exigir incentivos para o setor...

 

Abraço a Todos!!!

Prezado Sr. Alberto,

Agradeço aos elogios. Concordo com o Sr. na questão mão de obra,  realmente eu não estou totalmente informado em relação ao operacional Asiatico e na qualidade de vida das pessoas...De fato, eu nunca fui a China para verificar com os meus próprios olhos a situação dos trabalhadores e da sociedade...Na verdade, tenho amigos que já foram para China há alguns anos e todos eles relataram situações precárias no ambiente de trabalho e nas moradias, são pessoas confiáveis...Sinceramente, esta é a primeira vez que leio algo positivo sobre a mão de obra na China...Uma coisa é você conhecer o lugar e ver pessoalmente as instalações para tirar suas próprias conclusões...Acredito, que ás vezes o pessoal especula demais e as coisas não são nada daquilo que você escuta pelo mercado. Eu não dúvido que as coisas na China sejam dessa forma por que eu comecei a trabalhar com importados em 2005 e eles evoluiram muito com o passar dos anos, mas, também não dúvido que os trabalhadores ganham pouco e são explorados...Enfim, é preciso filtrar e verificar as informações para não tirar conclusões precipitadas...

Se existem tecelagens com 3 mil teares (Jato de Ar ou àgua que produz acima de 1000 RPM), então, estamos fritos!!!

Não sou especialista em Economia, mas, acredito que para melhorar a situação têxtil nacional o problema e a responsabilidade não é somente do governo...Para melhorar o governo deve incentivar, cobrar menos impostos, facilitar o acesso e liberar mais crédito, aumentar a fiscalização dos importados para evitar fraudes, etc... Mas o empresário também tem papel fundamental...Ele precisa modernizar seus parques indústriais, fazer investimentos em máquinas (ou seja, arriscar), achar alternativas mais baratas para os seus processos, reduzir a mão de obra, reduzir custos em geral, etc... Para isso, será necessário uma mudança radical...Uma série de ações conjuntas para incentivar a produção interna...

Enfim, para sermos competitivos só depende de nós brasileiros (Empresários, políticos, etc...).

 

Sou brasileiro e torço pela indústria têxtil nacional...Mas, do jeito que estão as coisas, acho díficil um "fusca" disputar corrida com uma "ferrari"....Sou otimista, eu não jogo a toalha,  ainda acredito que com pessoas sérias e competentes no comando do navio nós chegaremos lá...O dificil é colocar as pessoas sérias e competentes no lugar que realmente elas deveriam estar...

Eu acho que este país só vai para frente quando pararmos de nos preocupar (de forma global, ou seja, em todas as esferas da nossa sociedade) somente com os nossos interesses...

Enfim, esta é a humilde opinião de um técnico têxtil...

Peço desculpas a todos se falei alguma bobagem...

Sr. Alberto, em nenhum momento o Sr. foi mal educado, muito pelo contrário...

Abraço a Todos!


Alberto Chiavoloni Junior disse:

Sr Paulo Cesar

Até que enfim apareceu uma cabeça pensante nessa discussão, por todos esses problemas que o Sr. passou e passa com fornecedores, eu infelizmente já passei e por tudo isso acabei indo trabalhar para o lado de lá, se tivesse até hj esperando as amostras dos empresários brasileiros, e respostas de emails dos mesmos, eu ja estaria ajudando os empresários a fechar as portas aqui no Brasil.

Represento hj 50 tecelagens da China, 25 do Pakistão, 50 da India, isso só de tecidos, fios e toalhas, fora as centenas de convites que tenho diariamente dos fabricantes de confecções e cama e mesa que estão loucos para vender aqui no Brasil e tenho recusado.

De todos os seus brilhantes argumentos, somente um o Sr. não está totalmente bem informado: acabei de chegar da China e visitei algumas das mlhares de tecelagens que o meu tempo me permitiu e o que eu vi foi o seguinte:

Fabricas super modernas, totalmente informatizadas, com teares de ultima geração, funcionários todos uniformizados e felizes.

No tocante a qualidade, todas as fabricas me apresentaram Engenheiros Texteis, para falar sobre os produtos e processos de produção.

Todas as fabricas desde as pequenas(300 teares) até as bem grandes(1500 teares) tinham o seu depto de exportação com no minimo 3  pessoas falando com o mundo todo.

Em todas as fabricas elas estavam totalmente verticalizadas desde a tecelagem até os acabamentos finais dos tecidos e com orgulho me mostravam os tratamentos de agua e residuos.

Com relação a salários, os tecelões lá tem que entender de informatica, pois os teares e toda a produção estão todas informatizadas e eles ganham em torno de U$D 300 por mes, mas pagam U$D 50 do seu carro zero e com muito orgulho mais U$D 100 de universidade com o que sobra ou seja 150 vivem muito confortavelmente e felizes.

Os funcionarios do escalão de cima ou seja Engenheiros Texteis e de exportação, ganham em torno de 500 por mes e da mesma forma tem os mesmo gastos, pois muitos ainda estão pagando ao governo os estudos.

Qdo da proxima vez Vc ter a possibilidade de ir visitar a China, não perca, pois Vc vai ver que infelizmente aqui no Brasil esse setor está ha mais ou menos 1 seculo atrazado.

Qdo me falaram que na China tinha tecelagens com 3 mil teares eu não acreditei, mas tem...

Outra coisa lá os empresarios são unidos na hora de reinvidicar as coisas do governo...

Desculpe pela minha falta de educação...se precisar de alguma coisa estou as ordens

Abraços

Alberto

 

 

 

 

 

Paulo,

concordo plenamente contigo.

Vc acha que me faz feliz ver empresarios brasileiros quebrando?

