Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XIII

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Posted by Clavel Rojo in Não há fuso sem roca -telemaquia.blogspot.com

Na tradição do islamismo, o tear simboliza a estrutura e o movimento do universo. No norte de África, nas mais humildes cabanas dos naciços montanhosos, a dona de casa tem sempre um tear: dois rolos de madeira sustentados por dois montantes; uma moldura simples... O rolo de cima tem o nome de rolo do céu, o de baixo representa a terra. Estes quatro bocados de madeira simbolizam todo o universo.


O trabalho da tecelagem é um trabalho de criação, um parto. Quando o tecido está terminado, a tecedeira corta os fios que o prendem ao tear e, ao fazer isso, pronuncia a fórmula da benção que diz a parteira ao cortar o cordão umbilical do recém-nascido. Tudo acontece como se a tecelagem traduzisse em linguagem simples uma anatomia misteriosa do homem.

J. Servier, que descreve admiravelmente este símbolo, encontra alguma analogias em vários pontos:

O tear vindo do Oriente, objecto usual trazido por todas as vagas sucessivas de emigrantes da Ásia para o Mediterrâneo, terá sido encarregado pelos sábios de uma mensagem que daria ao homem, em termos duráveis, os arcanos primeiros do conhecimento do ser? Terá Platão recorrido à tecelagem para encontrar um símbolo capaz de representar o mundo, um fuso cujo diâmetro, dividido em círulos concêntricos, representa os campos planetários?

Tecido, fio, tear, instrumentos qu servem para fiar ou tecer (fuso, roca), são outros tantos símbolos do destino. Servem para designar tudo aquilo que comanda ou intervém no nosso destino: a Lua tece os destinos; a aranha que tece a sua teia é a imagem das forças que regemos os nossos destinos. As Moiras são fiandeiras, atam o destino, são divindades lunares. Tecer é criar formas novas.

Tecer não significa somente predestinar (no plano antropológico) e reunir realidades diferentes (no plano cosmológico), mas também criar, fazer sair da sua própria substância, tal como faz a aranha, que tira de si própria a teia.

Inúmeras deusas, Grandes Deusas, têm na mão fusos e rocas e presidem não só aos nascimentos como também ao desenrolar dos dias e ao encadeamento dos actos. Encontram-se em todo o Próximo Oriente antigo exemplos que remontam a 2000 anos antes da nossa era e dentre os quais citaremos o da Grande Deusa hitita. Dominam assim o tempo, a duração dos homens, e adquirem por vezes o aspecto duro e impiedoso da necessidade, essa lei que ordena a mudança contínua e universal dos seres e donde procede a variedade infinita das formas. O tecido cintilante do mundo desenha-se sobre um fundo de sofrimento humano. Fiandeiras e tecedeiras abrem e fecham indefinidamente os ciclos individuais, históricos e cósmicos.


Chevalier, Jean; Gheerbrant, Alain,, "Tecelagem", Dicionário dos Símbolos, trad. de Cristina Rodriguez e Artur Guerra, Lisboa, Teorema, p. 637.

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