Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XVI

Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XVI

Formação em Moda dá para ser gratuita?

A resposta é: sim. Dá para ter uma ótima formação estudando gratuitamente. Mas antes, vamos lembrar o que é formação em moda... 

 

 

Trabalhar na área da moda exige conhecimento amplo sobre todo o campo da moda, mesmo que se atue em apenas uma parte dele. Deste modo, ter conhecimento de toda a rede produtiva é necessário, isto é, da agroindústria e indústria de base ligada à produção de insumos para a moda até a blogosfera e redes sociais, passando por centenas de tipos de desenvolvimento de produtos de moda – tecidos, confeccionados, calçados, joalherias e acessórios, etc. – tudo é pertinente e tem impacto no universo profissional de moda. Este é uma rede com relações complexas e delicadas...

 

Portanto, estudar moda significa aprender sobre diversos tipos de atuação, de cursos livres e técnicos a pós-graduações. Conseguir formação gratuita em moda é correr atrás de oportunidades que existem em todo o país, em diversos níveis. Mas antes disso, vamos explicitar sobre os tais ‘diversos níveis’ de formação e a função de cada um. 

Comecemos pelos famosos cursos livres. Como o próprio nome diz, são livres, não possuem regulamentação rígida e podem ser sobre qualquer assunto ou ter a qualquer quantidade de horas-aula. Vão desde cursos dados gratuitamente em Igrejas e ONGs até caríssimos cursos com destacados profissionais do mercado. Lado bom: eles servem muitas vezes para experimentar diversas áreas de moda, assim, você pode dedicar a formação mais robusta àquilo que é mais pertinente à sua atuação desejada. Servem também para compreendermos áreas que são complementares à nossa ou mesmo para ter uma visão mais ampla sobre o campo da moda. Lado ruim: como não há controle sobre eles, picaretas podem surgir... há cursos livres gratuitos em diversas instituições de ensino e de formação continuada.

Seguimos pela formação técnica. Ela serve para a aquisição de conhecimento e práticas de uso cotidiano nas áreas criativas-produtivas da moda. Há cursos técnicos ligados à moda disponíveis em todo o país pelo SENAI, sobretudo, nas escolas especializadas. São cursos de ótima qualidade, que ensinam sobre fios e filamentos, têxteis, confeccionados, gestão de produção. Estes cursos geralmente estão localizados em regiões de reconhecida produção da área (proximidade com APLs – arranjos produtivos locais) ou que possuem longa história com a produção industrial da área. Eu mesma tive a oportunidade de estudar em um: o curso de Técnico em Vestuário do Senai do Bom Retiro, em São Paulo, capital. Curso de excelente qualidade, que introduz primorosamente o aluno na realidade de ‘chão de fábrica’ de uma indústria confeccionista. Muitos colegas do curso eram também alunos de renomadas faculdades de moda (e particulares) da cidade, o que demonstra o quanto o complemento ‘chão de fábrica’ é necessário para não ser um profissional alienado do processo produtivo. 

O complemento do curso "chão de fábrica" é necessário para qualquer profissional não ficar alienado do processo produtivo.

O SENAI oferece diversos cursos técnicos profissionalizantes e de aperfeiçoamento que treinam alunos para realidades produtivas do universo têxtil, confeccionista, couro-calçadista, bolsas, joalheria e bijuteria etc. Estes cursos são desenvolvidos de acordo com a necessidade local, por exemplo, no SENAI Modatec, de Belo Horizonte, há cursos focados tanto na parte de gestão da produção de confecção quanto em modelagem, necessidades que surgiram a partir da pesquisa nas necessidades de profissional que as empresas demandaram ao SENAI. Já o SENAI de Guaporé (RS) desmembrou o curso técnico em diversos cursos específicos sobre as técnicas do fazer joias, de acordo com a necessidade local. O Centro Paula Souza (escolas técnicas públicas) também possui cursos relacionados à moda, em especial àqueles voltados à produção industrial.

graduação tecnológica é um degrau a mais em aprofundamento. Ela vai além do domínio da técnica, é também aprimoramento da mesma, bem como deve proporcionar um desenvolvimento de novas soluções técnicas para processos produtivos ou oferecimento de serviços. Os cursos tecnológicos costumam ter a duração de dois a três anos e são focados na realidade de mercado. A FATEC em São Paulo e a Universidade Federal Tecnológica do Paraná são bons exemplos de cursos em nível tecnológicos que contemplam áreas da moda (têxtil, modelagem, gestão etc.).

