Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XII

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Indústria Têxtil e do Vestuário Brasileira - Números e possibilidade de estar entre os grandes exportadores

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A Indústria Têxtil e do Vestuário brasileira, com um mercado interno de 200 milhões de consumidores e um PIB em crescimento constante, mesmo no actual período de crise internacional está claramente virada para “dentro”. Mas será que quer continuar assim?

Apesar de possuir objectivos de exportação ambiciosos, através do programa de promoção Texbrasil, muitas das empresas da Indústria Têxtil e do Vestuário (ITV) brasileira estão mais profundamente centradas no mercado interno, cativadas pelos 200 milhões de consumidores e pelo crescimento económico do país. Mesmo as empresas estrangeiras estão a apostar neste mercado.

Com um volume de negócios de 43 mil milhões de dólares em 2008, a ITV do Brasil é a sexta maior do mundo. Trata-se de uma indústria diversificada, que emprega cerca de 1,7 milhões de pessoas e ostenta fortes pólos industriais e de moda, em diversos Estados do país. Além disso, de acordo com o estudo da Werner, sobre a comparação dos custos de trabalho de 2008, o custo médio por hora de um trabalhador têxtil brasileiro é de apenas 3,41 dólares, ou seja, uma fracção de 20% do registado nos EUA.

Algumas das empresas têxteis do Brasil, como a Coteminas (têxteis-lar) e a Vicunha (denim), são reconhecidas internacionalmente. E, no que se refere à roupa de banho, lingerie, jeans e vestuário infantil, o Brasil é reconhecido como um líder criativo de moda.

A federação brasileira de têxteis e vestuário (Abit) e a agência de promoção da exportação e do investimento (Apex-Brasil) estão incumbidas da execução da estratégia de exportação do sector através do programa de promoção Texbrasil.

Este programa surge enquadrado numa economia emergente que a OCDE (Organização para Cooperação Económica e Desenvolvimento) prevê que possa ser a única, entre as 34 principais economias mundiais, que poderá evitar a recessão em 2009. O crescimento do PIB brasileiro para este ano está estimado em 1,5% e surge após vários anos em que foi registado um aumento de 5%.

Será então insensato acreditar que, dentro de 5 a 10 anos, o Brasil possa encontrar-se entre os dez maiores exportadores de têxteis e vestuário do mundo?

À primeira vista, não. Mas, um olhar mais atento sobre a indústria brasileira de têxteis e vestuário, mostra que a probabilidade do sector ser um futuro “campeão” das exportações é muito pequena, até mesmo inexistente.

Focalização no mercado interno
Considerada como um todo, a ITV brasileira não tem nem uma tradição, nem uma atitude de exportação. Apesar do crescimento de 30% do valor em dólares das suas exportações, entre 2003 e 2007, estas representaram apenas 4% do volume total de negócios do sector em 2008. E, com o valor das exportações de produtos têxteis e vestuário (não incluindo as fibras de algodão) avaliado em 1,75 mil milhões de dólares, o Brasil não se encontra sequer entre os 40 principais exportadores de têxteis e vestuário do mundo.

Além disso, a maioria dos 4.500 produtores de têxteis e 23.000 produtores de vestuário do país é PMEs, que preferem vender as suas mercadorias aos Estados brasileiros vizinhos. Ao fim e ao cabo, o Brasil é 35 vezes maior que o Reino Unido.

Um estudo recentemente realizado pela Ernst & Young e a FGV Projetos, prevê que a quota de mercado global do Brasil para produtos manufacturados, que está actualmente em 1,1%, seja inferior a 1% em 2030. E embora a economia brasileira continue provavelmente a crescer a uma média de 4% ao ano, a procura interna irá, de facto, estimular o crescimento do PIB.

De acordo com Fernando Garcia da FGV Projetos, as exportações brasileiras de produtos manufacturados são dificultadas por estrangulamentos nas infra-estruturas, insuficiente I&D, elevados preços da energia e inflação. Além destes factores, o próprio sistema fiscal brasileiro é efectivamente uma verdadeira “dor de cabeça” para a indústria. Aguinaldo Diniz Filho, presidente da Abit, afirma que, apesar dos apelos ao Governo, os têxteis e vestuário vendidos no retalho acumulam impostos entre 40 e 50% nos seus preços de venda.

Refira-se ainda que, de acordo com as estatísticas da OMC, desde 2003 que “a vantagem comparativa revelada” pelo Brasil no campo das fibras têxteis ultrapassa a da China. Mas, para todas as outras categorias de têxteis e vestuário, a China é muito mais competitiva do que o Brasil. Em 2007, o índice de “vantagem comparativa revelada” da ITV chinesa foi cinco vezes superior ao correspondente índice para o Brasil.

O enorme complexo de poliéster PetroquímicaSuape, um projecto de 1,4 mil milhões de dólares que está em construção desde 2009 no estado de Pernambuco, irá melhorar a competitividade do país, mas ao nível das fibras não-naturais.

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