Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XII

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Fonte:|parana-online.com.br/colunistas|

Tem histórias que até Deus duvida. Se bem que agora Ele mesmo pesquisa na internet e tira a dúvida. Foi o que eu fiz com uma história que me foi contada. A história não é de nenhuma Brastemp, é da Consul (sem acento circunflexo). É a prova de que “amigo é pra essas coisas”, não uma palavra para se usar e jogar fora.

Karl Renaux (1862-1945) nasceu no Grão-Ducado de Baden, de onde veio metade dos imigrantes alemães de Brusque. Chegou ao Brasil com 20 anos, em 1882. Em 1892, já próspero comerciante em Brusque, decidiu transformar numa fábrica de tecidos a experiência de tecelões alemães e poloneses que lá viviam como agricultores.

Com ousadia, a Fábrica de Tecidos Carlos Renaux começou com rudimentares teares de madeira, logo depois substituídos por teares mecânicos importados da Europa. Karl teve onze filhos. Casou-se segunda e terceira vezes, sobrevivendo sempre às suas esposas. Chefe republicano em Santa Catarina, chegou a ser condenado à degola pelos revolucionários federalistas de 1893, mas o alemão “pica-pau” foi salvo por um amigo “maragato”.

Em busca de novas tecnologias, Karl Renaux vivia a maior tempo na Alemanha, onde foi cônsul do Brasil. Ao retornar, dirigiu as indústrias até 1937, quando as colocou definitivamente aos cuidados dos filhos.

Segundo a história oral, ao voltar definitivamente para o Brasil o velho Karl não conseguia se readaptar com o verão senegalesco de Brusque. Sempre atento ao futuro, num certo dia de mormaço Karl pediu a um dos seus engenheiros alemães que inventasse um “refresco”.

Rudolfo Stutzer seria o nome desse técnico que inventou qualquer coisa parecida com o que chamamos hoje de “ar condicionado”. Não satisfeito com a refrigeração da mansão do industrial, Stutzer teria proposto ao amigo Karl um negócio bem mais ousado: fabricar geladeiras!

Considere-se aqui que o primeiro refrigerador artificial conhecido foi demonstrado por Willian Cullen, um médico, químico e físico escocês, na Universidade de Glasgow, em 1748. O primeiro refrigerador doméstico foi produzido em 1913, em Chicago, por Fred W. Wolf Junior, e não foi um sucesso comercial.

Entusiasmado, e sentindo os resultados práticos na própria sala, o Cônsul Carlos Renaux abraçou a ideia de Rudolfo Stutzer. “Um negócio inviável”, teriam dito os filhos do Cônsul, descartando a participação da família na montagem da “tal de geladeira a querosene”.

Decepcionado, Rudolfo Stutzer teria se mudado de mala e “pompa da chops” para Joinville. Cônsul era um homem tenaz: não se associou “ao negócio inviável”, mas emprestou dinheiro do próprio bolso para o amigo montar a ideia em Joinvile.

Conforme a história oficial, numa época de escassez de manufaturas por causa da Segunda Guerra Mundial, o projeto ganhou base tecnológica quando Rudolfo Stutzer recebeu em sua oficina uma geladeira quebrada. Naquela época esse tipo de conserto era difícil, pois os refrigeradores eram importados. Brava gente, depois de desmontar e esmiuçar as peças do aparelho, Stutzer e outros dois amigos (Guilherme Holderegger e Wittich Freitag) perceberam que eram capazes de fazer um igual.

Dito e feito: a ideia ganhou chão de fábrica. No entanto, faltava um pequeno grande detalhe: o nome da geladeira.

“Amigo é para essas coisas”, e Rudolfo Stutzer bateu o martelo: “Vai se chamar Cônsul, em homenagem ao meu falecido amigo Cônsul Carlos Renaux”.

Assim decidido, um outro detalhe se apresentou: pegaram então o nome Cônsul e tentaram esculpi-lo em madeira, para que fosse colado na porta do refrigerador. Com uma serra tico-tico, só não conseguiram esculpir o acento circunflexo da palavra. Diante do problema, ficou decidido que a marca não teria acento. E assim ficou até hoje.

***

A história pode não ser essa, mas assim me foi contada, assim me parece verossímil. E se a prova de amizade não foi bem assim, “Põe na Consul”.

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