Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XII

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Estórias dos Velhos Locais - Ouro Preto, Mariana e Barra Longa - MG


Estudando em Ouro Preto, sempre ouvia as estórias dos velhos locais - e também os dos velhinhos de Mariana e Barra Longa. Eles sempre contavam estórias de bichos exóticos e assombrações. Bem, exóticos para voces não-mineiros, mas nas alterosas tudo é possível. Recentemente vi um Jornalista de Barra Funda no Joe Soares, pondo um premio (R$ 10,000) para a captura - vivo ou numa garrafa- do "Caboclin". Eu acho isso um absurdo, e nessa época de festas, de paz e de Virada de Ano, gostaria de deixar com os amigos, a minha experiência com o Kaboko D’Água... Desenho que mando aqui e bem fidedigno e varias pessoas confirmam isso. Testemunhas visuais.


FELIZ ANO NOVO A TODOS VOCES com as bênçãos de Deus e a ajuda do Kaboko D'Água!

Acho um absurdo à caçada que esta sendo imposta ao Kaboko D’Água, especialmente pelo povo de Barra Longa e alguns Jornalistas sensacionalistas de Ouro Preto e Mariana. 
Nunca foi registrado UM SO CASO de ataque perigoso por parte dessa criatura. O Kaboko D’Água é um tipo de ET Aquático, pacifico, mas em extinção, que se adaptou em poucas regiões do Brasil ainda em existência nas cercanias de Ouro preto e Mariana. 
Nos tempos do “Golo”, em Ouro Preto, confesso, dependendo da cana tomada já vi uns ETs – ou algo desse tipo. Mas numa noite de Festival de Inverno bem extrapolada, eu havia saído Boteco do Professor as tres e meia da manha e começou a chover. 
Ouro Preto estava quase depopulada de estudantes, eu estava ainda por lá oficialmente para a família a tratar de assuntos de “matérias pendentes” na Escola de Minas. Mas na realidade estava em lua de mel com as amigas do Rio e outras paragens que estavam chegando a Republica. 
A chuva engrossou e lá pela Ponte dos Suspiros, chovia aos cântaros em Ouro Preto. Ate que gostei. Pensei que a água fria me ajudaria e ver as coisas pelo menos dobradas. Mas qual o que: Na subida da Rua Direita comecei a derrapar, a patinar, e zigzaguear e na altura da Farmácia de Seu Zezito não deu mais para subir. Sentei a porta da antiga farmácia e ainda via em quatro. Comecei a bater queixo, encharcado e tiritando de frio. E eis que iluminado pela luz do lampião quase adiante da farmácia, eu vi quatro Kabokos D’Agua. 
Claro que eu sabia que era só um, pois afinal eu via tudo em quatro. Pensando, por um brve momento, que era Joãozinho Pé de Rodo vestido em água (O Joãozinho não era muito bonito) vindo em minha direção todo mijado eu berrei: “Não fui eu não!” Mas o bicho aguado se encaminhou e eu protegi a minha cabeça de uma possível paulada, pois à tarde eu tinha sido ameaçado pelo Joãozinho ao chamá-lo de “Pé de Rodo”. Foi quando senti uma mão morna me ajudando levantar, depois um braço forte a me agarrar pela cintura e eu me abracei ao seu ombro e fui andando e navegando para a República Pureza. 
Desci a Rua das Mercês tropeçando, no meio de um dilúvio, a ladeira parecendo mais uma cachoeira que corria rumo a Republica Canaã. As águas pareciam querer afogar ate mesmo as casas de Dona Santita. Temi a morte, mas o Joãozinho de segurava firme. 
No portão da Republica, já meio sóbrio pela caminhada forcada, me dei contas que eu não poderia com o meu metro e oitenta e dois estar sendo escorado por Joãozinho que nem ao metro e quarenta chegava. Aí olhei o amigo molhado, e pensei que o coitado era um “bicho”, sofrendo algum trote exótico de membros do Reino de Baco ou da Republica Vaticano, pois a gurizada de lá é muito criativa. 
Ai eu agradeci e perguntei: “Bicho, voce é de que Republica”? Ele me respondeu “Iki, iiiki, kikiki, ikiki” Me enchi de moral e falei: “Porra bicho, fala direito comigo: Afinal eu é que bebi e voce é que fica soluçando?” 
Ai ele apontou p’ro céu, creio lá para direção das Cabeças, que em dias de céu limpo dá para se ver a Via Láctea, e disse: “Iki ikk kikiki”. Bem achei o Bicho era meio doido agradeci, e ele pareceu sumir nas águas que desciam ladeira a baixo. 
No outro dia falei com a turma da Republica sobre o ocorrido e muitos riram de mim. À noite, o Garcia e o “Baiano Chibungo” chegaram ao meu quarto, que ficava lá perto do tanque da Republica onde hoje é a boate, sentaram-se a cama, me pediram segredo, e me informaram que eu fui ajudado pelo Kaboko D’Agua. Prometi e mantive o silencio, e o fiz por muitos anos.
Mas, no Doze de Outubro retrasado, visitando a Pureza, soube que o Baiano e o Garcia já são falecidos. Aí entrei nessa sinuca de bico: Posso agora contar a estória do Kaboko livremente, sem quebrar a palavra empenhada, mas as testemunhas já são falecidas... Bem, crendo voces ou não, o Kaboko D’Agua existe e é “do bem”. Ele ajuda muitos os que bebem... Demais. 
Confesso que não mais bebo e desde então nunca vi o meu amigo Koboko, mas isso deve ser por conta de eu não mais necessitar de sua ajuda. Mais ai fica o meu relato, de homem sério, Diretor Industrial e Ex- Puro de Ouro Preto: O Kaboko D’Agua existe, é real, molhado, porem tangível - e mais: É um ser bom. 
Mas, por falar em “bom”, bom seria que esta gente tacanha de Mariana e Barra Longa, parassem com esse absurdo de tentar capturar essa rara criatura e começar a conviver pacificamente com ela. 
Já denunciei as patetices dessa gente de Mariana que ate colocou um premio de R$ 10, 000 pela capturara do pobre Extra Terrestre, um ser meigo, amigos dos estudantes da UFOP, que deve ser originário lá das bordas da via láctea, num planeta aquático de vegetação exótica, onde exuberam os Paus D’Água. 
Nessa época supostamente de Paz e Boa Vontade entre os homens de todos os planetas, peço a voces que deixem o Kaboko D’Agua em paz: E ao amigo Kaboko D’Água, obrigado por tudo – e um FELIZ ANO NOVO. Para voce, suas águas e seu povo lá... Lá de longe!

Sam de Mattos, Jr

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