Mas fazer o que, todo negocio tem o seu risco e seus percalços.

 

To por aqui

Fico a sua disposiçção

Abraços



Paulo Cesar Alexandre Freire disse:

Prezado Sr. Alberto,

Agradeço aos elogios. Concordo com o Sr. na questão mão de obra,  realmente eu não estou totalmente informado em relação ao operacional Asiatico e na qualidade de vida das pessoas...De fato, eu nunca fui a China para verificar com os meus próprios olhos a situação dos trabalhadores e da sociedade...Na verdade, tenho amigos que já foram para China há alguns anos e todos eles relataram situações precárias no ambiente de trabalho e nas moradias, são pessoas confiáveis...Sinceramente, esta é a primeira vez que leio algo positivo sobre a mão de obra na China...Uma coisa é você conhecer o lugar e ver pessoalmente as instalações para tirar suas próprias conclusões...Acredito, que ás vezes o pessoal especula demais e as coisas não são nada daquilo que você escuta pelo mercado. Eu não dúvido que as coisas na China sejam dessa forma por que eu comecei a trabalhar com importados em 2005 e eles evoluiram muito com o passar dos anos, mas, também não dúvido que os trabalhadores ganham pouco e são explorados...Enfim, é preciso filtrar e verificar as informações para não tirar conclusões precipitadas...

Se existem tecelagens com 3 mil teares (Jato de Ar ou àgua que produz acima de 1000 RPM), então, estamos fritos!!!

Não sou especialista em Economia, mas, acredito que para melhorar a situação têxtil nacional o problema e a responsabilidade não é somente do governo...Para melhorar o governo deve incentivar, cobrar menos impostos, facilitar o acesso e liberar mais crédito, aumentar a fiscalização dos importados para evitar fraudes, etc... Mas o empresário também tem papel fundamental...Ele precisa modernizar seus parques indústriais, fazer investimentos em máquinas (ou seja, arriscar), achar alternativas mais baratas para os seus processos, reduzir a mão de obra, reduzir custos em geral, etc... Para isso, será necessário uma mudança radical...Uma série de ações conjuntas para incentivar a produção interna...

Enfim, para sermos competitivos só depende de nós brasileiros (Empresários, políticos, etc...).

 

Sou brasileiro e torço pela indústria têxtil nacional...Mas, do jeito que estão as coisas, acho díficil um "fusca" disputar corrida com uma "ferrari"....Sou otimista, eu não jogo a toalha,  ainda acredito que com pessoas sérias e competentes no comando do navio nós chegaremos lá...O dificil é colocar as pessoas sérias e competentes no lugar que realmente elas deveriam estar...

Eu acho que este país só vai para frente quando pararmos de nos preocupar (de forma global, ou seja, em todas as esferas da nossa sociedade) somente com os nossos interesses...

Enfim, esta é a humilde opinião de um técnico têxtil...

Peço desculpas a todos se falei alguma bobagem...

Sr. Alberto, em nenhum momento o Sr. foi mal educado, muito pelo contrário...

Abraço a Todos!


Alberto Chiavoloni Junior disse:

Sr Paulo Cesar

Até que enfim apareceu uma cabeça pensante nessa discussão, por todos esses problemas que o Sr. passou e passa com fornecedores, eu infelizmente já passei e por tudo isso acabei indo trabalhar para o lado de lá, se tivesse até hj esperando as amostras dos empresários brasileiros, e respostas de emails dos mesmos, eu ja estaria ajudando os empresários a fechar as portas aqui no Brasil.

Represento hj 50 tecelagens da China, 25 do Pakistão, 50 da India, isso só de tecidos, fios e toalhas, fora as centenas de convites que tenho diariamente dos fabricantes de confecções e cama e mesa que estão loucos para vender aqui no Brasil e tenho recusado.

De todos os seus brilhantes argumentos, somente um o Sr. não está totalmente bem informado: acabei de chegar da China e visitei algumas das mlhares de tecelagens que o meu tempo me permitiu e o que eu vi foi o seguinte:

Fabricas super modernas, totalmente informatizadas, com teares de ultima geração, funcionários todos uniformizados e felizes.

No tocante a qualidade, todas as fabricas me apresentaram Engenheiros Texteis, para falar sobre os produtos e processos de produção.

Todas as fabricas desde as pequenas(300 teares) até as bem grandes(1500 teares) tinham o seu depto de exportação com no minimo 3  pessoas falando com o mundo todo.

Em todas as fabricas elas estavam totalmente verticalizadas desde a tecelagem até os acabamentos finais dos tecidos e com orgulho me mostravam os tratamentos de agua e residuos.

Com relação a salários, os tecelões lá tem que entender de informatica, pois os teares e toda a produção estão todas informatizadas e eles ganham em torno de U$D 300 por mes, mas pagam U$D 50 do seu carro zero e com muito orgulho mais U$D 100 de universidade com o que sobra ou seja 150 vivem muito confortavelmente e felizes.

Os funcionarios do escalão de cima ou seja Engenheiros Texteis e de exportação, ganham em torno de 500 por mes e da mesma forma tem os mesmo gastos, pois muitos ainda estão pagando ao governo os estudos.

Qdo da proxima vez Vc ter a possibilidade de ir visitar a China, não perca, pois Vc vai ver que infelizmente aqui no Brasil esse setor está ha mais ou menos 1 seculo atrazado.

Qdo me falaram que na China tinha tecelagens com 3 mil teares eu não acreditei, mas tem...

Outra coisa lá os empresarios são unidos na hora de reinvidicar as coisas do governo...

Desculpe pela minha falta de educação...se precisar de alguma coisa estou as ordens

Abraços

Alberto

 

 

 

 

 

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