Há ainda graduações tradicionais que formam o aluno em quatro, cinco ou seis anos, dependendo da área. Essa formação pode seguir, basicamente, por dois caminhos: ou para o desenvolvimento de produtos (no qual se destacam faculdades com formação para a área de design de moda e engenharia têxtil, por exemplo), ou para a área de gestão (como negócios da moda e economia doméstica). 

A graduação forma alguém que, além de atuar deve, obrigatoriamente, ter visão crítica (reflexiva) sobre os processos produtivos e de negócios do setor de moda. Ambas são importantes para o desenvolvimento de moda no país. Temos diversos cursos de graduação em universidades públicas no Brasil, podemos citar os cursos da UDESC (Universidade do Estado de Santa Catarina), USP (Universidade de São Paulo), UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), UFC (Universidade Federal do Ceará), UFG (Universidade Federal de Goiás), UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora), UEL (Universidade Estadual de Londrina), UEM (Universidade Estadual de Maringá), UFPI (Universidade Federal do Piauí), UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte), entre outras.

Para a graduação tradicional, ter visão crítica sobre todo o processo da moda é essencial.

A pós-graduação possui dois níveis: lato sensu e stricto sensu. A primeira se refere a especializações e grande parte dos MBAs dedicados à moda existentes no país. O foco é adquirir rapidamente conhecimento sobre áreas específicas de moda e criar networking (professores, palestrantes e colegas de curso) nestas áreas específicas. Todas são pagas, mesmo quando elas são em universidades públicas. 

O segundo tipo de pós-graduação, o stricto sensu, refere-se a mestrados e doutorados, e é focado em desenvolver pesquisa sobre determinado assunto, exigindo do participante um mergulho mais aprofundado no tema que este resolveu estudar. Mestrados e doutorados, quando em universidades públicas, são, invariavelmente, gratuitos, e passíveis de serem agraciados com bolsas de estudo, o que proporciona mais facilidade e conforto para o desenvolvimento das pesquisas. A única pós-graduação stricto sensu com nomenclatura em moda é o Mestrado Acadêmico em Têxtil e Moda da USP. Muitos dos que querem seguir carreira de pesquisa ou lecionar em ensino superior acabam por fazer mestrado e doutorado em diversas outras áreas, mas levam consigo a moda como objeto de estudo. 

Este foi, por exemplo, o meu caso: tenho graduação em Ciências Sociais, mestrado em Antropologia, especialização em Museologia, doutorado em História da Arte... de que maneira eu fui parar na moda? Se você examinar o meu Currículo Lattes, vai perceber que todos os temas, sem exceção, têm como objeto principal a moda, em especial, a moda no Brasil. 

Agregar vários cursos e ampliar cada vez mais a visão profissional faz a diferença. Fiz curso Técnico em Vestuário do SENAI junto com o Doutorado em História da Arte na UNICAMP... sempre há tempo e espaço para aprendermos. Afinal, conhecimento nunca é demais!

Bons estudos a todos!

Patricia Sant'Anna*

leia o post no blog.

*Patricia é, além de Diretora de Pesquisa da Tendere, coordenadora da pós-graduação em Negócios da Moda do SENAC-SP, em São José dos Campos.

Tendere - Pesquisa de Tendências e Consultoria em Moda, Beleza e Design

www.tendere.com.br

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Comentário de Lyanne Noronha em 21 agosto 2013 às 23:41

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