Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XIV

Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XIV

Demissões em massa colocaram 1,5 mil trabalhadores nas ruas-Setor têxtil

Mais afetada, Americana teve cortes nas maiores empresas da cidade; setor têxtil continuou a sofrer com crise financeira


Foto: Arquivo - O LiberalA Toyobo, empresa do setor têxtil demitiu 400 funcionários em novembro

A onda de demissões provocadas pelo fechamento e encerramento de serviços de grandes empresas colocou 1,5 mil trabalhadores nas ruas em 2016 na RPT (Região do Polo Têxtil). O setor que dá nome ao conjunto das cinco cidades, novamente, foi um dos mais afetados pela crise.

Em recuperação judicial desde 2006, a Polyenka, indústria de filamentos de poliéster estabelecida em Americana nos anos 70, decidiu demitir 300 funcionários em janeiro para tentar reestruturar suas operações na cidade.

Foto: Arquivo - O LiberalA empresa Del Valle, do setor de bebidas demitiu 315 funcionários no mês de maio

Nos últimos dez anos, a empresa já havia demitido quase metade do seu quadro de colaboradores – 550 em maio de 2006. Na época do pedido de recuperação, uma espécie de tentativa judicial de evitar a falência, a Polyenka alegava dificuldades financeiras graves e colocava a culpa, em parte, no governo federal.

Mesmo com capacidade para produzir 33 mil toneladas por ano de fios, a têxtil argumentou à justiça que faltava um ajuste fiscal e tributário eficiente por parte do poder público para ajudar o setor. A elevação dos juros e a participação cada vez maior de produtos asiáticos, de baixo valor, também contribuíram para a derrocada da Polyenka.

Foto: Arquivo - O LiberalA Polyenka, também do setor têxtil demitiu 300 funcionários no mês de janeiro

“Entre 2005 e 2006, o mercado não reagiu a contento. Houve queda acentuada da margem de lucro em função dos aumentos da matéria prima de produtos derivados de petróleo”, justificou a empresa.

A Polyenka diz que tenta retomar sua operação, mas de maneira diferente da produção de fios. A ideia, segundo o LIBERAL apurou, seria o ramo de importação. Nenhum representante da empresa foi localizado nesta semana.

Foto: Arquivo - O LiberalA Unitika, empresa do setor têxtil demitiu 100 funcionários no mês de junho

SÉRIE. As demissões da Polyenka, em janeiro, inauguraram uma série mensal de desligamentos na região. Entre o início de 2016 até julho, foram 1,1 mil trabalhadores demitidos. Em maio, a demissão na fábrica de bebidas Del Valle, em Americana, provocou uma correria aos postos de atendimento ao trabalhador.

Mas o setor têxtil voltou a ser destaque negativo no mês passado, com o fechamento inesperado da japonesa Toyobo, também em Americana. A empresa, que chegou a atrair a visita do presidente Juscelino Kubitschek em 1963, garante que não enfrentava dificuldades financeiras.

Foto: Arquivo - O LiberalA Vicunha Rayon, empresa do setor têxtil e papel demitiu 82 funcionários no mês de fevereiro

Os desligamentos seriam parte de uma mudança estratégica da indústria japonesa, que, em setembro do ano passado, inaugurou a planta de produção de resinas plásticas pra o setor automobilístico.

Com o encerramento da produção têxtil, a indústria trabalha agora com 100 funcionários na nova planta, segundo o porta-voz Percival Aires Kühl. “Não temos mais planos de retomar o setor têxtil. Planejamos fazer outras atividades já desenvolvidas no Japão na fábrica de Americana”, comentou, sem detalhar nem dar prazos.

Foto: Arquivo - O LiberalEmpresa Schneider, do ramo de energia e automação demitiu 300 funcionários no mês de julho

PERSPECTIVAS. O presidente do Sinditêxtil, Alfredo Bonduki, diz que o recuo das importações de vestuário a partir de setembro tornou os resultados do ano para o setor “menos ruim”. De acordo com dados da entidade, a produção têxtil nos últimos dois anos caiu 20%. No varejo, a queda foi de 11% em relação ao ano passado e 17% no acumulado entre os dois últimos anos.

“É um ano desfavorável. E só não foi pior para o setor porque houve uma queda grande na importação de vestuário”, lamentou Bonduki. Segundo ele, o segmento também assistiu a um aumento nas importações de fios e filamentos, sinal positivo. “Como se trata de matéria-prima, pode significar que as tecelagens e malharias estão retomando a produção”, afirmou.

Para o representante do setor, a recuperação têxtil em 2017 depende de fatores como o câmbio e da geração de renda. A redução do desemprego e um consequente aumento do poder de compra e demanda da população levariam empresários a acreditarem “na estabilização da produção, ainda num patamar muito baixo”.

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A Colori, demitiu 60 de mais de 80, ao longo dos últimos 5 anos.
Até encerrar atividades em novembro último.
A situação tornou-se inviável.

muito triste o rio de janeiro perder a colori!!!!!

Foi muito triste sim mas, também, uma interrupção de uma inevitável gangrena econômica.
Mais de dois mil clientes cadastrados e atendidos. Ao todo, 33 anos de atividades.
Muitas realizações e amizades.
O Rio, já com tão poucas estamparias, fica um pouco mais orfão nesse setor.
Infelizmente, vítima das importações, da era digital e da crise assassina.

ao longo destes anos tivemos uma série de  acontecimentos  e ""milagres""  sobre preços importados!!! Vivemos barbaridades sobre barbaridades!!!  e o pior ainda está para vir: A china reconhecida como economia de mercado  !!!!!!   http://bibliotecadigital.fgv.br/dspace/bitstream/handle/10438/15783...  

...esta globalização  em geral é péssima, pois temos pesos, medidas e consequentemente custos diferentes!!!

Sera que a região de Americana não esta sofrendo por causa do tipo de gestão,veja o polo têxtil de Santa Catarina existe uma renovação,com projetos a longo prazo,e são os grandes responsáveis pelo  aumento das exportações têxteis.Acho que a dificuldade de Americana vai alem da crise econômica/politica,são os fundamentos que tem que ser avaliados.

Amigo, sério que você acredita que o polo de Santa Catarina é tão estruturado assim?
Acho que este ano devido à grande turbulência do nosso querido mercado têxtil essa está sendo a minha primeira parada neste glorioso Blog! Agradeço o amigo que me cutucou e fez eu voltar a escrever... hehehehehehe...

As empresas de SC sim! Se modernizaram, surfaram a onda da oferta fácil de crédito! Do benefício fiscal concedido pelo seu estado! Você vai dizer que os empresários estavam errados?? Óbvio que não!!!
Mas vai ver aonde está estourando aos maiores RJ do setor têxtil nos últimos 2 anos??? Aonde os problemas de créditos estão maiores...
Cuidado meu amigo!!! tem muita empresa grande hoje de SC que depende de grande atacadista do nordeste e de São Paulo! Estão totalmente descapitalizados...
O negócio está feio...

Problema de gestão ??? me poupe !!!

O problema foi o patético governo comunista que tivemos nos últimos 13 anos, que beneficiou sindicatos e o populismo, enfraquecendo indústrias em benefício "próprio"

Sinceramente os empresários cansaram de lutar por uma causa sem perspectivas.

E vai piorar muito ainda para o têxtil...infelizmente.

Óbviamente, sempre se pode botar o dedo em aspectos de má gestão.
Os nosso próprios, são descobertos à posteriori; o que deveríamos ou, deveríamos ter feito em tais e tais situações.
No meu caso, vejo vários, composto pelo falecimento de minha sócia e esposa - a alma da Colori - um otimismo exagerado, um certo descontrole de despesas, incompetências diversas, meu envelhecimento, ausência de sucessores, etc.
Depois de anos crescendo @ 50%, ao ano, com a mais rica carteira de clientes possível, trabalhando dia e noite, quando a crise começa à bater, você custa um pouco à acreditar que vai durar.
Dois , três meses, com a folha inchada para a nova conjuntura; a dificuldade de se desmanchar equipes treinadas e, já amigas, ... babau! A grana some , dividas crescem.
Tenta-se de tudo; demissões, nova gerência comercial, mais representantes, cerco aos clientes, consultorias, mais lançamento de estilo, corte de despesas, economias diversas.
Aquela luta, que todos conhecem.

Mas, sendo, então , essa crise, que explodiu de 2015 para cá, haja gênio empreendedor e gestor para segurar a peteca. Não foi o meu caso.
Transformei uma pequena oficina serigráfica; ligada à Cantão, em 1983, numa expressiva empresa de estamparia textil artesanal, referência no mercado carioca, majoritáriamente dedicada à moda feminina; onde tantos queriam estagiar ou trabalhar; visitas encantadoras de turmas de estudantes.
Foi um barato, uma senhora trip profissional.
O ciclo fechou, o sonho acabou. Bye.

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